Moda / TV

Um outro olhar para a moda na TV

O canal de TV por assinatura Discovery Home & Health apresenta programas relacionados à construção/boa manutenção da sua moradia e dicas de alimentação e exercícios físicos (com direito a posições de Yoga nos intervalos). Não apenas estes, mas os programas de comportamento também merecem reflexão. Por mais que a ideia da existência de tais atrações seja ajudar e inspirar as pessoas a adquirirem bons hábitos de vida, alguma humilhação e muito exagero não estariam presentes nestes programas?

A dupla Stacy London e Clinton Kelly, do What Not to Wear (Esquadrão da Moda). Foto: FashionQandA.com

Há quem defenda que um tanto de humilhação se faz necessária, afinal, sem ela não teria tanta graça. É o caso dos programas Esquadrão da Moda10 Anos Mais Jovem. No primeiro, os consultores de moda e apresentadores até procuram ensinar a “vítima”, dando orientações de como escolher roupas e sapatos que harmonizem com seu corpo, mas não sem aqueles comentários debochados básicos. No segundo, a pessoa que deseja uma transformação é levada a uma cabine de vidro em plena rua e desconhecidos que por ali passam dão suas impressões – nem sempre com delicadeza ou bom senso.

Ambos os programas têm versões brasileiras, exibidas pelo SBT. O modus operandi não muda muito, mas os termos ficam mais pesados (os apresentadores do Esquadrão são muito criticados pela postura arrogante), além das situações irreais. Exemplo de um episódio antigo: como manter impecavelmente bem-vestida uma dona de casa simples que cuida de flores, em contato direto com a terra?

O que reforça ainda mais essa parada para reflexão é que, no Esquadrão da Moda brasileiro, são os maridos e namorados (isso mesmo) das mulheres que indicam a participação delas no programa. Alguns exemplos desse machismo nas descrições aqui e aqui.

Indicações dos companheiros também existem nas versões não brasileiras dos programas citados e em outros programas similares. A questão é que o velho ditado “a primeira impressão é a que fica” está sendo levado a sério demais e de modo forçado por atrações como essas. Roupas bonitas são sonhos de consumo e levantam o ego e a autoestima da maioria das mulheres, mas o estilo de uma roupa não é necessariamente o traço principal da personalidade. Ou seja, a padronização e a vaidade imposta ganham espaço como novos valores em um programa de TV.

Isabella Fiorentino e Arlindo Grund, apresentadores do Esquadrão da Moda no Brasil. Foto: Alessandra Gerzoschkowitz/UOL

A moda é um negócio que movimenta a economia e garante trabalho e renda para muitas pessoas. Noções de roupas adequadas para o seu estilo e tipo de corpo são interessantes e, como mencionam Stacy e Clinton, muito do bem-vestir está relacionado ao sentir-se bem e confiante. Mas é importante deixar claro que moda não é prioridade absoluta para todas as pessoas, e isso deve ser respeitado. Algumas situações exigem certa formalidade no vestuário, é verdade, mas não é a maneira de se vestir que vai mudar sua essência. Apenas o bom senso.

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