Cultura / Literatura

A culpa é das estrelas e de minhas lágrimas

“Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais” – Markus Zusak.

Fonte: Livraria Saraiva

Se você acessa redes sociais e está minimamente conectado ao mundo já deve ter ouvido falar do livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green. Você nunca ouviu falar de “A Culpa é das Estrelas”?? Estou meio  chocada, mas não vou te julgar, eu te conto um pouquinho sobre esse livro absolutamente sensacional.

Sabe aqueles livros com milhões de reviravoltas, muita ação, suspense, corridas contra o tempo e grandes vilões que querem ver os mocinhos mortos? Sabe? Pois bem, A Culpa é das Estrelas não é assim. Alguns diriam que o câncer é o grande vilão que quer ver os mocinhos da história mortos, e claro que isso é verdade, mas esse livro não é sobre câncer. É muito mais do que isso. Quer um fato sobre o livro? É uma  história simples.

Espera, quando eu digo simples não é a desmerecendo de forma alguma,  e muito menos dizendo que foi fácil para o autor escrever (todos que se  informam sabem que não foi) e nem que não é uma história importante.  É simples no sentido que flui naturalmente, você não precisa parar um  momento para recapitular as últimas páginas e tentar entender em que  pé a história está, de tantos acontecimentos que tem nela – também não  estou criticando esse tipo de história, gosto dessas também, mas A Culpa  é das Estrelas não é assim. É provável que você tenha que parar em  certos momentos, principalmente da metade para o final, para enxugar  as lágrimas e voltar a respirar normalmente. Markos Zusak, aquele que  falou ali em cima e que escreveu “A Menina que Roubava Livros”, não  mentiu: você ri, você chora (copiosamente) e com certeza quer mais e  mais dessa história.

Então, para situá-lo, caro leitor: em A Culpa é das Estrelas temos a personagem principal, a Hazel. Ela tem câncer na tireóide com metástase nos pulmões, usa uma cânula no nariz e leva o Felipe (seu carrinho de oxigênio) para todos os lugares, porque não consegue respirar sem ele. Seu câncer é terminal e ela sabe disso. Ela conhece Augustus Waters em um grupo de apoio para crianças com câncer. Ele está se recuperando de um osteossarcoma (tumor nos ossos) e não tem uma perna por causa disso; Augustus é um garoto cheio de metáforas e que se apaixona por Hazel. Você achou essa realidade meio triste? E é mesmo, mas A Culpa é das Estrelas não é sobre o câncer.

Olha, meu objetivo aqui não é fazer uma resenha; não sou boa com elas e é só procurar por aí que inúmeras aparecerão; o que eu quero com esse post é mostrar o motivo desse livro merecer ser lido. Quando lemos um livro a história nos atinge de variadas formas: algumas vezes nos fascinamos com o mundo que entramos de tal forma que gostaríamos que fosse real; em outras esse mundo nos fascina, mas não queremos viver nele, porque pode ser um pouco apavorante; em outras só gostaríamos que mais livros sobre isso fossem escritos para que continuássemos viajando na história. Cada um tem uma percepção diferente e é difícil retratar e explicar como isso nos atinge, porque é mito particular, mas nos atinge, isso é um fato. Eu gostaria que o infinito de Hazel e Augustus fosse maior. Eu gostaria que meu pequeno infinito com a história deles fosse maior. Eu gostaria, mais do que nunca, que as pessoas não morressem por causa do câncer, que vidas, amores e sonhos não fossem interrompidos. Mas A Culpa é das Estrelas não é sobre o câncer.

É sobre a vida.

Nesse livro os personagens aprendem a viver com o câncer. Sim, eles não gostam de estar doentes (quem gostaria?) e por vezes se revoltam com isso, mas eles aceitam as coisas que a vida lhes oferece, eles aprendem a ir em busca, na medida do possível, da melhor forma de viver, mesmo que seja por pouco tempo. Eu considero que saí outra pessoa depois de ler A Culpa é das Estrelas. Eu aprendi com a Hazel. Eu aprendi com o Augustus. Eu aprendi a ver muitas coisas com outros olhos, porque esse é um livro simples, mas é também um livro complexo, com assuntos complexos e com possibilidades complexas. Talvez tudo isso não faça sentido para quem não leu, mas começa a fazer sentido depois que se entra na história. Mas um aviso: você vai chorar muito, não tenha dúvida. Você também vai passar dias pensando no livro e na história dos personagens (a chamada ressaca literária). E você vai ver como tudo isso vale a pena.

 

Fonte: Divulgação

A Culpa é das Estrelas foi adaptado para o cinema (estou indo no supermercado hoje comprar algumas caixas de lencinhos de papel) e estreará nas telonas em 05 de junho desse ano. O filme é dirigido por Josh Boone e protagonizado por Shailene Woodley como Hazel e Ansel Elgort como Augustus. Confira abaixo o trailer do filme.

 

 

Vão por mim, leiam.

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8 comentários

  1. Henrique Dellazeri says:

    “O bom da Hazel é o seguinte: quase todo mundo é obcecado por deixar uma marca no mundo. Transmitir um legado. Sobreviver à morte. Todos queremos ser lembrados. […] A Hazel é diferente. Ela anda suavemente sobre a Terra. […] Os verdadeiros heróis, no fim das contas, não são as pessoas que realizam certas coisas; os verdadeiros heróis são as que REPARAM nas coisas”. (p. 280-282)

    • Jaqueline Fofonka says:

      Justamente! A questão com a Hazel é que ela é diferente de outras protagonistas, não sei bem definir como, mas é. Se ela fosse revoltada com a vida ou vivesse se lamentando seria super compreensível considerando a situação dela, mas ela não é assim. Gosto do humor dela e de como ela vê as coisas.

  2. Gabriela Trezzi says:

    Gente, eu achei o livro bem mais ou menos :~ Tava esperando um puuuuta livro, por toda a propaganda que me fizeram, e… blé. Sei lá, não senti tudo isso, sabem? Acho que meu maior problema foi COM A HAZEL. Nooooooooossa, achei tudo nela chato. Fiquei patinando na leitura.

    Só que, obviamente, não consegui parar de chorar no final rs. Fazer o que, né?

    • Jaqueline Fofonka says:

      Haha, sim, acho que as lágrimas no final do livro são um consenso! =P
      Mas normal, cada um vê um livro de um jeito, as histórias nos afetam de formas diferentes mesmo. Talvez o problema pra ti tenha sido a Hazel mesmo, ou talvez a expectativa tenha atrapalhado um pouco, porque quando idealizamos algo de acordo com o que nos dizem geralmente nos decepcionamos. Eu tenho um livro pra ler agora, por exemplo, que uma amiga já disse que se decepcionou, e acaba que eu já tenho essa visão de que o livro vai ser decepcionante, mesmo nem tendo começado ainda. No meu caso, quando decidi comprar e ler “A Culpa é das Estrelas”, eu não tinha muita expectativa; sabia que era uma história boa, que te fazia chorar no final, que teria um filme e sabia de um spoiler do final (como se foge de spoiler na internet?), então pra mim foi uma ótima surpresa. Mas conheço outras pessoas que leram e também não gostaram muito, a história não agradou tanto, normal. (:

      E embora eu adore o estilo da Hazel eu entendo que ela é de um jeito que não tem como agradar todo mundo. É como quando questionam quem os fãs de Harry Potter deixariam vivos se tivessem esse poder; a maioria pouparia o Dumbledore ou o Sirius, mas eu certamente deixaria o Fred. 😛

  3. Manoela Radtke says:

    Fiquei com muuuuuita vontade de ler o livro e assistir o filme depois que discutimos o texto em aula. MAS AÍ, um belo dia, cheguei em casa e encontrei minha mãe que tinha acabado de chegar do cinema após assistir o filme e ela ME CONTOU O FINAL.
    Fiquei muito chateada (pelo final e pelo spoiler), mas ainda pretendo ler hahaha

    Ótimo texto :)

    • Jaqueline Fofonka says:

      Ah não, SPOILER NÃO!! Okay, spoiler é uma droga, haha, mas ainda assim vale a pena ler o livro, vai por mim! :)
      E obrigada!!

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