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Um beijo a mais

Traição, no âmbito de relacionamentos românticos, é um assunto muito trabalhado nas produções hollywoodianas, uma vez que, além de sempre gerar polêmica, é “eternamente atual”. Durante muitos anos, diversos filósofos, cientistas, estudiosos em geral, buscaram encontrar uma resposta para uma clássica pergunta que se encontra na mente de diversas pessoas: por que os seres humanos traem? O filme “Um Beijo a Mais” (The Last Kiss)  é um drama americano, lançado em 2006, com o roteiro de Paul Haggis e a direção de Tony Goldwyn, que conta a história de Michael e porque ele precisou trair.

A perspectiva

Este filme tem um lugar especial no meu coração. Acho simplesmente maravilhoso, desde a construção do enredo, até a escolha dos atores. Traição não é um assunto polêmico por acaso. E, neste filme, podemos ver uma nova perspectiva a partir dos olhos dos diversos personagens, envolvidos em suas diferentes realidades. Não vou entrar nos méritos de porque uma pessoa trai, ou deixa de trair. Mas acredito que, além de ser uma ótima opção de entretenimento, “Um beijo a mais” pode nos deixar mais próximos de compreendermos o que está por trás do complexo ato de traição.

A história


Prestes a fazer 30 anos, Michael entra em crise, pois percebe que sua vida aparentemente perfeita já está toda planejada: casar, continuar a ter sucesso no trabalho e ter filhos. Ele tem que escolher entre deixar para trás as inconsequências de sua juventude e aceitar que deve crescer, ou ceder à tentação, se segurando com todas as forças na possibilidade de liberdade que se apresenta a ele.

Michael e Jenna (Jacinda Barrett) estão juntos há três anos e pretendem se casar, o que parece se tornar ainda mais encaminhado quando ela anuncia que está grávida. A única questão é que ele sempre acha desculpas no trabalho ou na rotina de Jenna para adiar o casamento e, agora, está se sentindo preso em um destino sem escolhas pela gravidez da namorada, pois não há mais desculpas a serem dadas. Por mais que ele saiba que ela é sua companheira perfeita, suas dúvidas quanto seu futuro não podem mais serem ignoradas.

Em um casamento, Michael conhece Kim (Rachel Bilson), uma jovem universitária que parece ser a personificação de tudo aquilo que ele deve deixar para trás: seus devaneios da juventude, sua maravilhosa idéia de liberdade e a possibilidade de ser inconseqüênte. Seu primeiro encontro com Kim é também seu primeiro encontro com a tentação, contudo, mesmo ela apresentando-se como uma sedutora opção, ele a deixa para trás, levando consigo apenas sua incomoda lembrança.

Michael, porém, sem conseguir parar de pensar na jovem, pressionado cada vez mais por suas obrigações, decidi ir procurá-la. Tudo o que ele vê em sua volta são relações infelizes, complicadas, o que faz suas dúvidas quanto a Jenna ainda maiores e seu sofrimento com o futuro quase insuportável. Izzy (Michael Weston), um amigo dele, não está disposto a se desapegar de Arianna (Marley Shelton), o grande amor de seu passado; Kenny (Eric Christian Olsen) é o típico garanhão bonito, que está com medo de se comprometer com sua última conquista Danielle (Cindy Sampson); Chris (Casey Affleck) é um colega de trabalho que é dominado por sua esposa neurótica, que esta preso em um rotina, por ter que criar com  ela seu filho recém-nascido; e, por fim, os pais de Jenna, Stephen (Tom Wilkinson) e Anna (Blythe Danner), estão enfrentando problemas no seu casamento, pois não conseguem mais esconder seu sofrimento na relação.

Ele, então, decide ir a uma festa com Kim e é colocado novamente frente à tentação. Desta vez, é ainda mais difícil para ele se afastar da jovem, conseguindo deixá-la apenas após experimentar a possibilidade de se sentir mais jovem, beijando-a inúmeras vezes. Devido a uma sequência de acontecimentos, quando chega em casa tem de enfrentar a suspeita de Jenna de que ele estava com outra mulher. Por mais que ele tente mentir, acaba sendo obrigado a contar sobre Kim e, por mais que insista que não tenha dormido com ela, sua namorada expulsa-o de casa.

Sozinho, deprimido e desesperado, Michael vai até a Kim, e, desta vez, nem tenta resistir a tentação de se envolver com ela. Para ele, estar com a jovem é uma fuga de tudo aquilo que esperam que ele seja, de uma realidade e de uma idéia de futuro que se tornou-se insuportável. Não precisa mais pensar em responsabilidades, em trabalho, filhos ou futuro: é a possibilidade dele se apegar a sua juventude e não deixá-la ir embora. Michael dorme com Kim e, apenas naquele momento, não pensa em mais nada.

Quando acorda de manhã, Michael mostra como o clichê “a gente só percebe o que perdeu depois que já perdemos” é verdadeiro. Após tomar uma atitude que coloca em risco todo o seu futuro com Jenna é que ele percebe como ela é tudo o que ele sempre quis e que ele quer assumir a responsabilidade de um futuro juntos, uma vez que isso sempre será mais verdadeiro que inúmeras noites de uma libertadora inconseqüência com Kim.

Ele é obrigado a contar a verdade para a jovem, de que ele ama sua namorada, que ela está grávida e que eles nunca teriam um futuro juntos. Michael tem que ver o sofrimento da jovem, mas agora sabe que a única coisa que tem a fazer é tentar conseguir com que Jenna o perdoe. Ele fica dias sentado em frente à porta de sua casa, esperando que ela o deixe entrar e voltar para a sua vida juntos. Demora, mas acontece.  Só que o fato de que ele a traiu, nunca vai ser apagado.

 

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