Variedades / Viés

O Mercado Público é a cara da capital gaúcha

O que Porto Alegre tem a oferecer aos seus moradores? A lista de atrações não é tão extensa quanto eu gostaria, mas é bem mais longa que a da maioria dos municípios brasileiros. Do glamour da Padre Chagas à tranquilidade da Zona Sul, passando pela boemia da Cidade Baixa e pela história do Bom Fim, a capital gaúcha mostra ter muitas faces dentro de uma só cidade. Não tenho a pretensão de retratar aqui os quatro cantos do lugar que começou a ser habitado  por estancieiros portugueses no século XVII – apenas um pequeno mas importante fragmento dele.

Como grande parte dos interioranos que chegam a Porto Alegre para estudar, fui de cara apresentado ao Centro Histórico. E quando falo em apresentação, refiro-me à rotina do bairro, aos dias caóticos de chuva, aos moradores de rua atirados nas calçadas da Júlio de Castilhos, ao trânsito complicado, ao movimento da Rua da Praia. E não da visão a partir do banco confortável do carro.

Mas não é só problemas que vive o Centro Histórico. E um exemplo é o espaço que motiva deslocamentos de moradores de áreas mais “nobres”: o Mercado Público. Nunca foi apaixonado pelo cheiro forte de peixe que tem lá, nem pelo vaivém de gente. Mas, nos últimos dois meses, frequentei o Mercado com outro olhar e descobri muita coisa. As visitas para a gravação de um documentário me fizeram saber que a Banca 40 tem muito mais do que a tradicional Bomba Royal (mistura de salada de frutas, sorvete e chantilly),

Foto: Mariana Gil

tem história também. O Gambrinus, ponto de encontro de políticos e personalidades porto-alegrenses, foi o palco de decisões importantes e de visitas badaladas.

No coração do bairro, a construção é rodeada pelas avenidas Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, pelo Largo Glênio Peres e pela Praça Pereira Parobé. Localizado próximo ao Guaíba, à prefeitura e à Rua da praia, é parada obrigatória para turistas e moradores antigos. É nesse local que cerca de 150 mil pessoas, de todas as classes e idades, passam diariamente, com objetivos e gostos dos mais variados.

Se for para escolher uma palavra que defina o reduto de cores e sons projetado por Frederico Heydtmann, talvez a mais apropriada seja diversidade. No burburinho dos corredores, entre os 110 estabelecimentos que funcionam no local, há os que procuram vinhos caros ou ingredientes exóticos, há os que querem apenas frutas e verduras frescas. Também tem café moído na hora, erva para o chimarrão, peixe fresco, linguiças, salames e bacalhau. No Mercadão, o que não falta é variedade.

Personagem importante da história da cidade, o mercado passou por diversas transformações ao longo dos mais de 140 anos. A construção em forma de quadrilátero sobreviveu a uma enchente e três incêndios e ganhou várias reformas. A última delas foi concluída em 1997. Além de manter características originais, como os ladrilhos no chão, proporcionou mais conforto aos freqüentadores, que agora contam com elevadores e escadas rolante.

É incrível, mas foi depois de quase quatro anos morando em Porto Alegre que passei a entender por que o prédio histórico com cheiro de peixe e corredores apertados agrada tanta gente. O local que faz a cabeça dos porto-alegrenses fez a minha também.

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1 comentário

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