Comunicação

A internet não transformou a sociedade

As mudanças promovidas pela internet, imperceptíveis para as crianças de hoje, podem ser consideradas um marco histórico? Se com a queda do Império Romano Ocidental, a humanidade passou da Idade Antiga para a Média, e da Moderna à Contemporânea na Tomada da Bastilha, a revolução provocada pelo advento da rede mundial de computadores poderia ser a “Idade Global”?

Acredito que não. Posso estar redondamente enganado, mas não houve tanta transformação quanto os entusiastas gostam de propagandear. É impossível não reconhecer que o mundo mudou e que a sociedade está se adaptando às novas tecnologias. O modo como as pessoas se relacionam está diferente. A exposição individual é cada vez maior, as redes sociais aí estão para provar. Quem não está no facebook, ou não posta no twitter – ferramentas fantásticas, diga-se de passagem – não existe, não é lembrado.

A tomada de decisões e suas conseqüências se dão num espaço de tempo cada vez menor. Se der vontade de expor sua opinião, você posta na internet e o mundo saberá do seu pensamento.  Mas… e o que realmente mudou, além da velocidade da informação?

Há o Ensino à Distância, famoso EaD, um “curso via correio” aprimorado, não? Ou então… há o jornalismo colaborativo, claro, entre indivíduos e os tradicionais conglomerados de mídia. Ainda, conseguimos falar com pessoas de diferentes lugares ao mesmo tempo e compartilhamos informações com quem quisermos, claro, entregando-as a quem não conhecemos – empresas como a Google, Facebook, Microsoft e outras.

Hoje as pessoas têm acesso a informações mais rapidamente, afinal, há sites, blogs e portais dedicados aos mais diversos assuntos. Mas isso não quer dizer que elas estejam mais bem informadas. Afirmar que a humanidade encontra-se na “era da informação”, não significa afirmar que se saiba “dominar a informação”.

Coletividade

Talvez, a internet sirva, principalmente, para mostrar que não estamos sozinhos. A facilidade de se encaixar num grupo, num coletivo de pessoas com as quais se identifique é muito grande.

A web permite que alguém no Chile, que gosta de música russa contemporânea possa discutir com outra pessoa que vive na Rússia e tem o mesmo gosto, ou quem sabe até participar de um show transmitido pela internet! A participação, a inclusão e a democratização das escolhas, mesmo que virtuais, talvez seja o maior trunfo dessa tecnologia.

Iniciativas como www.livemocha.com, catarse.me/pt e o www.couchsurfing.org, inovadoras, impossíveis de existirem sem o nível tecnológico atual, demonstram que podemos praticar ideias novas. Sempre pensando no coletivo. Temos que tirar o pé do acelerador e pensar melhor o que devemos fazer com tanta informação.

Ainda assim, somos os mesmos.

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