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Perder pra Ganhar Animal

Fifi está 107% acima de seu peso ideal

Fifi está 107% acima de seu peso ideal (Fonte: G1)

A Clínica Veterinária Britânica PDSA lançou no final de março um concurso de emagrecimento para animais obesos. Dezoito animais foram selecionados para participar, sendo sua maioria formada por cães e gatos.  O gato FIFI está 107% do seu peso ideal e o cão MERLIN chega a 111%. Coelhos também aparecem chegando até 49% de sobrepeso. A competição se assemelha à série “Perder pra Ganhar”, veiculado no canal Discovery Home and Health, onde ganha o participante que perder mais peso. Com a ajuda de profissionais da saúde, os cadidatos são incentivados a transformar seus corpos, sua saúde e consequentemente suas vidas. A diferença é que o programa promove a luta de pessoas no combate ao peso, e não de animais.

A competição chega a ser cômica. Os donos dos animais sentem-se encantados com a iniciativa e fazem de tudo para tornarem seus queridos uma celebridade animal, com a chance de uma vida mais saudável e recreativa. Apesar da surpresa ao ler a notícia, já não me abala o fato de que os animais de estimação ganham constantemente mais espaço e cuidados cada vez mais exclusivos que muitas vezes, são incomparáveis à de muitos seres humanos por aí. A demanda das dedicadas donas por serviços especializados para seus companheiros propiciou o surgimento desenfreado de pet shops completas, que oferecem carne orgânica, petiscos vegetarianos, coleiras de pérolas, jaquetas de couro, biquínis, relógios, chinelos, perfumes, medicamentos para depressão, psicoterapias e até mesmo planos de saúde animal.

Não há limites para a doideira.

Ofertas criativas de produtos e serviços tipicamente humanos adaptados para os animais de estimação faz com que as pessoas invistam em artigos totalmente desnecessários que vão além da natureza do bichinho. O fato é que os donos, na ilusão de estarem proporcionando aos animais uma vida mais feliz, estão na verdade representando expectativas e vontades próprias, como este concurso citado no início do post. Se o bichinho tivesse uma vida animal (sim, isso aí), tendo uma alimentação correta e correndo em parques, nada disso precisaria existir. Mas o cão/gato, acostumado com a mordomia, fica preguiçoso e perde seu espírito ativo. Afinal, ansiedade, depressão e necessidade de status não são problemas animais.

Eu adoro animais, sou filha de veterinária, já tive de tudo em casa, desde porquinho da índia a hamster, cachorro, peixe, tartarugacalopsita, mas quanto a isso sou bastante crítica. Tanta gente ralando para conseguir um salário decente e as dondocas gastando rios com tratamentos estéticos para seus bibelôs. O Conselho Federal de Medicina Veterinária já está se posicionando contra o abuso dos profissionais que aplicam procedimentos médicos puramente estéticos e desnecessários. Enquanto isso, os empreendedores atentos, lógico, visualizam a cada dia novas oportunidades neste mercado em ascensão.

Vida de cão, que nada.

É, pessoal. Creio que a expressão “vida de cão” já não é mais válida para aquilo que remetia no passado, carregada de uma conotação de dificuldades. Hoje, alguns animais domésticos mudaram esse significado, recebendo tratamentos bastante sofisticados, dormindo na mesma cama que os donos e ganhando presentes em seus aniversários. Saber quem é realmente o dono fica cada vez mais complicado.

 

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1 comentário

  1. Olá Alice,

    Achei bem interessante esse teu texto.
    Acho que, nos dias de hoje, os animais andam com a vida mais mimada impossível.
    Considero um absurdo quem deixa seus animais ENGORDAREM MUITO!
    Amo animais também! Assim como tu, já tive muitos animaizinhos.

    Abraço! 😉

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