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Eu não gosto de GPS

Então, só pra contextualizar: eu sou uma pessoa que se perde, literalmente, em grande escala. Não por não ter conhecimento dos mapas e senso de localização. O problema é que as vezes eu erro um pouquinho: na volta do cinema, de madrugada, resolvo pegar um atalho e pumba! Pode estar certo que me meti em um bocada das brabas; ou quando estou indo viajar, decido que sei um outro caminho para pegar a estrada em direção à serra, e pumba, estamos indo pro litoral. Claro, que depois de pedir algumas informações, e obrigar o motorista (não, eu não dirijo, sou só o GPS que às vezes dá uma falhada), no caso, meu ilustríssimo amoreco, a pedir outras, a gente sai ileso.

Acontece que eu não gosto de GPS, nunca gostei. Então quando meu namorado surgiu com um celular super-hiper-mega-master-blaster modernoso, cheio dos aplicativos e tal, ele logo quis mostrar pra mim o super aplicativo, ou sei lá como se chama essas coisas: um GPS.

Celular com gps

Oi. Eu tenho um GPS.

Então, estávamos na 24 de outubro, com uma mulher falando ” em 100 metros, curva suave à direita”. De verdade, Porto Alegre não, né. Eu conheço Porto Alegre, mais ou menos. Não preciso de um GPS. E se for pra ter uma mulher dizendo aonde dobrar, meu amor, pode deixar que eu faço isso.

Claro que eu entendo a necessidade de algumas pessoas. Quem não tem a mínima noção da nossa cidade, não tem como viver. Tenta sair da zona Norte, em direção à zona Sul. Não há placas que determinem, exemplifiquem, deem uma luz à pessoa. Claro que eu saberia, mas né, não tenho como assessorar todo mundo.

E as placas de retorno então? Aquilo é quase um desenho abstrato, na maioria das vezes. Então, vá lá, quem não conhece Porto Alegre, ou simplesmente gosta de ter alguém que diga o que fazer, usa GPS.

É claro que muitas vezes o GPS não sabe que o acesso B1, na Bom Jesus, não é uma boa alternativa às 23 horas . (não, eu não conheço a Bom Jesus e não sei se tem um acesso chamado B1). Portanto, pode ser que nem te adiante ter esse aparelhinho super moderno. É muito melhor , na maioria das vezes, se jogar, literalmente: Ah, eu sei que a perimetral fica naquele lado? Então vamos pegar as ruas que vão para aquele lado. Ah, deu errado? Volta e faz de novo. Isso se tiver tempo e paciência, porque, afinal: conhecer Porto Alegre não é possível escondido atrás de um GPS.

Óbvio que ninguém é de ferro: quando nos perdemos voltando da Serra gaúcha, quem foi que nos salvou, hein?

 

 

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