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Filosofia de Bar: Viagem no tempo

Doc e Marty, em De Volta para o Futuro

Doc e Marty, em De Volta para o Futuro

Que todos temos nossos devaneios, ninguém pode negar. Alguns deles podem ser mais profundos que outros, mas são devaneios, invariavelmente. São bons assuntos para se conversar numa roda de amigos pois têm muito pano pra manga.

Obviamente, esses devaneios surgem a qualquer momento: o meu de hoje surgiu durante o banho, momento em que as idéias brotam como gotas no chuveiro. A grande questão gira em torno de viagem no tempo. Sim, eu falei que era devaneio. Não se surpreenda se voltarmos 30 anos no passado e depois irmos 60 no futuro.

Sempre fui fã da trilogia De Volta para o Futuro, mas sempre tive minhas dúvidas a respeito da concepção de viagem apresentada ali. Pra pensar nisso, basta apenas nos munirmos de lógica e pisarmos no acelerador até chegarmos às 88 milhas por hora necessárias para a viagem. A idéia é a seguinte: para mim, as consequências de uma viagem com o fim de mudar história são completamente desastrosas para o viajante do tempo. Por quê? Pelo simples fato de que ao completar sua missão, a mesma já não existe em sua linha de tempo normal, causando uma fissura no universo, na qual o viajante fica preso pra sempre na nova linha de tempo que criou. Confuso? Calma lá, vou esmiuçar.

If my calculations are correct, when this baby hits eighty-eight miles per hour… you’re gonna see some serious shit. – Doc Brown

Inventemos uma missão de pequena importância para um personagem qualquer: João quer evitar o sequestro de seu melhor amigo, que aconteceu há 1 ano. Ele volta no tempo e completa sua missão, salvando seu amigo do sequestro. E agora? João volta para o presente e continua vivendo normalmente, sabendo que seu amigo nunca foi sequestrado? Difícil e pouco pensado, pois no momento em que completou sua missão no passado, sua motivação deixa de existir no presente.

Ao completar sua missão, João cria uma nova linha de tempo, à qual não pertence. Por viagem no tempo ser somente para trás e para frente, se João viajar de volta à sua época, encontrará outro de si, vivendo as mudanças que João causou no passado, mas nunca encontrará o momento em que viajou ao passado, pois esse momento pertence agora a outra linha de tempo, à qual não tem mais acesso. João estará preso para sempre nessa nova linha de tempo. Além disso, na sua linha de tempo original, João desaparece no momento em que viaja ao passado, deixando de viver naquela linha de tempo… provavelmente sua família achará que morreu, ou algo do gênero, quando na verdade, ele está preso em outra linha, outra realidade.

As linhas de tempo de De Volta para o Futuro. Coerentes?

Acontecimentos externos a si até podem ser “fáceis” de se imaginar, porém, se dermos a João algum tipo de deficiência, a coisa complica. Digamos que João é cego e volta no tempo com a missão de evitar o acidente que causou sua cegueira, há 10 anos atrás. Simples, correto? João completa sua missão e impede que seu ‘eu’ passado fique cego.  O que acontece com o João, cego, do presente, no momento em que o motivo para viagem deixa de existir, quando o acidente não acontece mais? Ele começa a enxergar? Se sim, também deveria desaparecer do momento do término da missão e reaparecer no presente, mas não é assim que isso funciona. Esse pra mim é o caso mais difícil de ser pensado, pois se João evita o acidente, não há motivo para voltar, pois não está mais cego. A cegueira do João viajante-do-tempo é curada na hora do término da missão? Se sim, ele ficará preso na nova linha de tempo, de qualquer forma.

Assim, independente da missão ser para si ou para outros, uma nova linha de tempo seria criada, causando o viajante a ficar preso numa nova realidade. Como eu disse antes, viagem no tempo é linear, não transversal.

Não sei, mas acho que estou deixando todos tontos com tanta indagação. Agora provavelmente entenderam o título desse post. Seria legal se todos dessem suas contribuições para que possamos chegar a alguma conclusão. Se ninguém quiser, tudo bem, a gente pede mais umas polentinhas com queijo e continua nessa mesa de bar, viajando!

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4 comentários

  1. Cara, eu penso um pouco diferente. Vamos pegar o caso do João cego: ele nasceu, cresceu, sofreu o acidente, está cego desde então, ele descobre uma máquina do tempo e volta ao momento do acidente e o impede. Daí, se cria uma segunda linha do tempo, onde João não fica cego e passa a viver a sua vida normalmente, mas o João-viajante-do-tempo continuaria cego, pois o passado dele ninguém tira, a linha do tempo dele “fez um loop”, mas o passado dele aconteceu e ponto, isso não vai mudar. Agora eu te questiono pq ele não poderia escolher qual linha do tempo viajar, se ele for consciente das linhas existentes? Acho que vc pensa no tempo linearmente, e isso trás problemas, como o assassinato do avô: se vc volta no tempo e mata o seu avô, seu pai nunca nascerá, mto menos vc! Acho que estamos falando de teorias diferentes…
    Agora cadê o garçom com as aquelas polentinhas? hahahaha

  2. Eis um assunto que me agrada e muito! Viagens no tempo. Eu tinha apenas 5 anos quando Marty McFly acelerou o Delorean pela primeira vez. Assisti no cinema a parte 3 da trilogia, e desde lá, este assunto é motivo pra intermináveis debates.

    Assim como o André, penso um pouco diferente. Para mim, viagem ao passado com mudanças nos acontecimentos se torna um paradoxo.

    Vejamos. Pegando o caso do João cego… se ele volta no tempo e cura sua cegueira, concordamos que o motivo da volta ao passado deixa de existir.

    Aí é que começo a discordar. Não sou adepto da teoria que se cria outra linha de tempo. Para mim, a partir do momento da cura se inicia um ‘loop’ sem fim já que ele não é mais cego, portanto não voltou no tempo, portanto não se curou da cegueira, etc, etc, etc…

    Bueno.. a discussão é longa… que siga o debate (e pode baixar mais umas polentas com queijo pra mim tb!!)

  3. Há várias teorias sobre viagens no tempo. Essa das linhas do De Volta Para o Futuro tem o problema do paradoxo do avô, que o André citou. Se tu matar o teu avô, teu pai não nasce e nem tu, logo tu não pode viajar no tempo e matar o teu avô, porque tu não existe. Creio que esses problemas que tu colocaste, o do seqüestro e o da cegueira, se encaixam nesse paradoxo. O mesmo acontece no filme. Há certas ações que causam conseqüências sérias. Se o Marty tivesse impedido que os pais dele se casassem, ele desapareceria. Mas aí como diabos ele voltaria no tempo?! Acho que a explicação é essa dos desvios na linha de tempo. Em uma linha ele realmente existiu, mas quando voltou no tempo desapareceu e criou uma nova linha.

    MAS…
    A teoria mais aceita é a mesma utilizada em LOST e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Elas resolvem o paradoxo da seguinte forma: “whatever happened, happened”, ou seja, não é possível alterar nada. Se tu voltar ao passado e tentar matar o teu avô, não vai acontecer porque o teu avô viveu, teu pai também e tu também. A tua viagem no tempo sempre existiu e a tua tentativa de matar o teu avô também, mas tu falhou de alguma forma e todos viveram. Qualquer ação que tu realize no passado, depois de viajar no tempo, já aconteceu. :)

  4. O Paradoxo do Avô não existe! A viagem no tempo sim! Todas as vezes em que se viaja no tempo, o viajante irá para uma outra linha temporal onde essa variável é possível e está quantificada, sendo assim se um viajante voltar e matar o pai, avô ou outro que seja, essa mudança ocorrerá apenas na linha de tempo em que está inserido e não a de origem, que continua imutável. Isso explica a teoria dos multiversos (não confundir com universos paralelos). Em alguma linha de tempo específica (são infinitas variáveis) nossos sonhos se realizam! Leiam Mar Profundo de Edward Warrior.

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