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O domingo mais curto do ano

À meia noite deste domingo (21), onze estados e o Distrito Federal adiantaram seus relógios em uma hora. O Horário de Verão é adotado para evitar um impacto negativo na estabilidade do sistema elétrico, em função do aumento da demanda por energia nesta época do ano, resultante do calor e do crescimento da produção da indústria com a aproximação do Natal.

Estados que participam do Horário de Verão 2012/2013   (Fonte: Divulgação)

Em sua origem, o objetivo era meigo e sustentável:

Inglaterra, 1907.  Um construtor chamado William Willett teve a ideia de iniciar uma campanha para diminuir o consumo de luz artificial e, de quebra, estimular o lazer dos britânicos.  Para isso, distribuiu panfletos intitulados “Waste of Daylight” (Desperdício de Luz Diurna), com a proposta de avançar os relógios em 20 minutos nos domingos do mês de abril e retardá-los a mesma quantidade nos domingos do mês de setembro.

Resultado? Muita polêmica, principalmente entre os fazendeiros, que precisavam acordar com o sol, independentemente do horário marcado pelo relógio. Assim, infelizmente, Willett não viveu o suficiente para ver sua ideia sendo utilizada.

Mas…

Em 1916 (um ano depois de sua morte), a Alemanha adotou o horário de verão, seguida pela Inglaterra. Nesse período, marcado pela Primeira Guerra Mundial, a economia de energia era considerada um importante esforço de guerra, por diminuir o consumo de carvão – principal fonte de energia da época.  Devido a isso, a medida foi seguida por outros países europeus.

Hoje, aproximadamente 30 países utilizam o horário de verão, pelo menos em parte de seu território. Para maioria deles, o princípio continua o mesmo sugerido por Willett: adaptação das atividades diárias à luz do Sol.

(Fonte: Divulgação)

Já, no Brasil, o horário foi adotado pela primeira vez em 1931, através do decreto 20.466. Mas é só a partir de 1985 que ele passa a vigorar anualmente. E, em 2008, sua duração foi estabelecida por lei, sendo o início no terceiro domingo de outubro, e o final no terceiro domingo de fevereiro (exceto quando coincide com o carnaval, fator que adia o término por uma semana). Aqui, o motivo para a adoção não é simplesmente proporcionar mais tempo para o lazer da população – aproveitando a luz do Sol -, mas sim para economizar energia, já que o país não consegue suprir a alta demanda do período com as usinas que possui.

A questão que se coloca é até que ponto a adoção do horário de verão no Brasil realmente é útil. A economia de energia justifica os transtornos causados à população? Transtornos esses que vão desde o desconforto físico (por afetar o relógio biológico) e psicológico (pela sensação de perda de tempo) até a insegurança nas ruas (por ainda estar escuro no horário que as pessoas saem de casa para trabalhar e para estudar).

Na Bahia, por exemplo, onde o horário havia sido implantado no ano passado a pedido de empresários, uma pesquisa encomendada junto à população indicou que 75% das pessoas eram contrárias à adoção. O governador recebeu a visita de representantes das seis maiores centrais sindicais do país, que reivindicaram a saída do estado. Os sindicalistas argumentaram que o horário é prejudicial aos trabalhadores, que acordam na madrugada, quando ainda é noite, para chegar ao trabalho, tornando a jornada mais cansativa e, portanto, mais propensa a acidentes de trabalho. Assim, neste ano, o estado ficará fora do Horário de Verão.

Nesse sentido, tramitam, na Câmara dos Deputados, três projetos de lei que pretendem abolir o horário de verão no Brasil. A justificativa apresentada pelos seus proponentes é justamente o fato de que os benefícios com a redução da carga máxima de energia elétrica em horário de pico não atingem a maior parte dos cidadãos, enquanto que os prejuízos à saúde e à segurança pública afetam toda população.

O horário “adiantado” causa desconfortos físicos e psicológicos, além de afetar a segurança pública. (Fonte: Divulgação)

Pelo que se sabe, o país precisaria de, em média, R$ 3 bilhões para a construção de usinas térmicas a gás, que seriam necessárias para garantir o suprimento de energia no horário de pico (18h às 21h). Se nos anos anteriores, em que o Horário de Verão foi adotado, houve tanta economia, pra onde foi esse montante? Não poderia ter sido utilizado para construção de usinas?

Apesar do nobre fim a que se destina essa perda de tempo, não pode ela ser uma medida paliativa. Não devemos economizar energia tendo em vista apenas o período de agora, mas sim cobrar que o dinheiro economizado seja devidamente reinvestido na matriz energética de nosso país. O Horário de Verão deve ser uma medida pontual, não se caracterizando como algo que ocorre todos os anos que devemos tolerar e aceitar.

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