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A arte de “botecar” em Belo Horizonte

Petiscos mineiros também enchem os olhos

“A nossa cervejinha é sagrada no final do dia. Aqui todo mundo gosta demais de boteco, uai. Você vai ver”. E assim seguiu o meu primeiro diálogo com um mineiro, ainda dentro do táxi no trajeto Confins-Centro de BH. Eu ainda não sabia, mas o taxista, naquele momento, fazia um prenúncio de que eu sairia daquela cidade sabendo que boteco é muito mais do que batatas fritas e chopp Brahma.

Ainda antes de chegar ao meu destino, tive o cuidado de anotar mentalmente o bairro indicado pelo taxista como sendo o melhor ponto para apreciar as cachaças e culinária mineira: Savassi. Instantaneamente ao ouvir o nome da região boêmia muitas conexões e desconexões vieram na minha cabeça: “selvagem”, “se eu fosse”, e por aí vai. Um nome assim bacana só poderia ser mesmo de um lugar muito interessante. No sobe e desce das ruas belo-horizontinas, com milhares de opções a nossa frente, surgiu uma dúvida com a qual, infelizmente, porto-alegrenses convivem pouco: em qual bar entrar? Digo isto pela inexplicável falta de opções na capital gaúcha, mas este já é um outro post.

Nessas situações, turistas costumam apelar para o sábio guia, mas sorte a nossa que tínhamos a companhia de um mineiro que logo indicou: Via Cristina. A decoração simpática e original com peças da cultura tradicional de Minas e bebidas expostas davam um ar de boteco amigo. Sem saber, entrávamos no bar com a melhor carta de cachaças da cidade dos últimos quatro anos, segundo a Revista Veja (as indicações do “Comer & Beber”, ainda, são umas das poucas publicações confiáveis da Veja, diga-se).

Via Cristina e sua coleção exposta de cachaças

O bar-restaurante-cachaçaria, que existe desde 1989, tem mais de 700 tipos diferentes de cachaças em seu cardápio, que mostra informações da cidade, alambique e madeira que cada uma foi produzida. As cervejas não ficam para trás, com muitas opções de produções locais em lugar de destaque, assim como as importadas. Para os que não gostam da cevada ou da água que passarinho não bebe, tem também a tentadora lista de caipirinhas, capiroskas, caipiríssimas e todas suas possíveis variações e combinações.

Se a bebida seduz, a comida conquista

Ao provar o delicioso “coração de leão” (coraçãozinho de frango recheado com provolone à milanesa) ou os pasteizinhos feitos com massa de mandioca, é inevitável não agradecer por estar ali. Aqueles que estão com mais apetite, podem se deliciar com as inúmeras opções de carnes. O restaurante também é conhecido como Casa de Carnes pela qualidade e variadas opções de churrasco.

O barulho e o movimento vão aumentando conforme as horas no relógio, e o bar se torna um grande salão onde risos e conversas se misturam e se entendem. Assim se repete em todos os outros bares do Savassi que, com mais ou menos requinte, convidam as pessoas a “botecar”. Difícil sair de lá sem estar sorrindo, seja pelo efeito da aguardente de qualidade ou pela satisfação de comer bem e, o melhor, sem gastar tanto. Difícil sair de lá sem entender que “botecar” é a arte de uma vida, que se monta com qualidade, sem pressa, um pouquinho mais a cada final de expediente – e não sentir a mínima falta do chopp Brahma com fritas.

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