Viés

Até quando vai a carnificina no trânsito?

Entra segunda-feira, sai segunda-feira, e as notícias sobre acidentes de trânsito – muitos deles com morte – se repetem nos jornais. Os motivos que causaram uma ou outra tragédia são um pouco diferentes, mas raramente não estão ligados a duas palavras básicas quando se fala em dar um jeito no caótico vaivém de veículos: infraestrutura e educação.

A razão de estar escrevendo sobre esse tema é pessoal: no entardecer de sábado, 5 de novembro, saí de Osório, cidade onde nasci e passo os fins de semana, rumo a fazenda de um amigo em Mostardas, distante cerca de 100 quilômetros. Transitando pela RST 101, encontrei uma rodovia com asfalto regular, boa sinalização e com poucos veículos trafegando. Isso até Capivari do Sul, onde começaram a aparecer no caminho grandes buracos, difíceis de serem vistos depois do sol se pôr. Foram eles que furaram dois pneus do meu carro.

Dirigi um carro em boas condições, com prudência, respeitando os limites de velocidade (que nessa estrada variam entre 50 e 80 quilômetros por hora). Mas não foi suficiente. Faltou infraestutura. Por outro lado, boas condições das rodovias e sinalização eficiente não bastam. É preciso motoristas bem informados e treinados.

Consciência no trânsito não começa quando uma pessoa completa 18 anos e vai até um Centro de Formação de Condutores (CFC) tirar a habilitação. Consciência no trânsito tem de se iniciar ainda na infância. Isso precisa fazer parte da educação que vem da família e, mais tarde, da escola. Quem se arrisca todos os dias pelas ruas e estradas, seja como motorista, pedestre, ciclista ou motociclista, lida com um direito que está acima de todos os outros: o da vida.

Prova contra si?

Acidente de TrânsitoDe acordo com levantamento do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem do Rio Grande do Sul (Daer-RS), os dias da semana em que mais ocorreram acidentes em 2010 foram, na ordem, sábado, domingo e sexta-feira. São os dias em que a maioria das pessoas tem folga, abarrota os carros de gente, faz festa e pega a estrada. E acho isso totalmente justo – quem trabalha e/ou estuda a semana inteira merece o fim de semana dedicado ao lazer.

Mas se nesse período a rotina é mais flexível, as leis não são. A combinação de álcool e direção ainda é responsável por grande parte dos acidentes. Para bani-la do mapa, educação é imprescindível, aliada à fiscalização. Esta, porém, é fraca. O número de blitz é pequeno e, pior, os agentes de trânsito não têm o direito de obrigar os motoristas a soprarem o bafômetro. Ora, a habilitação é uma concessão, mas por que o Estado não pode cassá-lo do motorista se ele colocar a vida de outras pessoas em risco, dirigindo sob os efeitos de bebida alcoólica?

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