Política

Legalize já

Foto retirada de:http://www.growroom.net/

A discussão acerca da legalização, ou não, do consumo de maconha divide opiniões e gera debates acirrados, isso não é novidade.  Entretanto, na maior parte das vezes não se discute nada além do senso comum, ignorando muitos aspectos históricos, culturais e científicos sobre a erva.

Muitas vezes, quem é contra a descriminalização e legalização da planta utiliza argumentos supostamente ligados a saúde e aos problemas sociais, associando a droga a comportamentos inadequados. Essa argumentação se mostra fraca se considerarmos os efeitos do cigarro e do álcool, legalizados, no corpo humano e na sociedade. Além disso, consumimos diariamente uma grande quantidade de produtos (ex. alimentos e cosméticos) nada saudáveis, que chegam até nós através de propagandas e promoções desonestas e com componentes que podem causar um certo grau de dependência.

Estatísticas

Um estudo realizado pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) revela que o Brasil gasta em torno de R$ 21 bilhões no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro. O estudo mostra também que o tabagismo é responsável direto por cerca de 13% das mortes no País.

Segundo a OMS, entre as principais causas de morte no Brasil estão: doenças cardiovasculares, violência, acidentes de trânsito, doenças respiratórias, tumores e doenças endócrinas nutricionais e metabólicas (ex: diabetes).

O uso de bebidas alcoólicas frequentemente aparece relacionado com acidentes de trânsito e casos de violência. O cigarro é um grande causador, ou agravador, de doenças respiratórias e cardiovasculares. O consumo de fast-food e outros alimentos industrializados com excesso de gorduras e açúcares, está associado ao surgimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo II,  além da obesidade.

Então, porque a mesma sociedade que aceita o álcool, o cigarro e o McDonald’s insiste em criminalizar a maconha? O que está por trás dessa resistência contra a revisão da legislação com relação a planta?

Foto retirada de: http://noticias.band.uol.com.br/

Um histórico social-político

A marginalização da Cannabis é histórica. No começo do século XX a erva era consumida por imigrantes mal vistos e marginalizados em muitos países do ocidente (árabes, chineses, mexicanos e negros). No Brasil, por exemplo,  não havia proibições contra a marijuana nesse período, no entanto, era mal vista devido a sua utilização pelos negros em terreiros de candomblé, e pela sua importância dentro da religião e da cultura dessas pessoas. Era preconceituosamente designada como “coisa de negro”. Na Europa, ela era associada aos imigrantes árabes e indianos e aos “incômodos” intelectuais boêmios. Nos Estados Unidos havia um número crescente de usuários mexicanos e posteriormente passou a ser associada aos músicos de jazz. Apesar do preconceito das classes dominantes, a planta tinha uma grande importância econômica na produção de remédios, papel e tecidos.  Inclusive, a empresa Ford estava desenvolvendo combustíveis e plásticos feitos a partir do óleo da semente de maconha.

Mitos

Essa marginalização baseada em preconceitos étnicos aliada a nossa educação judaico-cristã, que prega contra qualquer prazer sem sacrifício, acabaram criando muitos mitos sobre a droga, relacionando-a com promiscuidade, criminalidade  e demais condutas socialmente reprováveis, além de supostamente provocar doenças mentais. Não há nenhuma comprovação científica de que o uso da substância esteja relacionado diretamente com esse tipo de comportamento. Segundo alguns estudos, é possível que seu uso piore as crises de esquizofrenia em pessoas predispostas a desenvolverem o problema, mas nada indica que a erva leve à doença. Comparando seus efeitos com os efeitos do álcool, o segundo está muito mais relacionado a sexo sem proteção, comportamento agressivo e desagradável.

Outro problema apontado pelos contrários a droga, é que a maconha supostamente levaria ao uso de drogas mais pesadas. Muitas pessoas começam com a maconha e passam para outras drogas mais pesadas e altamente prejudiciais como cocaína, LSD, crack e heroína, contudo a grande maioria dos usuários não faz uso dessas outras substâncias. Essa não é uma justificativa coerente para sua proibição. Alguns países, com sucesso, usaram esse argumento para sua regulamentação, a fim de separá-la do “mundo das drogas” e controlar sua venda e seu consumo, é o caso da Holanda e do Uruguai.

Dependência

Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha. Essas taxas são menos que a metade das taxas para álcool e tabaco. Ainda assim, essa estatística é discutível, visto que grande parte das vezes a dependência da maconha é psicológica e não física, uma “válvula de escape”.

Benefícios

Nenhum estudo significativo, que eu conheça, aponta para benefícios do uso recreativo da maconha. Entretanto, a erva está sendo estudada para ajudar no alívio da dor e no tratamento de muitas doenças como: câncer, aids, glaucoma, esclerose múltipla e ansiedade.

Foto retirada de: Wikipédia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Seria leviano afirmar que a maconha é inofensiva, mas não há comprovações e estatísticas sobre nenhum dano grave causado por ela. Estudos apontam que ela pode sim ser prejudicial, mas que seus malefícios são poucos, ela é mais prejudicial em casos de uso extremo ou de uso entre crianças e adolescentes (mais um ponto a favor da regulamentação para legalizar e controlar sua venda). Ainda assim, todos os estudos que comparam os malefícios do abuso de cannabis com o abuso de álcool e cigarro são taxativos: álcool e cigarros são muito mais prejudiciais. Os números sobre dependência química e/ou psicológica seguem o mesmo caminho, sendo muito baixos para a maconha.

Ainda há muitas dúvidas sobre os benefícios e malefícios da cannabis, muitos estudos estão sendo feitos. Muitos mitos já foram quebrados, como a suposta morte dos neurônios. Mas o principal motivo que dificulta a revisão de uma legislação sobre o tema não está relacionado com fundamentos científicos e preocupações com a saúde da população. As principais questões são culturais, de uma marginalização que vem de muito tempo, e econômicas, dos interesses de empresas poderosas, de bebidas e cigarros, que não aceitariam discutir alguns detalhes sobre a saúde dos usuários.

 

Para finalizar:

“Legalize já, legalize já

Porque uma erva natural não pode te prejudicar

O álcool mata bancado pelo código penal

Onde quem fuma maconha é que é o marginal

E por que não legalizar? E por que não legalizar?

Estão ganhando dinheiro e vendo o povo se matar

Tendo que viver escondido no submundo

Tratado como pilantra, safado, vagabundo

Por fumar uma erva fumada em todo mundo”

Legalize Já –  Planet Hemp

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