Um programa criado na FACED articula o ensino, a pesquisa e a extensão através dos saberes docentes na área da alfabetização. O Lápis, Laboratório de Alfabetização, que busca qualificar os saberes sobre o ensino e durante a pandemia buscou entender formas de alfabetizar através do ensino remoto. O projeto lançou a primeira edição do seu curso, Laboratório de Ensino Remoto, que contou com mais de 900 profissionais da educação de todo o país inscritos e discutiu os efeitos da alfabetização durante a pandemia, além de compartilhar as experiências destes profissionais.
Os problemas reais debatidos pelo Lápis ficam visíveis no relato de uma funcionária da Secretaria Municipal de Educação de Novo Hamburgo, Driele Severo, que falou à UFRGS TV sobre a dificuldade de formular um plano de ensino sem ter como se conectar com as crianças.
“Pensar em propostas que a gente possa fazer para as crianças sem intermediação, sem conseguir orientar a família foi muito difícil. Trazer uma proposta significativa para mandar para o aluno – do terceiro ano como era uma das turmas que eu tinha – se fosse significativa no processo de alfabetização, mas eu não ia conseguir conversar com essa família. Às vezes eu mandava uma mensagem e recebia resposta duas semanas depois. Porque era a semana que eles colocaram os dados móveis. Então foi bem difícil. Mas acabamos então enviando atividades impressas, né. E a comunidade passando por inúmeras dificuldades e com quem a gente tinha contato solicitando apoio e ajuda para várias coisas, inclusive na alimentação”, salientou a educadora.
Para a professora da FACED e coordenadora do Lápis Patrícia Camini, um dos principais diagnósticos identificados pelo Lápis, foi a percepção da sociedade de que os responsáveis pela falta de qualidade na educação na pandemia era dos professores.
“Isso é muito natural para sociedade aceitar que o professor faça tantos sacrifícios para poder ensinar. E na pandemia com esse difícil acesso aos alunos pela internet, o professor multiplicou algo que ele já fazia e já cobrava um preço muito alto. E até no curso de extensão a gente vem trabalhando com isso: que é sobre como poder personalizar o ensino? Como poder fazer isso, de abrir múltiplas portas para o conhecimento? Só que isso não pode ser às custas da saúde mental do professor. Tem uma infraestrutura básica que precisa ser fornecida que não é o professor que tem se responsabilizar por essas condições materiais.”
Conheça mais sobre o projeto Lápis e todas as suas frentes de atuação no programa da UFRGS TV.
Anderson Cardozo, estudante do 6º Semestre de Jornalismo da UFRGS


