Henry Moore

Castleford, Yorkshire/Inglaterra, 1898 – Perry Green, Hertfordshire/Inglaterra, 1986

Formação:
1919 Leeds School of Art de Londres, Inglaterra
1919–1923 Bolsa de estudos no Royal College of Art de Londres, Inglaterra
1925–1932 Professor no Royal College of Art de Londres, Inglaterra
1932–1939 Professor no Departamento de Escultura no Chelsea College of Art de Londres, Inglaterra

Trajetória:
Escultor e desenhista.
A partir de 1919 estuda na Leeds School of Art, onde obteve uma bolsa de estudos para o Royal College of Art, ambas em Londres. Em 1924 Moore foi contemplado com uma viagem de estudos e passou seis meses na Itália e na França. Em solo italiano Moore ficou impressionado com as obras de Michelangelo (1475–1564), Giotto di Bondone (1267–1337) e Giovanni Pisano (1250–1315), entre outros. Em Paris frequentou aulas no Louvre, e tomou contato com o molde em gesso de uma escultura asteca (c. 900–1000 d.C), conhecida como Chacmool, no Museu Etnográfico do Trocadero, a qual veio a ser uma importante influência para o tema de suas figuras reclinadas. Após retornar a Londres passou a atuar como docente no Royal College of Art e, posteriormente, no Chelsea College of Art.
Durante a década de 30 viveu em Hampstead e integrou o grupo de vanguarda britânico Unit One para o qual escreveu:

Para mim uma obra deve ter vitalidade própria. Não me refiro a um reflexo da vitalidade da vida, do movimento, da ação física, a figuras pulando e dançando e coisas do gênero; quero dizer que a obra deve encerrar em si uma energia, uma intensa vida própria, independente do objeto que possa representar. Quando uma obra possui essa poderosa vitalidade, não a consideramos bela. A Beleza, em sua acepção grega tardia ou renascentista, não é o meu objetivo na escultura (MOORE, 1934 apud Dicionário Oxford de Arte, 2007, p.360).

Ainda na década de 30 sua obra foi influenciada mais diretamente pela arte das vanguardas europeias e – em especial pelo surrealismo do artista francês Jean Arp (1887–1966) – pelos escultores Constantin Brancusi (1876–1957) e Jacob Epstein (1880–1959). Embora tenha produzido alguns trabalhos de vertente abstrata sua criação quase sempre teve como base formas do mundo natural e, notadamente, na figura humana. Entre os temas recorrentes em sua obra encontram-se a figura feminina reclinada e a mãe com a criança.
Grande parte das primeiras obras de H. Moore eram esculturas entalhadas e, ao rejeitar a tradição acadêmica de modelagem, passou a adotar a “doutrina de fidelidade aos materiais, segundo a qual a natureza da pedra ou da madeira –suas formas, texturas etc.– era parte conformante da concepção da obra” (Dicionário Oxford de Arte, 2007, p.360).
No final da década de 30, Moore já era conhecido no meio artístico como importante escultor britânico de vanguarda mas ganhou notoriedade pública, e internacional, ao ser nomeado por Kenneth Clark (1903–1983) como desenhista oficial do Comitê dos Artistas para a Guerra (1940–42) onde retratou pessoas em abrigos subterrâneos que buscavam proteção dos ataques aéreos. Em fins dos anos 40 e início dos 50 sua obra ficou conhecida internacionalmente através de exposições retrospectivas, importantes prêmios – como na XXIV Bienal de Veneza, em 1948, e na II Bienal de São Paulo, em 1954 – e contratos para realizar diversas obras públicas, tanto na Grã-Bretanha como em outros países. Ao longo desse período seu trabalho passou por significativas transformações, principalmente em relação ao material e ao tamanho das obras. O bronze passou a ser o material predileto, tomando o lugar da pedra, e seus trabalhos passam a ter grandes dimensões.
Nas décadas de 1960 e 1970, realizou grandes obras públicas para a sede da UNESCO em Paris, para o Parlamento de Londres e para o Lincoln Center, em Nova York. Em 1976 foi criada a Fundação Henry Moore, instituição voltada à educação e promoção das artes visuais.
Henry Moore é considerado um dos maiores escultores do século XX e sua obra está presente em coleções de arte moderna do mundo todo, inclusive no Brasil, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Obras:
Figura reclinada em duas peças: Pontos