
Presidente Juscelino Kubitschek descerrando a placa da Faculdade de Arquitetura, em sua inauguração, em 1957 – Foto: acervo Museu da UFRGS
Década foi marcada pela inclusão das atividades de pesquisa nos objetivos de formação da Universidade. Muitos cursos foram criados e outros foram reestruturados
Para a UFRGS, os anos 1950 foram um tempo de expansão física. A época foi caracterizada pela elaboração de projetos para os campi, como o “Plano piloto da cidade universitária de Porto Alegre”, no Vale da Agronomia. Também remetem a esse período a instalação da colônia de férias em Tramandaí e o início das obras do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em 1958.
Com o desenvolvimento da Universidade, eram necessárias maiores e melhores condições administrativas, culturais e sociais. A centralização dos serviços administrativos, a unidade cultural da Instituição e a vida associativa de seus professores, funcionários e alunos eram fatores que demandavam a existência de um prédio à altura.
Reitoria – Fernando Petersen Lunardi, então professor da Universidade, foi o responsável pelo projeto com traços marcantes da arquitetura moderna. Para a concepção dos interiores foi contratado o arquiteto Frederico Michel Muller, também docente. O prédio da Reitoria, assim com o Salão de Atos e o Salão de Festas, concluídos em 1957, passaram a integrar a vida social da universidade e da cidade. As novas instalações, na primeira década desde a inauguração, passaram a receber os famosos Bailes da Reitoria, que marcaram a cena cultural de Porto Alegre.
Inaugurações – No final de 1957, foi realizada a primeira transmissão da Rádio da Universidade, projeto de destaque na gestão de Paglioli (1952-1964). A Rádio possibilitou à sociedade gaúcha o acompanhamento de transmissões integrais de concertos, recitais, palestras, programas jornalísticos, atos solenes e produções de unidades da Universidade. Em 1961, foi criada a Estação Experimental Agronômica. Com uma área total de 1.560 hectares, o local é utilizado como laboratório de pesquisas de campo e aulas práticas de graduação e pós-graduação dos cursos de Agronomia e de outras unidades da UFRGS, como as Faculdades de Veterinária e Ecologia, o Instituto de Biociências e o de Pesquisas Hidráulicas (IPH).
Reestruturação curricular – Durante os anos 50 e 60, muitos cursos foram criados e outros foram reestruturados. A Faculdade de Filosofia ganhou o Colégio de Aplicação, em 1954, concebido para ser sua escola-laboratório. Em plena era de “o petróleo é nosso” e “fora com os americanos”, decidiu-se criar o curso de Geologia, com a ideia de torná-lo um dos melhores do país. Para isso, vieram diversos docentes estrangeiros, inclusive estadunidenses. Também passaram a ser oferecidas as graduações em Arte Dramática, em 1957, e em Administração, em 1962. A Faculdade de Arquitetura foi inaugurada em 1957, com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek.
Pesquisa e produção de conhecimento – Merece destaque, também, uma importante mudança de paradigma na Universidade, que deixou de ser um estabelecimento tradicional voltado ao ensino para dedicar-se também à produção de conhecimento como um dos objetivos da formação acadêmica. Foram implantados os primeiros grupos e centros de pesquisa. Inicialmente, a atividade foi impulsionada principalmente pela Genética, que funcionava nos porões do prédio do Direito, e pela Física, localizada no edifício ao lado ao da ex-Química. Pelo convênio com a Capes, a instituição trouxe o cientista argentino Bernardo Houssay, Prêmio Nobel de Medicina, para organizar e começar a investigação científica em Fisiologia.
Colaboração internacional – Era uma época de grandes transformações no Brasil e no mundo. No contexto da guerra fria e com temor de que os países latino-americanos seguissem as ideias comunistas ou se inspirassem na Revolução Cubana (1959), os Estados Unidos intensificaram alguns e criaram outros programas com o objetivo de subsidiar o desenvolvimento capitalista no terceiro-mundo.
O “Ponto Quatro” (1949), expansão para essas regiões do Plano Marshall (que havia sido criado dois anos antes para incentivar a reconstrução econômica de 17 países europeus), chegou a financiar alguns projetos da instituição em diferentes momentos. A “Aliança para o Progresso”, criada por John Kennedy (1961) com a finalidade de prestar colaboração financeira e técnica na América Latina, ganhou uma agência específica para a mobilização das operações: a United State Agency for International Development, através da qual foram assinados diversos acordos na área da educação entre Brasil e Estados Unidos, chamados de MEC-Usaid (Ministério da Educação e Cultura e United State Agency for International Development). Essa cooperação beneficiou muitos grupos de pesquisa da UFRGS, seja através da aquisição de equipamentos importados, seja pelo apoio econômico para a realização de estudos no exterior.
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