Pranchas de comunicação alternativa para hospitais

Desenvolvidas pela UFRGS, as pranchas chegam a outros estados

O professor Eduardo Cardoso, do Departamento de Design e Expressão Gráfica da Faculdade de Arquitetura, é um dos coordenadores do projeto de desenvolvimento de pranchas pictográficas para auxiliar na comunicação de pacientes impossibilitados de se comunicarem oralmente, situação essa agravada devido a pandemia do COVID-19. A proposta foi desenvolvida por um grupo multidisciplinar de pesquisadores envolvendo Cardoso, a terapeuta ocupacional e aluna do Programa de Pós-Graduação em Design da UFRGS, Daianne Serafim Martins, a fisioterapeuta Rita Bersch, a fonoaudióloga Michelle Borges e a enfermeira Ana Beust da Silva.

A boa receptividade da ação rompeu fronteiras. A equipe vem recebendo pedidos de outros estados. “Tivemos a distribuição para todo o estado de Minas Gerais e do Espírito Santo, por meio do conselho de fonoaudiologia daquela região”, conta o professor Cardoso. Ele também revela que há uma proposta de requerimento (0621/20) da Deputada Estadual Marília Góes, requerendo à Secretaria de Saúde do Amapá a utilização das pranchas no atendimento em todas as unidades de saúde do estado.

O estado de Pernambuco também manifestou interesse. “Estamos trabalhando na versão digital em parceria com o grupo do professor Robson Fidalgo, da Universidade Federal de Pernambuco, por meio do aplicativo REAACT”, diz Cardoso. O professor destaca que a inovação vai facilitar a comunicabilidade para aqueles que têm necessidade de continuar com o uso da comunicação alternativa em casa, além de reduzir o custo por não demandar a impressão. “No caso do hospital, a prancha impressa é mais prática por causa da facilidade de higienização. O formato digital será útil para a pessoa que continua em tratamento. Muitos pacientes pediam para levar a prancha, mas agora será possível baixar para seguir a comunicação”, explica.

As pranchas são disponibilizadas em sites de parceiros, como outras federais (Pelotas, Juiz de Fora) e da ISAAC Brasil – International Society of Alternative and Augmentative Communication – Capítulo Brasileiro. Por meio da ISAAC, as pranchas foram traduzidas para para seis idiomas: espanhol, inglês, francês, italiano, alemão e chinês, além de ganhar uma versão em português de Portugal. Chegou, inclusive a ser divulgada pelo Centro Aragonés de la Comunicación Aumentativa y Alternativa (Arasaac), da Espanha, uma das mais importantes instituições da área.

Pranchas hospitalares em formato digital. Foto: Rochele Zandavalli

Os pesquisadores seguem em negociação para implantação da ação em outros estados e universidades. “Essa semana o Hospital da Unicamp começará uma capacitação e testes com as pranchas para início das atividades por lá também”, conta Cardoso.

O projeto inciou em Porto Alegre e região metropolitana, com a confecção de mil kits distribuídos em hospitais. Cada instituição recebeu em média 22 cartões. Em seguida, a ação foi uma das selecionadas pelo Ministério da Educação (MEC) para receber recursos por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED 9248), que visa o combate à pandemia. A partir de então, foram confeccionadas cerca de mais três mil peças impressas e plastificadas para remessa em kits com duas pranchas aos hospitais de todo o estado do Rio Grande do Sul.

Outras informações no site:https://www.ufrgs.br/comacesso/pranchas-caa-hospitalar/