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Boardwalk Empire: um novo nível de série

Como eu já falei em outro post, eu sou viciado em séries, e apesar de ter começado a ver séries por falta de conteúdo interessante na TV nacional, o que realmente me prendeu nos seriados americanos é o formato dos programas. Episódios de uma hora, semanais, é a dose ideal de entretenimento para mim. A cada episódio temos uma situação nova, mas a história é uma só, assim como a vida de qualquer um, sempre tem alguma coisa nova acontecendo em nossas vidas (e antes que falem que as novelas brasileiras também são assim, me desculpem, mas o excesso de merchandising e lições de moral acaba com qualquer verossimilhança). Até mesmo as séries de comédia, de meia hora de duração, estão utilizando recursos como o “continua…” para dar uma sequência entre episódios. Antes, algumas delas poderiam ser vistas a partir de qualquer episódio, pois eram histórias completamente desconexas umas das outras.

Eis que, de tempos em tempos, a evolução acontece.

Sombra de um homem, caminhando ao horizonte.

Nova série da HBO, obra de Martin Scorsese (Divulgação/HBO)

O que eu sentia falta vendo as minhas séries era a qualidade de produção de um grande filme. Eu entendia que era outro formato, outra mídia, mas ficava muito claro que eu estava vendo uma produção para TV, bem diferente de uma obra cinematográfica. Foi quando eu fiquei sabendo de “Boardwalk Empire”.

Político bem vestido sentado à mesa

Steve Buscemi, no papel de Nucky Thompson (Divulgação/HBO)

Com grandes nomes trabalhando nela, a série começou a criar a sua fama. Escrita por Terrence Winter, produtor e roteirista de The Sopranos, teve seu piloto dirigido por Martin Scorsese, que além da direção, também tomou decisões importantes na escolha do elenco, na edição, e é Produtor Executivo ao lado de Mark Wahlberg. Os grandes nomes se estendem ao elenco com Steve Buscemi, excelente no papel de Nucky Thompson (personagem baseado em um político da época), Michael Pitt (de “Cálculo Mortal”), Kelly Macdonald (de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”), e Michael Shannon (de “Antes Que O Diabo Saiba Que Você Está Morto”), além da revelação Paz de la Huerta, no papel de Lucy, e Stephen Graham (de “Snatch” e “Inimigos Públicos”), como Al Capone em início de “carreira”. Aliás, a introdução deste personagem é a melhor cena da série até agora.

Quanto ao enredo: é Atlantic City, década de 20, a algumas horas da implantação da Lei Seca nos Estados Unidos, onde o consumo e comércio de bebidas alcoólicas se torna ilegal, mas nem por isso deixa de acontecer. A história conta a corrupção dos políticos da época, que gerenciam  os negócios, lícitos ou não, como verdadeiros mafiosos. E por falar em verdadeiros, estamos falando da mistura de ficção com realidade, à medida que vários personagens históricos aparecem na trama, inclusive o já mencionado Al Capone, que de acordo com esta matéria (em inglês), é a versão mais fiél já filmada do famoso mafioso. Veja o trailer oficial da série, vinculado pela HBO Brasil:

O que mais chama a atenção na série é mesmo a qualidade. Com orçamento estimado de 65 milhões de dólares, a produção conta com um set de filmagem enorme e extremamente fiel a época, com uma “boardwalk” com mais de 90m, além de fachadas de lojas, carros, complementados por prédios no horizonte, outdoors e até mesmo uma praia digitalmente modelados. O figurino também está muito bem feito, todos baseados em imagens da época, livros especializados, inclusive confeccionados com tecidos especiais para os ternos caríssimos dos personagens mais elegantes.

Calçada de madeira, na beira de uma praia

a "boardwalk", set de filmagem

Este tipo de cuidado, de atenção aos detalhes, não é comum em seriados. Parece que estamos chegando num novo patamar para a produção de TV, com grandes orçamentos, grandes diretores, atores. “Boardwalk Empire” definitivamente não é só mais uma série, é um marco para este tipo de programa, e eu espero muito que este seja o exemplo a ser seguido de agora em diante, e o público já mostrou ser favorável a esta mudança também: na premiere, foram 4.8 milhões de espectadores, se tornando a maior audiência para a HBO desde 2004, quando “Deadwood” estreou logo após um episódio de “The Sopranos”, ultrapassando inclusive os números de “True Blood”, outro sucesso da mesma emissora. a HBO já confirmou uma segunda temporada, além dos 11 episódios da primeira. Vale a pena assistir.

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