Caso
Paciente Terminal e Respeito à Pessoa
Uma paciente de 68 anos foi internada em uma UTI, com grave insuficiência respiratória, necessitando de respirador. Ela estava plenamente consciente e era capaz de opinar sobre os procedimentos que estavam sendo realizados. Os seus filhos e esposas estavam junto, dando apoio afetivo. A equipe médica, no dia seguinte, fez o diagnóstico de que ela tinha um quadro irreversível e que o seu prognóstico de sobrevida era não superior a 30 dias. A família foi informada deste diagnóstico, mas a paciente não. Os filhos solicitaram que esta informação não fosse revelada à paciente, pois não sabiam como ela lidaria com esta situação. A equipe médica atendeu a esta solicitação. Da mesma forma, discutiram com a equipe sobre quais medidas poderiam ser tomadas com o objetivo de reduzir o sofrimento da paciente. O médico responsável pelo atendimento, que não tinha vínculo anterior nem com a paciente nem com os familiares, sugeriu sedar a paciente, pois assim o desconforto do respirador seria menor. Os filhos e noras aceitaram a sugestão e a paciente foi sedada sem ser informada desta decisão. Após isto, o filhos vinham receber informações e visitá-la uma vez ao dia.

Em horário noturno, quando a paciente já estava sedada sete dias, uma pessoa,  apresentando-se como sobrinho da paciente, solicitou ao médico plantonista da UTI,  que ela fosse "acordada" para fornecer a senha de uma conta bancária, pois era muito importante para ela movimentar determinado valor. O plantonista, sem consultar outro profissional, nem evoluir no prontuário, ordenou à equipe de enfermagem que descontinuasse a administração de sedativo, atendendo a solicitação do pretenso familiar. Na manhã seguinte, quando a paciente ainda não estava plenamente consciente, o médico assistente foi informado pela equipe de enfermagem que a medicação havia sido alterada. Imediatamente mandou administrar a medicação. Mais tarde, quando os filhos vieram, como de hábito, visitar a paciente e ter informações, souberam, do ocorrido pelo médico assistente. Disseram não conhecer tal familiar nem ter notícia desta conta bancária. A paciente foi mantida sedada por mais cinco dias, quando morreu por insuficiência de múltiplos órgãos.



Casos
Material de Apoio  - Gerontologia e Envelhecimento
Página de Abertura - Bioética

Incluído em 22/07/2000
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