Comunicação / Viés

A fonte secou, Murdoch fecha tablóide inglês

Romper com tradições, quebrar regras e tabus poderiam ser os “princípios” de Keith Rupert Murdoch. Esse octogenário australiano, que passou de herdeiro do jornal The Adelaide News a grande tubarão da mídia internacional, decidiu, através do filho, James Murdoch, encerrar as atividades da sua primeira aquisição na mídia britânica. Rupert, dono da News Corp, e o filho, que administrava o semanário, acharam por bem fechar a partir do próximo domingo.

Mundialmente conhecidos pelo sensacionalismo extremo, os tablóides bretões não entendem a palavra ética. Por 168 anos, o News of the World orgulhou-se dos seus furos, e acabou ficando famoso por “cobrir” a vida de celebridades e famosos. Mas nos últimos anos ultrapassou as fronteiras do absurdo.

A contratação de espiões, investigadores particulares e paparazzos é praxe deste tipo de veículo. Só que o News, como de costume, foi mais longe. Além de grampear famosos, passou a fazer escutas de celulares de parentes das vítimas dos atentados terroristas de 2005 e de soldados britânicos mortos no Afeganistão. Como se não bastasse, chegou a grampear o celular de uma garota de 13 anos. Detalhe: o jornal tinha acesso à caixa de mensagens de Milly Dowler, menina seqüestrada e morta em 2002, e apagava as mensagens, dando a impressão à família de Milly de que ela ainda estaria viva.

Secou a fonte

Após a divulgação da baixeza moral e ética do News, o periódico passou a sofrer boicote nas redes sociais e nas bancas. Esse movimento levou ao cancelamento de grandes anunciantes, como a Ford, e, por sua vez, dificultou a administração do jornal. Ainda, teve de pagar indenizações milionárias na justiça inglesa. Em nenhum momento cogitou-se o fechamento devido à prática ilegal e suja do jornalismo, serviço dito social. O encerramento das atividades ocorre tão somente porque a receita tornou-se menor que a despesa, e produzir esse lixo de jornalismo sai caro.

O problema maior é ver que, se ainda houvesse recursos financeiros, Murdoch continuaria oferecendo o seu jornalismo marrom nas bancas. Nesse universo à parte, onde conglomerados de mídia, como a News Corp. – dona de 175 jornais, entre eles o The New York times, e a rede FOX –, reinam absolutos, quem padece é o cidadão.

Tags: , , , , ,

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*