Política

É hora de avaliar a eficácia das greves

Em 26 de setembro, escrevi aqui que as manifestações haviam deixado às ruas para invadir a rede. É notória a baixa adesão da população brasileira a movimentos que se propõem a bater sinetas e panelas ou cruzar os braços. Na sexta-feira passada, 18 de novembro, o Cpers/Sindicato deflagrou uma greve dos professores estaduais gaúchos e, nos dias que seguiram o ato, a sociedade pôde acompanhar a greve fadada ao fracasso.

Digo isso porque, de acordo com levantamento feito por Zero Hora no primeiro dia da greve, segunda-feira, 21 de novembro, apenas 8,6% dos professores pararam nos 15 maiores municípios do Estado.  No mesmo dia, a avaliação do secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, era que o universo de professores que aderiram à paralisação não passava de 5%. Conforme informações divulgadas pela Rádio Gaúcha nesta quarta-feira, 23 de novembro, o Colégio Júlio de Castilhos passou a apoiar a greve. Apesar de a instituição ter peso político e uma história de resistência à ditadura, em número de professores, não houve grande ganho para o Cpers.

O sindicato tem todo o direito de reivindicar. E a exigência para que o governo cumpra o pagamento do piso do magistério, estabelecido em 2008, é totalmente justa. Acontece que, segundo representantes da administração Tarso Genro, não há recursos para que isso seja feito imediatamente. O estopim para o início da paralisação foram as mudanças no currículo do Ensino Médio.

Em um post do dia 3 de outubro, abordei a defasagem nas estratégias do movimento estudantil em conquistar novos adeptos. Mas essas idéias valem também para os movimentos sociais e sindicais. Além da adesão dos professores à greve ter sido baixa, a assembléia não conseguiu lotar o Gigantinho, que outrora fervilhava quando os professores eram chamados a bater sineta em frente ao Palácio Piratini.

Não seria a hora da direção do Cpers, com os filiados, avaliar as estratégias de luta? Quanto ao piso nacional, o governador Tarso Genro, o secretário da Casa Civil Carlos Pestana e o secretário da Educação Jose Clovis já disseram que é impossível cumprir neste momento (mas prometem fazer isso até 2014). Então, a greve minguada só está servindo para distanciar a categoria do Cpers. Este também ganha antipatia de pais e alunos por decidir suspender as aulas no fim do ano letivo, causando transtornos para vestibulandos e famílias com férias programadas.

1 comentário

  1. Acho mesmo que uma nova estratégia de luta deve ser formulada, mas antes disso as discussões a respeito dos movimentos ainda são fundamentais para o espírito crítico e para a adesão dos interessados ou não.
    Porém, não consigo visualizar que outra forma poderia ser esta.
    Quanto anos números de grevistas, não costumo utilizar os dados da imprensa aberta para avaliar adesão aos eventos, por experiência própria sei que estes números costumam não corresponder a realidade, até como forma de enfraquecer o movimento.

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