Jornalismo / Viés

O massacre da mídia sensacionalista

Ninguém esperava, aconteceu. Um rapaz desequilibrado entrou numa escola em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, e despejou projéteis em crianças e adolescentes indefesos à estudante suicida norte-americano. Olhando do sul de um país ao sul do mundo, os atentados de estudantes contra seus pares pareciam coisa de primeiro mundista lunático, mas basta o primeiro caso daqui, nessas proporções, para que se entenda o que eles sentem.

O poder da imprensa

A notícia repercute como fogo de palha e, como tal, também desaparece sem deixar vestígios. Quem sabe numa próxima vez, quando houver um segundo imbecil lunático idiota covarde doente filho da p#7@ demente, lembremos deste primeiro. O ocorrido é muito pior do que um desastre natural. Por ter sido um ato deliberado de um humano, é mais cruel. A sensação de que se poderia ter evitado parece real. O que fazer depois de um fato desta natureza? Como evitar novas tragédias semelhantes?

Confira a cobertura veiculada pela Globo no Jornal Nacional desta sexta-feira:

Esses são questionamentos que a mídia suscita, ou pelo menos deveria. Porém, além disso, ela precisa aproximar os seus espectadores do fato. O jornalista tem que fazer com que o seu público, esteja onde estiver, sinta a dor dos parentes das vítimas, veja o pavor das testemunhas imberbes e, finalmente, se pergunte: e se fosse comigo?

Sensacionalista

Há quem tache a imprensa nessas horas de sensacionalista. Claro, talvez por ímpeto. No frigir dos ovos, por vezes, é mais fácil se ter uma opinião do que admitir a ausência de uma. “Esses jornalistazinhos se aproveitam das vítimas! Seus sensacionalistas!”, quem sabe? Mas, num país dito pacífico e pacifista, onde há pouco houve um referendo pela proibição da venda de armas de fogo, em 2005, e, desde 2003, instituiu o Estatuto do Desarmamento, esse é um fato sensacional, fora do comum.

Tanto em casos como este quanto em guerras, ou outras situações de violência e flagelo, o jornalista tem que mostrar onde, como, o que e porque sofrem os atingidos. Por quê? Senão, o sentimento reinante na humanidade seria de uma indiferença e egoismo ainda maiores.

Sem ingenuidade

Os veículos de comunicação não são tão bonzinhos. Claro que ganham. Ganha aquele jornal impresso que consegue mais informações e as repassa da melhor forma. Ganha a emissora de rádio ou televisão com mais e melhores entrevistas e imagens. E ganha, também, o portal de notícias que publica antes as suas versão para o fato. O que ganham? Credibilidade e fidelidade dos seus públicos, que são, posteriormente, convertidas em publicidade.

A história de Wellington Menezes de Oliveira e das suas vítimas, ainda irá render por mais umas duas ou três semanas nos jornais. Já nos portais de notícias, talvez não dure até a próxima sexta-feira, 15 de abril.

Abaixo, confira o que alguns sites e portais de notícias publicavam nas suas capas na madrugada desta sexta-feira:

Se eu estou sendo sensacionalista ao escrever sobre isso? Claro que sim.

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