Política / Viés

Desrespeitar os direitos humanos não é crime?

Dois homens caídos na rua. Um com algemas, de bruços, baleado, mas ainda consciente. O outro, de barriga para cima, com a roupa encharcada de sangue e a boca espumando. A cena está presente em um vídeo obtido pela Folha de São Paulo, gravado em 2008 e divulgado em 2011. Obviamente impactante, a figura dos feridos por disparos de arma de fogo não é o que mais chama atenção. No áudio, policiais militares paulistas demonstram o tratamento dado aos supostos bandidos, que teriam tentado assaltar uma metalúrgica antes de serem baleados.

“Estrebucha, filho da puta” – diz uma das vozes.

“Tomara que morra a caminho (do hospital). Não vai morrer, não?” – diz outra.

Ao afirmar que o áudio é mais chocante que as imagens, refiro-me ao fato de os deboches partirem daqueles que, segundo a Constituição Federal de 1988, têm a missão de garantir a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio. No momento em que se omitem de prestar socorro e ainda fazem deboches, os PMs não estão cometendo um crime também? O fato de os homens baleados serem supostos assaltantes os faz menos merecedores de socorro?

É de parar para pensar. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Organização das Nações Unidas, diz que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Cabe aos policiais decidir quem tem direito à vida? Mas não vou me surpreender se alguém disser que “está certo, eram bandidos”. Parece que a Lei de Talião, a do olho por olho, dente por dente, ainda está em voga para muitos, que defendem que quem não respeitou os direitos do próximo não mereceu ter os seus respeitados.

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