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A série da minha vida

As séries se originaram dentro da cultura norte-americana, no contexto das mudanças ocorridas no século XX. Estes programas de televisão tem o papel de ligar o mundo real ao imaginário ficcional, isto é, a função de proporcionar ao público a possibilidade de estabelecer uma imaginação de sua realidade, de produzir um espetáculo daquilo que a sociedade sonha ter, viver.

Estes seriados de televisão são uma a realidade paralela a nossa. Um mundo ideal, onde as pessoas estão vivendo seus sonhos ao extremo e seus problemas parecem sempre ter uma solução, mesmo que distante. As pessoas são bonitas e suas oportunidades para viver situações incríveis são ilimitadas. Nós, como meros seres humanos, presos a uma realidade que não conseguimos controlar, contamos com essas séries para escapar de nossas rotinas e imaginar, mesmo que por pouco tempo, que um dia nossa vida será que nem a daqueles personagens.

Como toda boa fã de seriado, sempre passo horas imaginando como seria viver no mundo dos meus personagens favoritos. Quando ainda estava no colégio, podia imaginar que, quem sabe, quando chegasse na faculdade, estaria a caminho de uma dessas vidas. Quem sabe a caminho de ser médica, como Meredith Grey de Grey’s Anatomy, ou começando minha própria linha de moda, como Brooke Davis de One Tree Hill. Infelizmente, nunca gostei de sangue, nem tive aptidão para desenhar.

Resolvi tentar algo mais fácil. Rory Gilmore, personagem da série Gilmore Girls, sempre foi um modelo para mim. Acompanhava sua vida no seriado como se fosse a minha e, então, fiz vestibular para jornalismo. O sonho de Rory de escrever para mudar o mundo se tornou meu. O problema é que depois de quatro semestres, não tenho mais certeza de que esse mundo foi o certo para mim. Quem sabe deveria ter ido com outra opção e tentar a realidade de Andy McNally, policial do seriado Rookie Blue.

Brooke Davis (One Tree Hill), Rory Gilmore (Gilmore Girls), Andy McNally (Rookie Blue) e Meredith Grey (Grey's Anatomy)

Não a nada melhor do que viver através de seriados, afinal eles são uma realidade segura. De temporada em temporada, vê-se o mundo no qual se gostaria de viver se desenvolver sem ter que sair do calor e conforto de nossas casas. Eventualmente, porém, temos que levantar e enfrentar a nossa realidade. Buscamos construir elas de acordo com nossos sonhos, muitas vezes inspirados naqueles que assistimos na TV. Só que, infelizmente, não podemos controlar nossas rotinas de forma absoluta, como as séries são controladas por seus roteiros.

Como viciada assumida em séries, sei de todos esses fatos. Sei que minha vida nunca poderá ser igual a de um seriado. Mas ainda assim, me cerco de meus programas favoritos todos os dias e continuo a imaginar como, quem sabe, depois que eu sair da faculdade, minha vida será como a de um dos meus personagens favoritos. Posso não ter mais certeza de que seguir os passos Rory Gilmore tenha sido a melhor a opção, mas mantenho a minha crença de que não a nada como uma série para nos dar a esperança de que um dia teremos o nosso mundo ideal.

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3 comentários

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  2. Alice Sonntag Kuchenbecker says:

    Adorei o post. Me identifiquei pra caramba. Às vezes, chegava a imaginar que pudesse ser só eu a garota utópica e frágil que me colocava no papel daquelas tantas personagens com suas vidas perfeitas e agitadas. Hoje, devido ao tempo, não tenho assistido a muitas séries. Mas aviso, encarar a vida sem esse escape proporcionado pelos episódios, é bem mais difícil do que parecia. Mas ainda assim, é a minha vida, a minha história e aquela que irei me empenhar ao máximo para que se torne a realidade imaginada e ainda mais incrível!

  3. Gabriela Sanseverino says:

    É sempre bom saber que tu não é a única nessa situação, né Alice. Eu ainda não consegui me desapegar das minhas séries, mas quem sabe daqui a pouco consigo encarar melhor minha realidade melhor com menos episódios que nem tu!

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