Política / Viés

Recado do ocidente ao oriente: na dúvida, mate seus inimigos

Na Casa Branca, o presidente Barack Obama, o Vice Joe Biden e a equipe de Segurança Nacional acompanharam ao vivo a missão que culminou com a execução de Osama bin Laden no dia 1° de maio deste ano. (Foto: Pete Souza, Casa Branca)

O recado foi dado. Não confiamos na justiça, ainda acreditamos no  código de Hamurábi, “olho por olho, dente por dente”, enfim, morte por morte. Desde o início do ano temos claros sinais de que o Oriente Médio tem se ocidentalizado. Manifestações populares, levantes civis, revoltas silenciosas e silenciadas têm apresentado ao mundo ocidentalizado globalizado um povo árabe sem burcas, túnicas e hijabs, a bradar por democracia. Depois disso, o que dizemos a eles? Matem seus inimigos.

Em abril de 2006, Robert Fisk palestrou sobre reportagem de guerra na Universidade de COlumbia, Estados Unidos (Foto: Marjorie Lipan, Flickr.com)

Robert Fisk, brilhante correspondente de Oriente Médio do jornal britânico The Independent, em seu artigo “O líder da Al-Qaeda sabia que ele era um fracasso. Agora, os Estados Unidos o transformaram em mártir” (tradução livre), publicado dia 5 de maio, afirma que a lição foi passada: “executar seus oponentes é totalmente aceitável”. Para Fisk, o assassinato de Osama bin Laden carrega consigo este significado. Seria como dizer “esqueçam tudo que dissemos”, aliás, como já fez um sociólogo presidente brasileiro.

Osama já estava morto

A figura barbuda que assustava o mundo com atentados contra embaixadas e tornou-se pesadelo  a partir da destruição do World Trade Center, pouco ou nada fazia além de justificar quaisquer atos belicosos do governo norte-americano.

Por que não prendê-lo e levá-lo à corte internacional do Tribunal de Haia? Ou, afinal, não somos evoluídos e democráticos o suficiente? A quem a figura de Osama bin Laden ainda assustava além do presidente americano Barack Obama, agora candidato à reeleição? Não sei.

O próprio mundo árabe, como diz Fisk em seu artigo, viu que a figura de Osama já não era mais necessária. O povo que venceu às armas no Egito e na Tunísia, em breve derrubará ditadores na Líbia e na Síria, sem ter recorrido, em nenhum momento, a serviços de grupos terroristas como a  Al-Qaeda.

Sem foto, sem provas

O pronunciamento de Barack Obama sobre a morte de Bin Laden. (Foto: US Embassy New Zealand, Flickr.com)

O mundo aguarda, desde o pronunciamento de Obama, em 1° de maio, as fotos, que comprovariam a morte de Osama, e as próximas diretrizes do governo norte-americano. Diz-se que as imagens não seriam divulgadas a fim de respeitar tradições muçulmanas e, assim, evitar novas desavenças.

Ouve-se, também, que não o enterraram para evitar que seu túmulo virasse um lugar de peregrinação, ou então, para que, morto, não se transformasse em mártir. Dois apontamentos se fazem importantes. Primeiro, morto=mártir. Segundo, a mansão onde mataram o cavernoso Osama deve se tornar um lugar de relativa importância para os seus simpatizantes, ou até ponto turístico, por que não?

Bom, não sei até que ponto seria importante provar a morte de Bin Laden, afinal, os problemas continuam sendo outros.

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