Proposição de Política sobre o Cuidado
de Pacientes Terminais com Dor Crônica
World Medical Association
Rancho Mirage/EEUU - 1990
Prefácio
O cuidado de pacientes terminais com dor crônica severa deve
possibilitar o tratamento que permita a estes pacientes um final de vida
objetivo e digno. Os analgésicos, tanto opióides como não-opióides,
estão disponíveis e, quando utilizados de modo adequado,
podem produzir um alívio efetivo da dor para a maioria dos pacientes
terminais. É uma incumbência do médico, e de todos
quantos cuidam de pacientes morrendo com dor crônica severa, compreender
claramente a dinâmica da experiência da dor, a farmacologia
clínica dos analgésicos e as necessidades do paciente, familiares
e amigos. É, também, imperativo, que os governos assegurem
que quantidades medicamente necessárias de analgésicos opióides
estejam disponíveis para sua adequada aplicação no
manejo da dor crônica severa.
Princípios de manejo clínico da dor crônica
severa
Quando um paciente está em estado terminal
o médico deve focalizar seus esforços no alívio do
sofrimento. A dor é apenas um componente do sofrimento do paciente.
Entretanto, o impacto que a dor tem na vida do paciente varia desde um
desconforto tolerável até a exaustão.
A experiência clínica tem demonstrado que, em geral, o
alivio da dor crônica severa de um paciente terminal não depende
tanto do tipo de opióide utilizado, mas, o ponto crítico,
é maneira com que a droga é utilizada.
É imperativo, entretanto, que o médico diferencie a dor
aguda e a dor que pode ser esperada como crônica, esta diferenciação
pode gerar importantes implicações no uso de analgésicos
opióides. Os seguintes princípios gerais devem orientar o
tratamento de dor crônica severa, particularmente, no uso de medicação
analgésica.
- O tratamento deve ser individualizado para satisfazer às necessidades
do paciente e mantê-lo tão confortável quanto possível.
- Deve ser compreendido que as necessidades do paciente com dor crônica
são diferentes daquelas dos pacientes com dores agudas.
- O médico deve conhecer a potência, duração
de ação e efeitos colaterais dos analgésicos disponíveis
para selecionar a droga apropriada, assim como a dose, via de administração
e horários que assegurem um alívio adequado à dor
do paciente.
- A combinação de anagésicos opióides e não-opióides
pode possibilitar um alívio maior da dor dos pacientes nos quais
os analgésicos não-opióides não são
mais suficientes. Isto pode ser atingido sem que se produza, concomitantemente,
um maior potencial de efeitos colaterais indesejáveis.
- O desenvolvimento de tolerância aos efeitos analgésicos
de um agonista opióide pode ser superado pela substituição
de um agonista opióide alternativo. Isto se baseia na falta de uma
completa tolerância cruzada entre os diferentes analgésicos
opióides.
- A dependência iatrogênica não deve ser considerada
como um problema primário ao tratar a dor severa em doença
neoplásica e nunca deve ser uma razão para não administrar
analgésicos fortes em pacientes que poderão se beneficiar
com eles.
- Os governos devem examinar a extensão na qual seus sistemas
de saúde, leis e regulamentações irão permitir
o uso de opióides para objetivos médicos, identificar os
possíveis impedimentos a tais usos e desenvolver planos de ação
para facilitar o suprimento e a disponibilidade de opióides para
todas as indicações médicas apropriadas..
World Psychiatric Association. Physicians, patients, society: human
rigths and professional responsabilities of physicians. Amsterdam: WPA,
1996:44-5.
Problemas de Fim
de Vida: Paciente Terminal, Morte e Morrer (aula)
Princípio do Duplo Efeito
Diretrizes, Normas e Leis em Assistência
à Saúde
Página de Abertura - Bioética
Texto revisado em 13/01/99
©Goldim/1997-1999