Caso
Coleta de Material Biológico Sem Autorização
José Roberto Goldim
Em maio de 2003 foi divulgado pela
imprensa que entre 1970 e 1999, pelo menos 20 mil cérebros foram removidos e
usados em pesquisas científicas inglesas. Esta situação começou a ser averiguada
com a denúncia da esposa de um homem que foi sepultado sem o seu cérebro. Ela
fez esta descoberta 13 anos após o seu falecimento, ocorrido em 1987. Em
2000 foi constatado que cerca 60% dos 30 mil cérebros que estavam em laboratórios da
Grã-Bretanha haviam sido retirados sem autorização ou conhecimento das
famílias dos cadáveres. Em um dos projetos, onde as condições de obtenção já
foram melhor esclarecidas, foi constatado que um funcionário de um necrotério de um
hospital inglês recebia US$ 16 por cérebro coletado.
Esta situação fica ainda mais grave com relação à comunidade judaica. A tradição
religiosa judaica exige que o corpo seja enterrado na sua totalidade. O
rabino Chaim Rapoport, especialista em questões médicas, afirmou que "o corpo de
um judeu deve ser enterrado com a devida dignidade, não fazer isso é um crime
grave''. Segundo este mesmo rabino, as únicas exceções admissíveis seriam
as relacionadas à doação de órgãos do cadáver para transplantes, pois assim
ajudariam a salvar a vida de outra pessoa.
Vale lembrar que em 1999 já haviam sido denunciadas outras situações semelhantes envolvendo a coleta de órgãos de cadáveres de crianças também sem o conhecimento da família, também na Inglaterra.
Obs.:
Os dados relativos a este caso foram baseados
nas informações publicadas no jornal
Zero
Hora de 26/05/2003
(acesso mediando cadastro aberto)
Pesquisa em
Cadáveres e Material Biológico
Página de Abertura - Bioética
Caso incluído
em 26/05/20032
(C)Goldim/2003