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Sobre o Projeto

A organização do Banco de Dados Eleitorais do NUPERGS começa em 1967 com o objetivo de desenvolver um amplo programa de pesquisas sobre o Comportamento Eleitoral no Rio Grande do Sul. A primeira etapa, entendida como um exercício de arqueologia política, consistiu no levantamento das fontes disponíveis, especialmente junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul , das estatísticas eleitorais sobre o período multipartidário compreendido entre 1947 e 1962. Posteriormente, o levantamento rotinizou-se atualizando periodicamente o acervo com as novas eleições. Apesar do ceticismo quanto relevância do processo eleitoral durante o período autoritário, a explosão oposicionista das eleições de 1974, viabilizou que a análise do perfil eleitoral de Porto Alegre, a nível de secção de voto comparando-o com a fase multipartidária, bem como ensejou a primeira análise dos padrões eleitorais do Estado, publicada em livro juntamente com análises sobre São Paulo e Minas Gerais.

 

Paralelamente às análises eleitorais, o grupo de pesquisadores lançou-se, dois anos após o survey pioneiro dos mineiros de 1966, na desafiante experiência das pesquisas de cultura e comportamento políticos, aproveitando a conjuntura favorável de 68, antes do AI-5, o que possibilitou que fossem incluídas questões sobre os militares no poder. Atualmente o acervo de dados contém a série de pesquisas tipo survey (Porto Alegre (1968, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1992, 1994 e 1996), Ijuí (1968) e Caxias do Sul (1976 e 1989).

Associado a esse banco de dados houve condições para o desenvolvimento de uma linha de pesquisa diversificada e cumulativa. Tomando como unidade de análise o município, e, mais tarde, as micro-regiões do IBGE, conseguiu-se definir o perfil básico do comportamento dos eleitores gaúchos, utilizando-se, para tanto, num primeiro momento, da análise tipológica para configurar os padrões eleitorais e o processo de estabilidade e mudança eleitoral, e, num segundo momento, da análise ecológica visando determinar a associação entre dados sócio-econômicos e preferência partidária.

 

Dentre os vários achados significativos sobre o comportamento político-eleitoral no período 1945/1964, constatou-se, por exemplo, que na fase multipartidária, tanto no estado considerado globalmente como ao nível local, apresentava um padrão persistente de bipartidarismo de fato polarizado pela opção populista (PTB e pequenos partidos populistas) e pela opção liberal-conservadora da coalização anti-PTB (PSD, PL e UDN); de outro lado, verificava-se que, além do alto grau de estabilidade no comportamento do eleitorado gaúcho, os níveis de identificação partidária da população urbana estudada revelavam-se também significativamente altos.

Estes dois traços básicos do perfil político-eleitoral gaúcho suscitaram uma série de hipóteses explicativas do fenômeno em termos regionais e a posterior comparação com o que ocorria em outros estados sugerindo a configuração de uma cultura política gaúcha. Na realidade o perfil político regional se mostra bastante singular em relação ao comportamento brasileiro em geral, especialmente se considerarmos o caráter competitivo e estável do sistema de partidos no Rio Grande do Sul nos últimos quarenta anos. Não se pode excluir a hipótese de que tal fenômeno esteja associado ao padrão bipartidário platense e sua cultura política.

 

Este acervo de dados viabilizou a realização de uma série de trabalhos ao longo do período, incluindo desde perfil de geografia eleitoral, tipologias eleitorais de municípios, padrões de comportamento eleitoral e análises ecológicas da preferência partidária no Rio Grande do Sul, a partir de dados agregados, até estudos apoiados em dados colhidos a nível atitudinal envolvendo análises sobre cultura política, participação política, identificação partidária e universo ideológico dos eleitores.