Literatura / Viés

A ficção histórica de Iggulden

Conn Iggulden é um dos maiores nomes da ficção histórica contemporânea. Disputa o primeiro lugar nessa lista com Bernard Cornwell, o que já é dizer muito. Afinal, Cornwell publica desde os anos 80, tem uma extensa bibliografia que certamente foi influência no estilo de Iggulden (e embora Cornwell esteja entre os autores favoritos de Iggulden na lista de seu site, chamá-lo de discípulo é simplificação demais). Iggulden, com os seus pouco mais de dez livros publicados (sendo apenas oito de ficção histórica), rapidamente alcançou um lugar entre os grandes, podendo, por incrível que pareça, ser comparado a Cornwell, com seus mais de vinte volumes na série de Sharpe, a trilogia de Arthur e do Graal, além de diversos livros individuais.

Pode parecer exagero, mas eu explico.

Cornwell alia uma narrativa agradável com conflitos verossímeis e personagens assustadoramente reais, tudo em um background historicamente acurado. É um historiador e um escritor de alto calibre. Seu conhecimento vai para além da história, com descrições precisas do funcionamento de armas medievais, andamento de batalhas e cirurgias de guerra da época. Isso tudo se vê igualmente em Conn Iggulden, que soube aliar a influência de Cornwell com a de outros escritores de ficção histórica (como, notadamente, o finlandês Mika Waltari).

Iggulden autografando livros em uma livraria (Foto: Divulgação)

Bernard Cornwell, no entanto, é um historiador inglês. Seus romances são historicamente precisos, emocionantes e viciantes, mas ele não sai da sua zona de conforto, a história inglesa. Seja com Sharpe, um soldado inglês nas campanhas contra Napoleão, com Arthur e Merlin ou com Thomas, arqueiro inglês buscando o Graal na guerra dos Cem Anos, seu foco costuma ser a Inglaterra (a série de Starbuck trata da Guerra Civil Estadunidense, mas num espírito colonial, o foco não muda). Iggulden é inglês, mas é um historiador mundial, influência que parece ter pegado de Mika Waltari.

A série Imperador, de Iggulden (Foto: Divulgação)

Sua primeira série de livros, a saga do Imperador, retrata a vida de Júlio César. Quatro livros, com uma previsão de um quinto, retratando a história do primeiro Imperador romano desde sua infância. Conn Iggulden não se atém tanto aos fatos históricos quanto Cornwell, mas, assim como este, explica todas as suas escolhas não historicamente corretas ou comprovadas no fim de cada volume. Nisso, ele mostra ter mais noção da escrita ficcional que Cornwell, que prefere não comprometer demais a história com invenções.

A trilogia original da série Conquistador (Foto: Divulgação)

Sua segunda série de livros, a saga do Conquistador, conta a história de Genghis Khan. Surpreendemente viciante, Iggulden é detalhista nos hábitos do povo, e nos revela, ao fim do primeiro volume, que foi morar em uma vila rural na Mongólia para entender melhor a mentalidade do povo e seus costumes (isso enquanto estudava A História Secreta dos Mongóis, livro que Genghis Khan mandou compilar à época de sua morte). O autor entrou tanto na cultura mongol que resolveu continuar a série que inicialmente era uma trilogia com um quarto volume já publicado (e outros dois já anunciados). Assim ele consegue continuar a narrar as conquistas do império mongol mesmo após a morte de Genghis Khan.

O quarto volume da série Conquistador, lançado em setembro (Foto: divulgação)

Eu, que me iniciei na ficção histórica pequeno e sou fã do gênero, sempre esperei ansioso por novos lançamentos de Bernard Cornwell. Agora, mesmo sem abandonar Cornwell, acho que fico mais ansioso por novidades de Conn Iggulden. Altamente recomendável.

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1 comentário

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