Política

Você sabe em qual Serenata Redenção você foi?

Desde junho de 2012, houve algumas edições de sucesso da Serenata Redenção Iluminada por velas e afins, todas com uma essência em comum, mas você sabe o que difere entre elas? Inclusive com objetivos globais e promotores diferente? Na última edição eu foi ver o Guri da Gaita, e você?

 

Em primeiro plano, um grupo de amigos sentados no chão em forma de ciclo iluminados a luz de vela e afins. Ao fundo, diversos outros grupos em situação semelhantes, com instrumentos musicais e afins. Todos espalhados em frente ao Monumento ao Expedicionário, Parque Redenção Porto Alegre.

Fonte: Adriana Franciosi / Agencia RBS

 

O final de tarde em um sábado usualmente planeja-se qual será a programação da respectiva noite, e procura-se saber onde a maior parte dos seus amigos irão para compartilhar da alegria de mais um “findi” na capital dos gaúchos. Dentro do meu círculo, percebi uma movimentação diferente. Não havia nenhuma casa noturna em mente, tampouco especulava-se a “junção” na casa de quaisquer um de nós. O pensamento presente era irmos a uma tal serenata que já estava acontecendo na Redenção, e, mais, não poderíamos perder um guri que toca gaita…

 

Eu tinha certo conhecimento dessa ação, contudo não tinha participado de nenhuma das edições anteriores. O sentido superficial já servira de motivação suficiente para nos mobilizar em fazer parte de um momento de construção histórica da nossa cidade: Ocupar um espaço público como forma de protesto pacífico, cuja carência de segurança e iluminação noturna impedem o seu uso de forma permanente por parte da comunidade.

 

Fui motivado por amigos, mas ao redigir esse texto percebi que eu também tinha sido “convocado” via evento promovido através da rede social Facebook. Nesse ponto inicia-se uma série de interrogações. Fiquei interessado em saber se havia algum tipo de organização, por menor que fosse. Quem eram seus idealizadores? Havia alguma avaliação de sucesso e/ou fracasso? Como eram pensadas as datas de suas realizações? Se havia alguma forma de registro da presença da comunidade local e/ou simpatizantes que ali estariam como forma de apoio a uma causa maior? … Uma série de perguntas, talvez muito mais por hábito acadêmico de um aspirante a relações públicas.

 

Assim como já se descrevia na proposta o evento, a palavra-chave era autorregulação. Cada um seria responsável por sua comida, por seus instrumentos musicais…, bem como cada um, por seu lixo.

 

Cheguei ao evento com mais três amigos. O mais entusiasta deles estava interessado em saber se o guri da gaita já havia tocado. Era por volta das 21h. A imagem que se visualizava no horizonte próximo – entre o Chafariz da Redenção e o Monumento ao Expedicionário era linda, exemplar para um movimento de protesto. Esse espaço estava tomado por pessoas sentadas em suas cangas e afins. Eram círculos de todos os tamanhos, ilhas de pessoas congregando de forma pacífica a tomada de um espaço público que sempre fora seus por direito. Pipocavam de um canto a outro pequenos talentos musicais com seus violões, além de outros instrumentos de percussão.

 

Ao passo que chegaram outros amigos mais ao meu pequeno grupo, assistíamos ao Guri da Gaita. Não havia palco ou qualquer lugar predeterminado para uma apresentação. O tablado podia ser qualquer lugar de onde poderia emergir um  talento capaz de despertar a atenção dos que estivessem no seu entorno. O Guri da Gaita assim emergiu na humildade de seu cenário pela potencia da sua voz e com a paixão da qual o fazia tocar sua Gaita. O nome desse talento é Philipe  Philippsen (http://contato.ms/4sq), e seu repertório foi de Katy Perry, Amy Whinehouse, Village People. Acompanhado por sua gaita e ocupando uma parte pequeno de uns dos bancos próximos, uma breve e intense arena de pessoas se aproximaram para ouvir e dançar ao som da potencia de sua voz sem microfone.

 

 

Guri da Gaita sentado em banco do Parque da Redenção. Início do pokcet show.

Fonte: Adriana Franciosi / Agencia RBSiframe>

 

 

Atrevo-me a indicar esse vídeo – mesmo não tenha sido gravado durante a última serenata – ilustra uma coletânea de seu talento ao longo de 18min17s. Cabe a você decidir o quanto precisa ouví-lo para, sem compromisso algum, se impressionar com a alegria de sua música.

 

 

Assim se sucedeu outras rodas de músicos ao largo dessa tomada pública de um espaço que sempre fora seu, mas que, ao menos naquela noite, não seria dividida com o medo e com a angustia da insegurança. A tomada desse espaço público foi um sucesso. Ao menos naquela noite não haveria quaisquer riscos de violência social. Naquela noite – talvez poucos com o mesmo “cacuete” como o meu –, não se questionava quem caberia a responsabilidade daquela mobilização, ninguém se questionava se o evento havia alcançado o objetivo esperado, e, tampouco, se o alcance de seu impacto atingiu os seus respectivos públicos de interesse.

 

Diluiu-se na raiz histórica da Serenata Iluminada na Redenção a sua origem. Seu embrião remonta a data de 18 de maio de 2012, data em que Renata Beck (http://contato.ms/4sr)  posto na plataforma colaborativa Porto Alegre.CC (http://contato.ms/4ss)  – ao típico modelo Wikipédia, por sua composição voluntária de seus integrante –, cuja essência primeira era, de fato, a ocupação do espaço público como forma de protesto em prol de uma iluminação adequada e o seu respectivo usufruto durante as 24h do dia, pelos 7 dias da semana. Essa plataforma colaborativa é composta por entidades pertencentes aos três setores da sociedade civil gaúcha. Um deles é a própria Prefeitura de Porto Alegre, como co-realizador.

 

Sua primeira edição aconteceu em 1º de junho de 2012, reuniu número expressivo de 2.000 pessoas, segundo organizadores, e em uma edição junina, em 23 de junho de 2012 cujo título era Serenata Junina Iluminada, reuniu cerca de 4.000 mil pessoas. Já, para a “fan page” do Porto Alegre.CC (http://contato.ms/4st), considera-se como segunda edição da Serenata Redenção Iluminada a que ocorreu em 08 de junho de 2013 – com a confirmação registrada via evento no Facebook de 10.000 pessoas.

 

Talvez o que poucos ainda não saibam, é que esse evento fora capitalizado pela atual gestão da Prefeitura de Porto Alegre para inferir como marco de discussão para um projeto de lei intitulado Código de Convivência Urbana (http://contato.ms/4su).  Algo que, ao menos no último evento realizado não houve qualquer menção ou espaço para debate e/ou informação quanto ao tema.

 

Íntegra do projeto via link no wordpress: http://contato.ms/4sv

 

Mas há uma explicação muito simples: os organizadores do evento Serenata Iluminada da Liberdade – nossa, são tantas variações para um “mesmo ato” –, foi organizada pela “fan page” do movimento Porto Alegre .cecê (http://contato.ms/4sw), com origem totalmente oposta e, de certo modo, ainda obscura para quem foi a esse tipo de protesto pacífico para reivindicar apropriação e uso seguro de um bem que é público. Pode-se inferir como gesto de pura paródia em relação ao que representa a instituição da Wikicidade Porto Alegre.CC, em que em sua composição está a participação de diferentes setores da sociedade civil.

 

 

Recorte de Reportagens de Cobertura da Zero Hora Online

Serenata Redenção em Mosaico de Reportagens

 

 

Talvez o que muitos não sabiam é que esse evento estava imbuído de um sentimento de protesto contra os 50 anos da Ditadura Militar. Esse protesto possui igual legitimidade quanto a reivindicação primeira de segurança, sentimento esse que tangencia ambos eventos, mas por que não torna as diferenças mais evidentes? A quem interessa essa “in”transparência sutil?

Fato: em reportagem do jornal Zero Hora em sua versão online, o que registra-se é que após Serenata Iluminada, a redenção acorda na última manhã de domingo em meio a sujeira deixada por seus manifestantes.

 

Reflexões aqui expostas foram motivadas pelos questionamentos políticos suscitados no blog “Penso que penso, logo desisto…” em http://contato.ms/4sx, cuja base serve de esqueleto para a questão suscitada nesse post.

 

Ilhas de pessoas iluminadas a luz de velas e afins.Palco improvisado pelo Guri da GaitaSerenata Redenção em Mosaico de Reportagens
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1 comentário

  1. gabriela.trezzi says:

    A Serenata é uma ideia muito massa, mesmo. O que me deixou chateada depois da última edição foram algumas fotos que saíram da Redenção no dia seguinte.

    Essa é uma foto pós-Serenata: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=807602965935670&set=gm.771872869492317&type=1&theater

    Chato, né?

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