Caso Hexametônio
Morte de Voluntário em Pesquisa
José Roberto
Goldim
O Hexametônio
(hexamethonium) é uma substância química que já
foi comercializada como droga entre as décadas de 1940 e 1960, com
o nome de Vegolysen (hexamethonium bromide) e Vegolysen T (hexamethonium
tartrate). O Hexametônio é um antagonista dos receptores nicotínicos,
tendo sido liberado pelo FDA/EUA para o tratamento de hipertensão
e de hemorragias durante cirurgias. Foi liberado apenas em comprimidos
e não para inalação. O fabricante retirou o hexametônio
do mercado, pois novas drogas já estavam no mercado com a mesma
finalidade. Atualmente esta substância química vem sendo utilizada
apenas experimentalmente.
Existem
inúmeros
artigos publicados nas décadas de 1950 e 1960, que podem ser
acessados por bases de dados disponíveis, tipo OLDMEDLINE
ou Pneumotox que relatam complicações
com o uso de Hexamethonium especialmente pneumonia, bronquiolite obliterante
e fibrose pulmonar. Poucos estudos recentes utilizaram o Hexametônio
em pacientes ou voluntários. O estudo mais recente data de 1993.
Os demais estudos publicados desde 1993 utilizam modelos
animais ou material biológico isolado.
Uma equipe de
pesquisadores, da qual faz parte o Prof.
Alkis Togias, do Bayview Medical Center, vinculado a Universidade Johns
Hopkins, de Baltimore/EUA, obteve, em 1998, um financiamento de mais
de um milhão e meio de dólares norte-americanos do National
Heart, Lung and Blood Institute, para desenvolver uma linha de pesquisa
sobre a resposta das vias aéreas a substâncias químicas,
incluindo o Hexametônio e a Metacolina. Estavam previstos estudos
com 290 voluntários sadios. A linha de pesquisa deveria ser desenvolvida
entre 15/12/1998 e 30/11/2002.
Um dos sub-estudos
desta linha, submetido para aprovação pelo Comitê de
Ética em Pesquisa (IRB) do Mayview Medical Center previa na
sua primeira fase que voluntários fariam 4 testes com Metacolina,
para excluir a possibilidade de asma. Na etapa seguinte seria feito um
estudo entre as reações ao Hexametônio ou apenas do
veículo utilizado para sua administração, verificando
a quantidade de Óxido Nítrico exalado. No encaminhamento
do projeto os pesquisadores não explicaram a questão do uso
apenas do veículo (item B.iii), apesar de constar no Consentimento
Informado. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética
em Pesaquisa ou Institutional Review Board (IRB), como são denominados
nos Estados Unidos. Neste estudo seriam pesquisados 10 voluntários
sadios para verificar a resposta fisiológica a estas substâncias.
De acordo com as informações que estavam contidas no Termo
de Consentimento Informado, os participantes seriam compensados pelo
tempo dispendido no projeto, de 7 a 9 visitas, com US$365,00, sendo US$25,00
pelas primeiras visitas e US$60,00 pelas visitas da etapa experimental.
Cronologia do
fatos
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26/07/2000 - O Dr.
Alkis Togias encaminha o projeto "Mechanisms of deep inspiration-induced
airway relaxation" ao Comitê de Ética em Pesquisa do Bayview
Medical Center da Universidade Johns Hopkins, para análise e aprovação.
O projeto tinha por base apenas quatro referências bibliográficas,
sendo uma de 1980, duas de 1985 e outra de 1988.
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10/08/2000 - Dr.
Gary Briefel, coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa (IRB)
do Bayview Medical Center da Universidade Johns Hopkins solicitou
maiores informações aos pesquisadores, especialmente quanto
ao "fornecedor do Hexamethonium e como seria utilizado de forma segura
em seres humanos". Outra informação solicitada foi a relativa
a participação de alunos e funcionários da Universidade
como voluntários.
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14/09/2000 - Dr.
Alkis Togias respondeu informando que um médico sempre estaria presente
durante a utilização o Hexamethonium, devido ao seu efeito
hipotensor, e que o fornecedor seria a empresa Fluka,
vinculada a Sigma. No rótulo do hexamethonium bromide fornecido
pela Fluka consta: "For laboratory use only. Not for drug, household,
or other use". O pesquisador ainda não tinha tido contato direto
com o produto que iria investigar.
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18/09/2000 - O Projeto
foi aprovado pelo IRB do Bayview Medical Center da Universidade Johns Hopkins,
aprovação válida até 18/09/2001.
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23/04/2001 - A primeira
voluntária é incluída no estudo. Esta voluntária
teve tosse de 25 de abril a 3 de maio. Os pesquisadores não informaram
o IRB deste evento adverso. Relacionaram esta reação com
a acidez do Hexametônio. Os pesquisadores acrescentaram bicarbonato
de sódio ao Hexametônio sem notificar o IRB desta mudança
no projeto de pesquisa. A Universidasde Johns Hopkins, posteriormente justificou
estas duas falhas de comunicação devido a um surto
de problemas de vias aéreas superiores que estava ocorrendo no campus
da Universidade e de que a inclusão do bicarbonato de sódio,
apesar de ser uma alteração no projeto , visava o "conforto
para os participantes".
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06/05/2001 - A terceira
voluntária, Ellen M. Roche, de 24 anos, funcionária do laboratório
da instituição, foi testada com o uso de Metacolina e com
o Hexametônio. Antes dela um outro voluntário foi testado,
já utilizando a combinação de Hexametônio e
bicarbonato de sódio, sem qualquer intercorrência relatada.
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07/05/2001 - Ellen
M. Roche começou a ter tosse seca, falta de ar quando executava
algum esforço, dores musculares e febre, características
de um estado gripal, que não apresentava antes da realização
dos testes com Metacolina..
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09/05/2001 - A voluntária
foi internada no hospital. O pesquisador principal, Dr. Alkis Togias, classificou
o episódio como um evento adverso grave. O relato deste evento foi
feito ao IRB. Em carta ao Dr. Briefel relatou que existiam referências
sobre a ocorrência de bronquiolite obliterante após o uso
de Hexametônio. Nem ele nem o IRB que avaliou o projeto tinham esta
informação antes da aprovação do projeto. A
sua pesquisa baseou-se nos dados do sistema MEDLINE e em livros de Farmacologia
e Pneumologia. Como a droga foi retirada na década de 1960, os relatos
baseados na MEDLINE são posteriores. Nos programas de busca de informações
disponíveis na Internet é possível encontrar informações
sobre o Hexametônio publicadas nas décadas de 1950 e 1960,
onde constam relatos
de casos de bronquiolite obliterante.
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17/05/2001 - O estudo
foi interrompido, pois a voluntária ainda continuava internado.
O Dr. Chi V. Dang, vice-diretor de pesquisas da Universidade Johns Hopkins
informou que a voluntária antes de ser testada foi examinada minuciosamente,
inclusive quanto ao funcionamento de seus pulmões, tendo sido declarada
como fisicamente sadia antes de usar a droga.
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02/06/2001 - A voluntária
Ellen M. Roche tem seu quadro agravado e a família autoriza a retirada
dos equipamentos de suporte à vida. Logo após a voluntária
morre.
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06/06/2001 - Dr.
Dang comunicou que a voluntária Ellen M. Roche havia falecido. Este
comunicado foi feito ao OHRP (Office for Human Research Protection, órgão
do governo norte-americano responsável pelo acompanhamento das pesquisas
em seres humanos), ao FDA (Food and Drug Administration, responsável
pela liberação e acompanhamento do uso de medicamentos nos
EUA) e ao próprio National Heart, Lung and Blood Institute, por
ser o órgão financiador.
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13/06/2001 - O jornal
Baltimore Sun publica uma notícia, sem detalhes, sobre uma morte
em um estudo sobre asma na Universidade Johns Hopkins.
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14/06/2001 - A Universidade
Johns Hopkins liberou a informação sobre a morte de um voluntário
participante do estudo, sem revelar maiores detalhes, inclusive a sua identidade,
sexo e estágio da participação no estudo. A Universidade
alegou o respeito a vontade dos familiares para não revelar estas
informações. A porta-voz da Universidade afirmou que a instituição
não pode ser responsabilizada pela morte ocorrida. A rede de televisão
NBC divulgou uma
notícia
de 4 linhas sobre a morte de uma voluntária em um estudo da Universidade
Johns Hopkins.
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15/06/2001 - O OHRP
emitiu um alerta a todos os Comitês de Ética
em Pesquisa norte-americanos ou estrangeiros credenciados, alertando
sobre a morte de um voluntário após a inalação
de Hexamethonium, sem que houvesse uma relação causa-efeito
determinada. Devido aos possíveis riscos com o uso do Hexamethonium
foi sugerida a interrupção temporária preventiva de
todos os estudos com a utilização desta substância
em todas as instituições de pesquisa. O jornal New
York Times e a rede CNN
divulgam internacionalmente a notícia da morte da voluntária.
As informações divulgadas pelo New York Times foram obtidas
junto ao OHRP com base na Lei de Liberdade de Informação
norte-americana.
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16/06/2001 - O jornal
New
York Times amplia os detalhes da notícia informando o público
leigo sobre o ocorrido. A porta-voz da Universidade Joann Rodgers
disse que a utilização de substâncias químicas,
não fabricadas como drogas, é uma "prática padrão"nas
atividades de pesquisa. Informou também, que a o Hexametônio
tem sido utilizado em outros locais sem qualquer reação adversa.
A Universidade Johns Hopkins divulga na internet os documentos
que comprovam a aprovação do projeto.
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18/06/2001 - A imprensa
leiga norte-americana revela os dados de identificação da
voluntária e outros detalhes do estudo até então não
divulgados.
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21/06/2001 - A revista
Nature publica uma nota sobre a morte da voluntária em um estudo.
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22/06/2001 - A revista
Science publica uma notícia sobre o caso.
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28/06/2001 - O FDA
divulga um relatório
de inspeção realizado na Universidade Johns Hopkins detalhando
as falhas verificadas no projeto. O relatório aponta para os problemas
de não haver sido notificado o evento adverso na primeira voluntária
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30/06/2001 - A revista
Lancet e o British
Medical Journal publicam notícias sobre a morte da voluntária.
Alguns artigos
questionam sobre a possibilidade da morte ter sido evitada e sobre a validade
de estudos deste tipo. Uma carta publicada no Washington
Post, pelo Prof. Frederick Wolff, da Universidade George Washington,
descreve a morte da voluntária como sendo não necessária,
pois já haviam relatos na literatura científica sobre o "hexamethonium
lung".
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02/07/2001 - O advogado
da família da voluntária que morreu, Craig
Schoenfeld, afirmou que está sendo conduzida uma investigação
paralela para levantar dados para o caso e que irá aguradar os relatórios
federais para se manifestar.
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03/07/2001 - 0 Dr.
David LePay, consultor para Ciências Clínicas do FDA, órgão
responsável pelo controle de alimentos e medicamentos nos EUA, informou
que os pesquisadores deveriam ter solicitado autorização
para o uso de uma substância química como droga em um experimento
científico. Universidade
de Harvard divulgou o relatório do FDA para os seus pesquisadores
salientando que mesmo pequenas alterações nos projetos de
pesquisa devem ser comunicadas ao comitê de ética em pesquisa
para conhecimento e aprovação.
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13/07/2001 - A Universidade
Johns Hopkins remete uma carta
ao OHRP explicando detalhes sobre o que ocorreu no processo de avaliação
e sobre os resultados da comissão interna de avaliação.
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16/07/2001 - A Universidade
Johns Hopkins divulga um relatório onde assume a responsabilidade
pela morte da voluntária, indicando que o pesquisador e o Comitê
de Ética em Pesquisa que avaliou o projeto falharam em proteger
os participantes.
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19/07/2001 - O OHRP
suspende
todas as pesquisas envolvendo seres humanos que tinham alguma forma
de financiamento público desenvolvidas na Universidade Johns Hopkins.
A estimativa é de que sejam 2400 projetos interrompidos. A Universidade
Johns Hopkins recebeu, em 2000, cerca de 310 milhões de dólares
para a pesquisa, oriundos do governo federal norte-americano. Foi a instituição
de pesquisa que mais recebeu recursos federais nos últimos nove
anos. As condições impostas para a Universidade, além
da interrupção, foram as de que deverá reestruturar
o seu sistema de proteção e segurança para os participantes
de pesquisas, reestruturar o sistema de comitês de ética em
pesquisa (IRBs) e montar um plano de educação para os pesquisadores
sobre os aspectos éticos e legais envolvidos em pesquisas envolvendo
seres humanos. O FDA afirmou que toda e qualquer pesquisa que envolva drogas
não aprovadas deve ser submetida a sua apreciação.
O projeto do Dr. Togias, pesquisador responsável pelo projeto do
Hexametônio, não foi encaminhado para o FDA. Alguns pesquisadores
reclamaram que para projetos oriundos da indústria farmacêutica
o FDA exige um grande volume de informações, que pode gerar
custos equivalentes a US$50.000,00 por projeto, porém, nas pequisas
com universidades, estes critérios são bem menos exigentes.
Se os padrões fossem uniformes talvez a morte da voluntária
poderia ter sido evitada. A Universidade Johns Hopkins se manifestou
ao OHRP afirmando que a suspensão das pesquisas foi precipitada.
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20/07/2001 - A Universidade
Johns Hopkins elaborou um conjunto de perguntas
e respostas que deveriam servir de orientação para a
adequada informação dos participantes de projetos de pesquisa
realizados na instituição. A revista Science publica
uma nova notícia, com mais detalhes, sobro o caso, chamando a atenção
para o fato de que os procedimentos de segurança falharam neste
projeto.
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21/07/2001 - A Universidade
Johs Hopkins remete uma carta
ao OHRP rebatendo algumas das questões levantadas no relatório
e acatando outras sugestões. A Universidade se compromete a cumprir
o plano se ação estabelecido pelo OHRP.
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22/07/2001 - O
OHRP
impõe algumas condições para que os projetos de
pesquisa da Johns Hopkins possam ser retomados. Estabeleceu um plano de
ação que deverá ser cumprido, onde constam atividades
de avaliação de projetos e dos próprios IRBs, atividades
educativas para pesquisadores e mmebros dos IRBs, criação
de mais IRBs e comitês de revisão de projetos já aprovados,
entre outras medidas. Uma sugestão é de que seja criado pelo
menos mais um IRB na Universidade, além dos atuais três comitês
existentes.OHRP
impõe algumas condições
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23/07/2001 - Algumas
das 2400 pesquisas da Universidade Johns Hopkins começaram
a ser permitidas pelo OHRP. Os projeto que envolvem riscos mínimos,
tipo coletas de saliva e de urina, poderiam ser recomeçados, assim
como os que lidam com "os melhores interesses" de pacientes, como os portadores
de doenças muito graves, poderiam ser retomados, a critério
da Universidade. Alguns projetos poderão demorar meses para serem
reiniciados, pois terão que ser reavailados um a um. Caso um pesquisadore
responsável deseje incluir algum novo participante em projetos terapeuticos
deverá encaminhar uma carta ao IRB solicitando autorização
expressa para isto, onde deverá informar sobre o número e
título do projeto, qual a intervenção que será
feita, a doença em estudo, detalalhamento do cuidado padrão
oferecido aos pacientes que não participarem do estudo e compará-lo
com o que será oferecido no projeto, justificar por que o participante
deve ser incluído no estudo e informar o tempo disponível
para a sua inclusão.
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25/07/2001 - A Universidade
da California, em San Francisco, que se dedica às Ciências
da Saúde, revelou que em 1978
em um estudo utilizando Hexametônio, citado no projeto de pesquisa
da Universidade Johns Hopkins, ocorreram problemas com os voluntários
pesquisados. O projeto, realizado pelo Prof. Homer A. Boushey, iniciou
com uma etapa onde três dos cinco pesquisadores se submeteram ao
uso de Hexametônio inalado para verificar os efeitos. Não
foram verificados quaisquer efeitos danonos. O estudo iria pesquisar seis
voluntários normais. O primeiro teve dor de cabeça e mal-estar
generalizado, abandonando o estudo. Os pesquisadores não relacionaram
estes efeitos ao uso do Hexametônio e o estudo continuou. O segundo
voluntário teve problemas respiratórios (dispnéia
e sensação de "fechamento" do tórax). Esta condição
de saúde necessitou atendimento em um serviço de emergência.
Os médicos, que não faziam parte do estudo, trataram o paciente
com antibióticos, como se fosse uma pneumonia viral. A sua condição
de saúde melhorou gradualmente. Estas ocorrências não
foram relatadas, pois na época não havia regulamentação
a este respeito. O artigo publicado não continha qualquer referência
a estes episódios.
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27/07/2001 - O jornal
New
York Times publicou uma foto da voluntária que morreu no estudo.
A foto foi fornecida pela Universidade Johns Hopkins.
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08/08/2001 - A Comissão
Externa de Avaliação, nomeada pelo Presidente da Universidade
Johns Hopkins, enviou o relatório de suas investigações.
Neste documento apontam inúmeras falhas ainda não apresentadas
anteriormente. Com relação ao pesquisador responsável
assinalaram as seguintes questões: revisão da literatura,
preparo do material a ser inalado, alteração do projeto sem
autorização e comunicação dos eventos adversos.
A Comissão achou "razoável e consistente" a revisão
bibliográfica feita pelo pesquisador. A preparação
do hexametônio inalável no prórprio laboratório
de investigação, e não por um serviço especializado
foi um ponto novo de extrema importância. Assinalaram que houve uma
falha em não comunicar o que ocorreu com a primeira voluntária,
que deveria ter sido descrito como um evento edverso sério ou não
esperado. Outras questões muito significativas foram as relacionadas
ao processo de avaliação do sprojetos na Universidade. A
maioria dos serviços e departamentos encaminha os projetos de seus
pesquisadores para serem avaliados pelo IRB sem antes verificar os aspectos
de valor científico, validade do delineamento proposto e segurança.
As reuniões dos IRBs não tinham atas registradas nos últimos
18 meses. O IRB do Campus Bayview avaliou 150 projetos em um ano e o IRB
do Campus Baltimore Leste avaiou 800 projetos. A forma utilizada para avaliar
era enviar cópias de todos os projetos para os memebros do IRB e
solicitar que apresentassem seus comentários de forma resumida em
um espaço de 7,5cm por 5cm de um formulário pré-impresso.
As deliberações eram feitas com qualquer quórum
em subcomitês. O projeto do Prof. Togias tinha apenas quatro campos
de comentários preenchidos neste formulário, o que sugeriu
a participação de apenas quatro membros neste processo. Os
comentários eram os relativos a segurança e pureza do hexametônio.
Tudo sugere que o projeto não tenha sido discutido em qualquer reunião
do IRB, apesar de não haver certeza disto pela falta de atas das
reuniões. Outro ponto levantado foi com relação ao
Termo de Consentimento Informado. Neste documento o hexametônio é
citaod como "medicamento" que era utilizado como "anetésico". Atualmente
esta susbstância química não é considerada mais
um medicamento, desde 1972, nem era utilizada, quando aprovada, como
anestésico, mas sim como vasodilatador. Da mesma forma, não
estava descrito que esta substância era comumente utilizada por via
endovenosa e não por inalação, onde poucos estudos
descreveram sua ação. Finalmente, a Comissào levantou
a possibilidade de possível coerção na participação
de voluntários hígidos pertencentes aos quadros funcionais
ou discentes da própria Universidade. Os funcionários que
desejassem participar de estudos eram liberados de seu horário de
trabalho para tal, além de receber os eventuais ebnefícios
financeiros pela sua participação. A Comisão Interna
de Avaliação, que já havia dado seu relatório
anteriormente, havia dito que não houve possibilidade de coerção
na participacão da voluntária. A Comissão concluiu
destacando que em várias entrevistas realizadas durante os seus
trabalhos foi verificado que muitas pessoas vinculadas à Universidade
acham que a supervisão e o processo de avaliação dos
projetos são uma barreira para a pesquisa e devem ser reduzidos
ao mínimo ao invés de reconhecer estas atividades como salvaguardas
ao próprio processo. Estas questões foram respondidas pelo
próprio Prof. Togias, em uma série de comentários
concordantes e discordantes.
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21/08/2001 - A Comissão
Externa de Avaliação faz um adendo ao seu relatório
levando em conta as considerações do pesquisador responsável.
Terminam o seu documento dando um voto de confiança à Universdiade
Johns Hopkins, ao afirmar que "as ações (propostas pela própria
Universidade e pelo OHRP) irão corrigir e aumentar a pesquisa clínica
na Johns Hopkins assim como fornecer um modelo para outros centros médicos
acadêmicos".
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29/08/2001 - O jornal
Washington Post publicou uma reportagem sobre o relatório da
Comisão Externa de Avaliação. Destacou que os problemas
verificados respnsabilizam a Universidade Johns Hopkins pela morte da voluntária.
-
31/08/2001 - O jornal
New
York Times publicou uma reportagem semelhante, destacando os diferentes
itens levantados pela mesma Comissão Externa de Avaliação.
Salientou, contudo, que os comitês de ética em pesquisa -
IRB - estavam com excesso de demanda.
Acompanhar
a análise deste projeto
utilizando os critérios usuais de avaliação utilizados
por um Comitê de Ética em Pesquisa.
Este caso
deve permitir uma ampla reflexão por parte de todos os pesquisadores
e membros de comitês de ética em pesquisa sobre as suas responsabilidades
e deveres para com os participantes de projetos de pesquisa e para com
a sociedade como um todo. As instituições de pesquisa também
devem refletir sobre as suas políticas de avaliação
e acompanhamento dos projetos de pesquisa realizados com o seu aval.
Texto atualizado em 05/09/2001
(c)Goldim/2001