Viés

Seria o fim do furo jornalístico?

Michael Jackson morreu. Não, quem deu o furo da morte do rei do pop não foi a CNN, nem o New York Times. Após o site de fofocas TMZ.com postar a notícia, o microblog Twitter foi invadido pela discussão. Quase uma hora depois, os veículos tradicionais noticiaram o fato.

TMZ.com/reprodução

O furo jornalístico é um dos valores mais cultuados dentro de uma redação. O profissional que publica uma notícia que nenhum outro veículo tem é elogiado por seus leitores (telespectadores, ouvintes…) e reconhecido dentro da empresa que trabalha. No entanto, o furo está cada vez mais difícil. Ele ainda existe, mas o público é quem está tendo mais sucesso.

O caso Michael Jackson é um dos melhores exemplos disso. Antes dos portais de notícias e das emissoras de rádio e TV (sem falar nos jornais impressos) passarem a informação da morte, pessoas dos quatro cantos do mundo já sabiam. E não foi só o Twitter: além de o microblog ter o segundo maior número de tweets por segundo de sua história, atrás apenas da eleição de Barack Obama à presidência, o Facebook triplicou o número de postagens nas horas que seguiram o fato. Google e Wikipédia chegaram a enfrentar problemas no acesso: o primeiro ficou sobrecarregado com o número de buscas, e o segundo, com atualizações no perfil do ídolo. Os administradores do Wikipédia bloquearam a página para edição durante determinado tempo, liberando apenas quando o Los Angeles Times confirmou que o astro tinha, de fato, morrido.

Twitter ficou congestionado

O momento pelo qual o jornalismo passa é delicado. Antes produzidos para consumo do público, jornais, revistas e emissoras de rádio e TV hoje são influenciados e pautadas por ele. Em alguns casos, os veículos utilizam de material produzido pelas pessoas que, outrora, restringiam-se a consumir. Textos opinativos, fotos e vídeos são exemplos dessa nova configuração. Porém, uma coisa não mudou com todo o avanço tecnológico e a maior possibilidade de interação: ainda é o jornalista quem tem maior credibilidade e, se não consegue, pelo menos busca a isenção e o distanciamento. Dando furo ou não.

No infográfico abaixo, veja um resumo de como a notícia da morte de Michael Jackson se espalhou:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*