Política

A dança das cadeiras no Planalto continua

O novo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e o atual, Paulo Sérgio Passos, durante transmissão de cargo na sede do Ministério (Foto: Renato Araujo, Agência Brasil)

Na tarde de quarta-feira, 6 de junho, mais um ministro dançou. Dessa vez, Alfredo Nascimento, Ministro dos Transportes. Loteado pelo Partido da República (PR), alvo de denúncias da revista Veja no início deste mês, o ministério será comandado, interinamente, por Paulo Passos, secretário-executivo da pasta.

A gota d’água foi uma série de denúncias apresentadas pelo jornal O Globo, e não esclarecidas por Nascimento. Nelas, o periódico carioca aponta o enriquecimento ilícito de Gustavo Morais Pereira, arquiteto, filho do ministro. Segundo a reportagem, a Forma construções, uma das empresas de Gustavo, dois anos após ser criada com um capital de R$ 60 mil, alcançou o impressionante patrimônio de R$ 50 milhões.

Denúncias e afastamentos

A revista Veja denunciou, dia 2 de junho, que representantes do PR estavam recebendo propinas por meio de empreiteiras. Ainda, de acordo com a reportagem da revista, a presidente Dilma Rousseff tinha se reunido com Nascimento a fim de pedir providencias em relação a aditivos de obras geridas pela pasta.

Na tentativa de manter o PR – que possui 40 das 513 cadeiras na Câmara, e 6 das 81 do Senado – na base do governo, a mandatária afirmou confiar no ex-ministro. Mas o golpe foi muito forte e, logo em seguida, foram afastados o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, o chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa da Silva, o assessor do gabinete, Luís Tito Bonvini, e o diretor-presidente da Valec (órgão responsável pelas ferrovias), José Francisco das Neves.

Segundo ministro a sair do governo Dilma sob suspeitas de corrupção, o Ministério dos Transportes divulgou, em nota, que “com a determinação de colaborar espontaneamente para o esclarecimento cabal das suspeitas levantadas em torno da atuação do Ministério dos Transportes, Alfredo Nascimento também decidiu encaminhar requerimento à Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de investigação e autorizando a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal. O senador está à disposição da PGR para prestar a colaboração que for necessária à elucidação dos fatos”.

Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira, a saíde de Nascimento da pasta não pode cessar a investigação.
– Há fortes indícios de que há um mensalão no Ministério dos Transportes e a saída do ministro não pode ser um ponto final na história – disse Nogueira.

Se o fizer, se colaborar, mostrará ao País que o loteamento de cargos em troca de apoio – expediente político democraticamente globalizado – custa muito, muito caro.

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