Gastronomia / Variedades

Em cima do muro e quase caindo: Vegetarianos X Carnívoros

Fonte: Stock.XCHNG

 

O apelo cada vez maior (ainda bem) por uma vida sustentável e saudável também implica, contudo, na máxima do ‘8 ou 80’. Embora essa discussão venha desde as revoluções culturais das décadas de ’60 e ’70, temos que admitir que o processo é lento, ou seja, não se é lá ou cá, pelo menos não para todos.

Hoje, talvez devido à campanha de que todos têm voz, emissor e receptor se confundem e trocam informações e o poder na mídia está nas mãos do povo, etc. Nos é cobrado um posicionamento sobre tudo.
Bom que pedem nossa opinião.
Com tudo isso vem a exigência de que você escolha um lado e tenha sempre as informações necessárias para assumir uma posição e defendê-la.
Bom também.
Mas e se você não tem nenhum problema com estar em cima do muro? Acredite, é bem largo lá, cabe um monte de nós!

Eis aqui uma discussão em que essa premissa pode se encaixar, e essa que vos fala a viveu:
Vegetarianos X Carnívoros.

Ao que parece, você não pode escolher apenas diminuir seu consumo de carne. Ou você segue ou você para.
Seus amigos e sua família podem e vão se unir para te puxar para um dos lados do muro – analogia essa que me pareceu ser mais tangível do que eu imaginava. Algumas pessoas irão sim escolher seus círculos de acordo com o que as pessoas comem! E me pareceu algo inconsciente, talvez surja de frequentar lugares (bares, restaurantes, lanchonetes), ou sites e blogs sobre tais assuntos ou, diretamente, nas conversas sobre questões relacionadas.
Enfim, você é aquilo que você come, pode-se dizer nesse caso.

Mas para ficar mais um pouquinho em cima do muro: não vamos generalizar, nem todo mundo liga pra isso!

Porém uma coisa me chamou atenção: não foram os vegetarianos que mais tentaram me puxar para seu lado do muro. Com toda a ideologia que essa escolha pode inspirar, é de se achar que eles trariam motivos e soluções. Então o que me surpreendeu foi ver os carnívoros (!!) me listando os motivos pelos quais eu não deveria nem mesmo diminuir meu consumo! Ou seja, embora não se veja por aí ou não se possa estruturar uma ideologia para os consumidores de carne, mesmo sendo uma maioria, principalmente no sul do Brasil, pelo menos três pessoas diferentes me chamaram do lado para ‘conversar’ sobre isso.

Ao que parece, seus pais (gaúchos, do interior…) podem te chamar para assistir uma carne sendo salgada para o churrasco de domingo e te explicar que seus antepassados comeram isso a vida toda e todo mundo morreu de velho. Seus amigos podem te alertar que diminuir o consumo de uma substância assim do nada pode te deixar em estado vegetativo e outros podem dizer que você estragou os planos do fim de semana já que você não come mais hambúrguer! Enquanto uma amiga sua, vegetariana por questões ‘naturais’ e não ideológicas (só não aprecia o gosto mesmo) pode te dar dicas de alguns pratos que continuarão gostosos e divertidos mesmo sem a carne, ou mais especificamente, a carne vermelha.

De tudo isso, apenas posso afirmar que continuo consumindo carne, só que em menor quantidade! Não é difícil e está fazendo bem, que é o que importa. Família e amigos se acostumam. E saúde não tem a ver apenas com questões biológicas e componentes químicos, desculpem (ou não) se pode soar piegas, mas também ter a ver com felicidade, ou mais objetivamente, com as sensações que este ou aquele sabor te trazem. Você se adapta à escolha que fez e ninguém está te obrigando a nada ou te supervisionando. Ou seja, se é livre, também, para ficar em cima do muro. Toda escolha deve ser feita ponderando o que é saudável para ti e para tua sociedade ou planeta. De qualquer forma, você começa ou para quando bem quiser e se você paga pela sua comida, ninguém tem nada a ver com isso.

Bon Appétit

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