Cinema / Cultura

“Mas o livro é melhor que o filme” – Oh, stop!

Quem nunca leu um livro imaginando as vozes e aparências dos personagens e sonhando em como seria ver aquela cena épica que está descrita ali? Resposta? Quem nunca leu um livro. Mas esperem, leiam um livro!!

A meu ver, a leitura é algo tão mágico que impulsiona nossa mente a viajar e criar cenas sobre aquilo que lemos de uma forma tão vívida e particular que raramente algo vai conseguir representar fielmente. Isso é um fato e todos já sabem (desculpem o lugar comum aqui), mas querem saber? Estúdios de cinema, continuem adaptando livros!!

“Mas o livro é melhor que o filme” – Eu sei! Acreditem, tenho uma vida baseada em ler livros, comemorar o anúncio das adaptações, concordar e discordar das escolhas dos atores, vibrar loucamente com as fotos que liberam das filmagens, ir super ansiosa assistir o filme na estreia e… amar o filme, mas odiar as modificações. É por isso que eu digo que entendo a revolta, mas sejamos coerentes, não tem como não gostar de um filme que é baseado em um livro que você gosta, por mais absurdas que as mudanças sejam; se seguem minimamente a história já é motivo para gostarmos. Percy Jackson e os Olimpianos é um super exemplo disso, mas volto nisso daqui a pouco.

O ponto é: todos temos que entender que a linguagem literária é bem diferente da cinematográfica. Claro que as super produções que assistimos por aí nos fazem ter a impressão de que o cinema pode fazer tudo, mas é complicado adaptar cada mínimo pedaço de um livro e converter em cenas de um filme. Às vezes algo que dá muito certo para um livro ficaria estranho/feio/bizarro/bleh se retratado visualmente. E infelizmente alguns livros são longos demais para serem totalmente passados para as telonas, e não renderiam dois filmes (alô Harry Potter e a Ordem da Fênix).

Fonte: Sebo Museu do Livro

Não serei hipócrita com vocês: eu fico irritadíssima com algumas mudanças totalmente desnecessárias feitas em algumas adaptações. Percy Jackson e os Olimpianos, como eu disse lá e cima, é um exemplo bem claro disso. O primeiro filme – O Ladrão de Raios – poderia ser bem bom se visto isoladamente, sem o embasamento de um livro, mas como adaptação apresenta um furo atrás do outro na história e irrita profundamente qualquer fã. A sequência – O Mar de Monstros – é bem melhor em termos de fidelidade, mas os consertos que fizeram foram apagados pelo final completamente absurdo. Em resumo: a última notícia que eu tive sobre isso é que o estúdio não pretende fazer o terceiro filme (de uma série de cinco livros!). Minha opinião sobre isso? Eu gostaria de assistir as continuações, porque amo a história, e mesmo que as mudanças sejam bem frustrantes eu gosto que pelo menos parte do que eu imaginei esteja retratado em um filme.

O que eu realmente quero dizer com tudo isso é que devemos levantar as mãos para o céu por termos essas adaptações. Elas dão visibilidade à história, levam mais pessoas a lerem os livros em que são baseadas, nos mostram como as cenas mais top dos livros podem ficar e unem as pessoas que gostam de uma história de uma forma indescritível. É sério isso. Vocês já foram em uma pré-estreia? Daquelas à meia-noite? Bom, momento historinha pessoal, não me matem… Eu fui em duas pré-estreias, dos dois últimos filmes do Harry Potter (<3), e é simplesmente incrível! Além do pessoal que foi assistir o filme com uns cosplays realmente muuito bons (com direito a Snape, Bellatrix e alunos de Hogwarts) a atmosfera é elétrica, indescritível, porque é uma sessão de cinema que só tem pessoas tão fanáticas quanto você! Para vocês terem uma ideia, quando já estávamos na sala de cinema esperando o filme começar uma pessoa apontou para as paredes vermelho e amarela da sala e gritou “O cinema é Grifinória!!” Vocês acharam idiota? A reação de todos na sala foi gritar e concordar, porque é assim que nós somos. E esse é um fenômeno que acontece por causa das adaptações dos livros para os filmes, que reúne as pessoas dessa forma tão única e cria laços; sim, filmes baseados em livros criam laços, mesmo que temporários. [E quando eu digo “nós”, quero dizer pessoas tão absolutamente ligadas à incrível junção de cinema e literatura como eu; em outras palavras, fãs alucinados. Os demais mortais não entendem isso, mas eu sempre vou tentar explicar.]

Mas esperem, temos as adaptações boas também. Em Chamas, segundo livro/filme da trilogia Jogos Vorazes, é uma das melhores adaptações que eu já assisti! E quando digo isso é porque não tenho a pretensão aqui de dizer verdades absolutas sobre as adaptações, e sim mostrar minha visão segundo os livros que eu li e que já foram adaptados. Outro exemplo é Divergente, primeiro livro/filme da trilogia Divergente. O filme é muito bom, e mesmo com as mudanças inevitáveis super vale a pena, porque no geral foi bem fiel também. E sinceramente, eu estava louca para ver como representariam as instalações da Audácia no filme, e adorei! (A saber: Audácia é uma das cinco facções que compõem a sociedade de Divergente)

Não entrarei muito no mérito dos livros que são adaptados para a televisão, mas eles também estão lá, e também têm cenas modificadas e detalhes adicionados ou retirados, mas e daí? Pelo menos eles estão sendo produzidos!! A famosíssima série Game of Thrones é um super exemplo disso, visto que muitas pessoas assistem, e isso por vários motivos: por já terem lido os livros, por todos falarem bem, por querem saber se vale a pena ler os livros ou simplesmente por terem vontade. Seja como for, o importante é que assistem. E para aqueles que têm mais inclinações à literatura, não há dúvidas de que assistir a série acaba estimulando-os a lerem os livros, é assim que funciona. Por falar nisso, quem quer boas razões para assistir Game os Thrones dá uma olhada no post da Bárbara; ele também é filho do Viés e nos dá alguns motivos para assistir GoT.

Esse ano ainda aguardo ansiosa as adaptações de A Esperança – Parte 1 e A Culpa é das Estrelas (já falei um pouco sobre esse livro aqui vale referenciar o próprio post, produção?), e tenho certeza que modificação nenhuma poderá me fazer não gostar dos filmes, porque vou ver (quase) tudo o que li! (Já disse isso? Desculpem, mas é a verdade)

Se vocês não costumam gostar de adaptações ou mais reclamam do que elogiam (porque é sempre mais fácil), experimentem vê-las com outros olhos. Considerem a diferença gritante entre os formatos de um livro e de um filme, considerem os aspectos com que os estúdios de cinema têm que lidar (como tempo de filme, faixa etária e questões de gravação mesmo). Considerem também que por maiores e mais revoltantes que algumas mudanças possam ser ainda assim costuma haver mais semelhança do que diferença, e poxa vida, isso deve ser levado em conta! Considerem também que as adaptações dão visibilidade para a história e que nossa imaginação nunca daria conta das bizarrices da Capital de Panem (Jogos Vorazes) sem o filme. Então sejam legais com as adaptações, elas só querem nos ver felizes (e querem nosso dinheiro também, mas não levaremos isso em conta agora). Assistam esses filmes; assistam depois de terem lido o livro, assistam para se animarem a ler o livro, assistam sem pretensão alguma de ler o livro, assistam legendado, assistam dublado, qualquer coisa, mas assistam e considerem tudo isso. Por falar em dublado, o Henrique fez um post super incrível sobre séries dubladas na TV aberta, vale a pena dar uma conferida (Esse post também é filho do Viés. Mas que coelho!)

E eu? Eu continuarei esperando para ver as adaptações dos livros que eu gosto, continuarei me revoltando com algumas mudanças desnecessárias, mas principalmente continuarei me animando com as adaptações e agradecendo por elas existirem, porque na minha vida de leitora faz diferença.

E vocês, quais adaptações mais gostaram? E quais mais detestaram?

 

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6 comentários

  1. Manoella Amorim says:

    Racionalmente, a gente sabe que é impossível que a história tratada no livro seja igual a do filme, mas é muito frustrante, né? Não adianta, eu sempre fico esperando as mesmas cenas, as mesmas emoções.. #chateada

    • Jaqueline Fofonka says:

      Siiim, é complicado conciliar o emocional com o racional nesses casos, sei bem disso, haha. Eu também sempre fico esperando a máxima fidelidade, sempre vou ao cinema com essa esperança, mas já sabendo também que nunca vai ser 100% fiel. Mesmo assim ainda vale muito que as adaptações sejam feitas, porque pelo menos parte de tudo o que passamos lendo os livros vai ser retratado. *__*

  2. Texto genial! Concordo demais com teu ponto de vista, e lendo o post lembrei do filme Marley e Eu, que ao meu ver é uma excelente adaptação.

    • Jaqueline Fofonka says:

      Obrigada!! *_*
      Nossa, agora me toquei que nunca li Marley e Eu, só vi o filme. o.O Mas vale saber que a adaptação é boa, já vai pra minha lista também!

  3. Katiele Klering says:

    Super concordo contigo, Jaque! Eu não costumo ler muito, mas amo e fico ansiosa quando anunciam a adaptação pro cinema de um livro que eu li e gostei. Um bom exemplo é A Menina Que Roubava Livros, amo o livro e amei o filme. Achei uma adaptação bem fiel, e cada cena parecia melhor ainda do que eu tinha imaginado. :)

    • Jaqueline Fofonka says:

      Ai eu amo quando isso acontece! Porque mesmo que tenha algumas diferenças parece que as partes fieis acabam quase sempre sendo ainda melhor do que imaginamos, e é por isso que mesmo com modificações as adaptações super valem a pena. 😀

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