Abuso em Velhos
Prof. José Roberto Goldim

A questão do abuso em velhos começou a ser discutida na área da saúde a partir da metade da década de 1970. Em 1975, foi publicada uma carta denunciando esta situação em uma revista científica de grande respeitabilidade . O autor, G.R. Burston, médico de um hospital da Inglaterra, chamava a atenção para o fato de que muitos velhos chegavam para serem atendidos e ficavam evidentes os sinais de maus-tratos. O autor fez uma comparação dos maus-tratos em crianças (baby battering) com os dos velhos (granny-battering). Os estudos nesta área foram crescendo e em 1989 surgiu um periódico científico exclusivo para este tema: Journal of Elder Abuse & Neglect.

A caracterização de abuso foi utilizada inicialmente apenas para situações de dano físico intencional atingindo pessoas com mais de 65 anos, ou seja, maus tratos com lesões corporais. Posteriormente, a caracterização de abuso passou a incluir outras ações que podem gerar danos psicológicos, sociais e financeiros. A omissão, caracterizada por situações de negligência, também passou a ser considerada como abuso.

A repercussão para o indivíduo abusado é inegável, porém a magnitude social do problema ainda é incerta. Faltam estudos para estabelecer a ocorrência de situações de abuso em velhos. Alguns poucos estudos estimaram esta prevalência em 3,2%, nos Estados Unidos , 4,0% no Canadá  e de 5,4% na Finlândia . Este valor é muito menor que as situações envolvendo crianças (24%) ou cônjuges (58%). Os dados porém podem estar bastante subestimados, devido a desinserção social de muitos destes velhos abusados, falta de atenção dos profissionais de saúde para este tipo de situação e conseqüente subnotificação de casos.

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Burston GR. Letter: Granny-battering. Br Med J 1975 Sep 6;3(5983):592.


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