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Sweatshops: exploração moderna

O termo Sweatshops (em português “Fábricas de suor”) é cada vez mais usado nos dias atuais. O próprio nome dá a entender que se tratam de empresas envolvidas com a exploração extrema dos trabalhadores, caracterizada por um salário abaixo do mínimo necessário à sobrevivência, pela ausência de qualquer forma de garantia ou proteção trabalhista; pela exploração de crianças; pelas condições de trabalho perigosas para a saúde ou por ameaças, moléstias sexuais e abusos físicos e psicológicos.

As jornadas de trabalho são muito maiores do que a lei determina em países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Elas são tão longas que lembram os primórdios da Revolução Industrial na Inglaterra. Muitos trabalhadores são forçados a turnos de trabalho ininterruptos de até 19 horas.

Fábrica da Nike na Ásia

As denúncias internacionais contra as Sweatshops crescem a cada ano e mostram uma triste realidade na qual existem inúmeras possibilidades para a exploração dos trabalhadores. São mulheres forçadas a tomar contraceptivos e submetidas a testes de gravidez periodicamente; trabalhadores expostos a substâncias tóxicas, ameaçados e demitidos em caso de protestos e impedidos de abandonar o trabalho por meio de vigias armados. Outra característica é que essas fábricas normalmente estão instaladas em países pobres, principalmente na Ásia e América Latina. As empresas produzem nesses lugares, pois a regulamentação trabalhista é geralmente inexistente e os salários são menores.

Apesar de estarem instaladas majoritariamente nestes países, as Sweatshops também são comuns em países do leste Europeu e existem até mesmo nos Estados Unidos. De acordo com a ONG CorpWacht, em Los Angeles dois terços dos imigrantes que trabalham na confecção de roupas não recebem o salário mínimo garantido pela lei. Os trabalhadores em El Salvador envolvidos na produção de tênis, que nos EUA custam cerca de U$ 140,00, ganham U$ 0,24  a cada sapato produzido. Na China trabalhadores morreram de uma doença chamada de “guolaosi” que quer dizer “morte súbita por hiper trabalho”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 250 milhões de crianças entre de cinco e quatorze anos de idade exerçam algum tipo de trabalho nos países em desenvolvimento. Elas são privadas de educação e de uma infância normal. Algumas ficam confinadas e sofrem constantes agressões, sendo impedidas de retornar ao convívio familiar.

Crianças trabalhadando na produção de tapetes

Principais produtos produzidos em Sweatshops

  • Sapatos
    Muitos tipos de sapatos são feitos em condições desumanas. No entanto, o maior problema é encontrado na fabricação de tênis e calçados esportivos.O trabalho infantil também é muito comum na indústria do calçado.
  • Vestuário
    Muitas roupas são fabricadas em condições precárias e com o uso de trabalho infantil. Nos EUA a maioria dos trabalhadores do vestuário são mulheres imigrantes que trabalham 60-80 horas por semana, geralmente sem salário mínimo. Na Ásia, os trabalhadores desta área normalmente ganham menos de um salário mínimo, trabalhando em condições extremamente opressivas.
  • Tapetes
    O trabalho infantil é bastante utilizado na indústria de tapete. Quase um milhão de crianças trabalha ilegalmente na produção de tapetes a nível mundial. Aproximadamente 75% dos tecelões de tapetes do Paquistão são meninas menores de 14 anos.
  • Brinquedos
    Muitas fábricas utilizam o trabalho infantil na fabricação de brinquedos, especialmente em países como China, Malásia, Tailândia ou Vietnam. Nos EUA a média salarial dos fabricantes de brinquedos é de US$ 11,00 por hora. Na China, a média é de 30 centavos por hora.
  • Chocolate
    Cerca de 43% do cacau vem da Costa do Marfim, onde os investigadores descobriram recentemente a escravidão infantil. Além disso, os trabalhadores do cacau que são pagos recebem salários abaixo do necessário para a sobreviência.
  • Café
    O café é a segunda maior importação dos EUA, depois do petróleo. Muitos pequenos produtores de café recebem preços para o produto, que são menores do que o custo de produção, envolvendo-os em um ciclo de pobreza e de endividamento.

Há diversas multinacionais que utilizam essa forma de trabalho para aumentar os lucros em cima da produção. São nomes conhecidos no mercado internacional: Levi’s, Nike, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Polo-Ralph Lauren, entre outras. A própria Disney foi acusada de explorar trabalhadores de uma fábrica em Bangladesh. Segundo informações da ONG The National Labor Committee, os trabalhadores responsáveis pela confecção de camisetas eram submetidos a períodos de trabalho ininterrupto de até 15 horas, 7 dias por semana.
Felizmente tem crescido, entre a população, um sentimento de indignação contra essa prática ilegal de trabalho. Além de diversas ONG’s estarem se empenhando na luta contra as Sweatshops, é cada vez maior o número de pessoas que estão se mostrando descontentes e até mesmo boicotando marcas de roupas e acessórios fabricados dessa maneira.
Todos concordam que esse tipo de exploração é inaceitável, o problema é que, mesmo que essas multinacionais sejam impedidas de utilizar essas práticas, isso não quer dizer que contribuirá com a população do país. A grande maioria dos trabalhadores, mesmo sofrendo, depende dessas fábricas para sobreviver e essa é uma questão que tem gerado muitas discussões.
Algumas pessoas defendem que, mesmo com as péssimas condições de trabalho, as Sweatshops ainda são as melhores opções – ou a menos pior – pois, é um dos poucos meios disponíveis para a população pobre ter uma fonte de renda.

Diante desse impasse qual seria a atitude correta a ser tomada? Continuar comprando produtos fabricados dessa forma, dando assim uma condição miserável, porém única, para esses trabalhadores? Ou então boicotar os produtos e limpar nossa consciência, mesmo sabendo que talvez não exista outra opção de trabalho para essa pessoas?

A solução deve vir da educação e conscientização das pessoas, principalmente por parte dos governantes aplicando leis trabalhistas com fiscalizações rígidas e, dos grandes empresários oferecendo condições de trabalho dignas a seus funcionários. No mundo capitalista em que vivemos hoje, aonde os lucros vêm acima de qualquer coisa, isso certamente soará como utopia, mas não é impossível.

Se os grandes empresários entenderem que seus clientes desejam consumir de maneira responsável, mais cedo ou mais tarde terão que se adequar a isso ou então ficarão sem mercado. As empresas devem divulgar o tratamento e a remuneração dos trabalhadores e como e onde os produtos foram feitos. Esta divulgação deve ser feita com um controle independente das condições de trabalho e remuneração. Violações que são descobertas devem ser corrigidas de uma forma que proteja os trabalhadores e seus empregos
Não acredito em uma mudança em curto prazo, mas se começarmos a tomar atitudes agora, talvez no futuro as coisas sejam diferentes.

Fonte: Vegan Peace

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1 comentário

  1. Muito importante entender que lugar de criança é na escola e fazendo alguma atividade esportiva.
    Mas isso depende muito das condições que seus pais tem também.
    Além do mais o governo tinha que tomar alguma atitude.

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