Comunicação

O conto do dinheiro fácil continua fazendo vítimas

Quem nunca recebeu uma dessas?

Pior do que ouvir o barulhinho do celular indicando que chegou mensagem e receber avisos da operadora é receber mensagens de texto informando que ganhamos um susposto prêmio – carros, casas ou dinheiro – de algum programa de televisão ou da própria operadora. Ok, mas isso é mais velho do que andar a pé. Eu também achava, até que me surpreendi com uma reportagem do Jornal do Almoço (RBS) contando o caso de uma “vítima” de Cachoeira do Sul (RS). Me interessei pelo assunto e resolvi pesquisar mais na internet, e acreditem, esse golpe barato continua enganando gente de todo o país.

Mas como funciona? Bom, as mensagens avisam que o dono do aparelho foi sorteado/premiado, e o texto orienta o “felizardo” a ligar para determinado número para obter mais detalhes. Quem morde a isca e telefona é informado que para receber a premiação precisa realizar um depósito bancário como garantia ou ainda efetuar diversas recargas em telefones celulares variados. No caso da vítima de Cachoeira do Sul, o golpista informou que ela deveria fazer três depósitos de valor superior ao que já havia em seu celular, e que nos dois primeiros o procedimento seria normal (aquela fatura amarelinha sairia da máquina), mas que no terceiro depósito a máquina emitiria uma nota vermelha com o símbolo da Rede Globo (Oi?). Antes que o prejuízo fosse maior, o próprio dono da loja (!!!) onde a vítima estava fazendo as recargas alertou que talvez o prêmio não existisse. O prejuízo havia sido de R$ 56, fora a vergonha de contar que “caiu no conto do bilhete premiado…”

Pesquisando mais, encontrei um rapaz de Minas Gerais, que chegou a depositar R$ 460 sem desconfiar que se tratava de um golpe. Quando ele finalmente se tocou e alegou que não faria mais recargas, foi ameaçado de morte pelos indivíduos. Outro, em São Paulo, chegou a fazer uma transferência bancária no valor de R$ 2.000 – deve estar até hoje esperando seu carro 0 km.

Ludibriados pela promessa de dinheiro fácil, as vítimas cumprem as ordens dos golpistas.

Sabemos que essas falcatruas contra os cidadãos através dos telefones celulares partem de dentro das cadeias públicas e dos presídios, e esse dinheiro provindo dos golpes serve para sustentar a comunicação lá dentro, gerando outros delitos. Esse tipo de golpe reforça a precariedade da segurança dos presídios brasileiros, onde, sem fiscalização efetiva, a maioria dos presos usam o celular com liberdade. Em uma entrevista realizada pela Rádio Gazeta AM, de Santa Cruz, um preso afirma que “Falamos o dia inteiro e no viva voz. Caminhando no pátio, pegando o banho de sol. Se fôssemos cair, cairíamos pra onde? Já estamos presos. Há 45 anos que existe este presídio e há 45 anos funciona do mesmo jeito.” E o pior é saber que os agentes penitenciários têm plena noção de tudo o que acontece, mas silenciam-se com o dinheiro do próprio tráfico. Como mudar essa realidade atinge o campo do utópico, nosso trabalho como comunicadores é viabilizar mais informação para aqueles “inocentes” que ainda acreditam em dinheiro fácil. Pelo jeito aqueles e-mails informando sobre os mais diversos (e diria até bizarros) golpes que acontecem por ai não são tão inúteis quanto parecem.

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