Iole de Freitas

Belo Horizonte-MG, 1945

Formação:
1964–1965: Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI-UERJ), Rio de Janeiro
1970–1971: Designer no Corporate Image Studio da Olivetti, Milão/Itália
1986: Bolsa Fulbright-Capes para pesquisa no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), EUA
Anos 90: Professora de escultura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro

Trajetória:
Artista multimídia, escultora e gravadora.
Iole de Freitas nasce em Belo Horizonte, mas muda-se para o Rio de Janeiro ainda criança onde mais tarde estuda na Escola Superior de Desenho Industrial. Na década de 70 muda-se para a Itália e vive por oito anos em Milão, onde trabalha como designer no Corporate Image Studio da Olivetti, sob a orientação do arquiteto e designer austríaco Hans von Klier (1934–2000). É na Itália, a partir de 1973, que inicia sua carreira artística, dentro de uma vertente conceitual, realizando performances que eram registradas por ela própria através de fotografias e filmes super-8. Durante este período Iole “participa de um grupo de artistas de vanguarda que trabalha as questões da body art, ou seja, questões ligadas ao corpo e ao deslocamento do corpo no espaço”. Ao retornar ao Brasil, nos anos 1980, Iole vai lentamente abandonando o corpo como mediador do trabalho, “substituindo-o pelo ‘corpo da escultura’, que se evidencia nas obras tridimensionais das séries Aramões, Corpo sem órgãos, Teto do chão, Escrito na água, onde a artista trabalha com diversos materiais como o arame, a tela, o aço, o cobre, a pedra e a água” (RIBEIRO, 2005).

Sua trajetória e pesquisa artística envolve cinco períodos, a saber:
1973–1981: a linguagem do trabalho se constitui com o suporte de sequências fotográficas, filmes experimentais e instalações, apoiados por textos. Depois de uma experiência de dezoito anos de dança contemporânea, o corpo surge como um elemento estruturador do trabalho. As performances, são registradas pela própria artista, num circuito fechado onde corpo, câmara e imagem refletida constroem a estrutura da obra.
1983–1994: o corpo não aparece mais como mediador do trabalho, mas se substitui pelo próprio gesto, que arma e costura, com telas e fios, os volumes vazados que se desdobram e passam a constituir as novas obras: o corpo da escultura. As questões escultóricas, gravidade, peso e leveza, que ora emergem revelam a poética da obra por meio da fragmentação, transparência e elogio da superfície.
1995–1997: as esculturas desenvolvidas nesse período tornam-se fluidas, imateriais. As formas se dissolvem no espaço. Pedras semitransparentes passam a conter inscrições: “nome líquido”, “escrito na água”. O trabalho se amplia no espaço, se solta das paredes, determina territórios. [Em 1997 realiza sua primeira obra utilizando a liga metálica pewter].
1998–2000: a obra busca uma ativação específica do espaço que elege, nele instalando planos e linhas retorcidos que, imantando o ar, imprimem velocidade ao percurso.
2001–2014: o trabalho busca uma relação de tensão e potência com os espaços arquitetônicos dos museus e centros culturais. Por vezes, seus trabalhos rompem fisicamente as paredes dos museus projetando-se para o exterior, nas fachadas, questionando a territorialização da arte.
Em depoimento a artista relata que foram muitas as referências que marcam o seu trabalho mas atribui uma significativa e especial importância aos artistas ligados a vanguarda russa.

“Foram muitas as influências, entre elas Picasso, Cézanne, Degas, porém os artistas russos tiveram importância especial. O Relevo de canto, de Tatlin, traz a marca das descobertas de Picasso. De fato, o meu trabalho vem muito por aí. Para fazer arte precisa-se de ter uma vontade de investigação profunda, porque ao mesmo tempo em que você dirige o olhar para estes trabalhos de referência, você comanda uma linha tênue, que seja de reflexão coerente com as suas próprias investigações, com aquilo que o seu pensamento estético pede e tem aptidão para resolver. Meu trabalho passa pelo neoconcretismo, mas alimentado por toda a experiência de vida que me foi sendo trazida, desde a minha infância, e que me foi ampliada pela experiência em Milão. Quer dizer, o contato, o conhecimento, as leituras foram importantes.” (FREITAS, 2005).

“Iole de Freitas vive no Rio de Janeiro e possui uma atuação de destaque no campo da arte contemporânea, com participação em importantes eventos como, por exemplo, a Documenta de Kassel e as Bienais de Paris, de São Paulo e do Mercosul. Suas obras fazem parte de acervos de museus nacionais e no exterior, além de estarem presentes nas principais coleções particulares do país e exterior” (RIBEIRO, 2005).

Obras:
Obra sem título