Nelson Leirner

São Paulo/SP, 1932

Formação:
1947–1952: Instituto Tecnológico Lowell, Massachusetts/EUA;
1956: Estudo em pintura com Joan Ponç;
1958: Estudo no Atelier-Abstração, de Sanson Flexor, São Paulo;
1977–1997: Docente na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP/SP);
1997–1998: Coordenador do curso básico da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV, Parque Lage/ RJ);

Trajetória:
Artista intermídia e professor.
Nelson Leirner inicia sua trajetória cursando Engenharia Têxtil nos Estados Unidos (curso não concluído). Ao retornar ao Brasil, na década de 1950, estimulado pelos trabalhos do suíço-alemão Paul Klee (1879–1940), dá início a carreira artística realizando estudos em pintura com o artista espanhol Joan Ponç (1927–1984) e frequentando, por um curto período, o Atelier-Abstração coordenado pelo artista russo Sanson Flexor (1907–1971). Na década de 60 abandonou a pintura e passou a trabalhar com elementos fabricados industrialmente, direcionando sua pesquisa para obras que se situam entre escultura e objeto. Suas obras passaram a solicitar a participação do espectador e, ainda nesta período funda na capital paulista, junto de outros artistas, o grupo Rex, que tem como propósito questionar as relações entre arte, mercado, instituições e público. A partir da década de 1970, o teor questionador do trabalho de Leirner migra da ação direta para um sentido alegórico, que muitas vezes envolve o erotismo, e o artista passa a se dedicar a outras linguagens como o design, os múltiplos e o cinema experimental. Na década de 1980 cresce seu interesse pelos elementos da cultura brasileira, já investigados em sua obra desde os anos 1960. No início do século XXI, sua obra passa a trabalhar com a apropriação de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo, exemplo disso ocorre na “apropriação da apropriação” da obra Roda de Bicicleta (1913) do francês Marcel Duchamp (1887–1968). Percebe-se então que a produção de Leirner percorreu diversas linguagens e suportes, entre eles objeto, happening, instalação, outdoor, desenho, gravura, design e cinema experimental. De acordo com Fiochi, em todos os meios de expressão a poética de Nelson Leirner buscou mostrar sua posição crítica e irônica ao sistema da arte, “ou ainda a solidariedade a um repertório que, embora conceitual, abre brechas ao entendimento do público não-iniciado, ao utilizar materiais familiares ao seu universo”.
Durante seu percurso artístico Leirner também atuou como docente em São Paulo e no Rio de Janeiro, local onde vive desde 1997.