A arte contemporânea diante das crises ambientais: interconexões entre natureza, tecnologia e pensamento decolonial na construção de futuros possíveis.
Neste texto, questiono como a arte pode atuar criticamente diante das crises ambientais e tecnológicas que marcam o Antropoceno. Inspirada nas reflexões de autores como Malcom Ferdinand, Bruno Latour, Yuk Hui, Ticio Escobar e Luciano Floridi. Procuro compreender as relações entre arte, natureza e tecnologias, articulando uma perspectiva que una pensamento teórico e práticas artísticas. Acredito que a arte contemporânea precisa assumir responsabilidade ética frente aos impactos humanos sobre o planeta, propondo novas formas de sensibilidade e coexistência.

Figura 2 – Circuito neonário árvore de vida misturando natureza e tecnologia conceito de espiritualidade digital arte fotorealista. Disponível em: https://pt.dreamstime.com/circuito-neon%C3%A1rio-%C3%A1rvore-de-vida-misturando-natureza-e-tecnologia-conceito-espiritualidade-digital-arte-fotorealista-image382133747. Acesso em 04/10/25.
Compreendo que o campo artístico não pode se manter alheio às transformações provocadas pelo avanço tecnológico e pelas mudanças climáticas. O conceito de infosfera, desenvolvido por Floridi, ajuda-me a perceber que vivemos em um ambiente híbrido, no qual o digital e o natural se entrelaçam. Nesse contexto, a arte torna-se um espaço de experimentação simbólica e política capaz de questionar a lógica capitalista e colonial que sustenta a exploração da Terra e dos corpos. É preciso valorizar as tecnodiversidades e outrs saberes, como propõe Yuk Hui, reconhecendo múltiplas formas de pensar e viver a tecnologia.

Figura 3 – Duas mãos segurando uma massa biodiversa. Disponível em: https://usegreenco.com.br/blogs/pense-mais-verde/biomimetismo-a-arte-de-colocar-as-licoes-da-natureza-em-pratica?srsltid=AfmBOoq51NSLiZKIggde8AFKvlJK-c5m9ElEMDfU4ZBRrAHwtd8X7AAe. Acesso em 04/10/25.
Penso que a arte pode contribuir para imaginar futuros possíveis, ao integrar práticas colaborativas, ecológicas e inclusivas. Por meio dela, podemos repensar nossos vínculos com Gaia e reavaliar a centralidade humana, abrindo caminho para modos de existência mais solidários. O diálogo entre arte, natureza e tecnologias, quando conduzido de forma crítica em perspectiva decolonial, oferece uma via potente para enfrentar catástrofes ambientais e criar alternativas sustentáveis e sensíveis.
Para acessar a publicação completa da Revista Porto Arte – v. 28 n. 50 (12/2024) do PPGAV da UFRGS e todas as informações contidas na edição, clique AQUI!
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Maria+Amelia+Bulhões+ (1)





