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Considerações sobre transexualidade

A distinção entre mulheres transexuais e travestis é uma construção socialmente naturalizada, sobretudo, pelo discurso médico que patologiza e diagnostica esses sujeitos. Essa distinção pressupõe um ideal do que é ser transexual e do que é ser travesti normatizando esses sujeitos a partir de conceitos essencialistas e universalizantes. Para a pessoa transexual a ciência médica reserva tratamentos e procedimentos cirúrgicos, já para a travesti, apenas o estigma da perversão e da prostituição. Considerar que o ideal de toda pessoa transexual é cirurgiar-se é também negar a multiplicidade desses sujeitos. Nem todos os sujeitos transgêneros buscam esses ideais de feminilidade e masculinidade esperando realizá-los por completo na cirurgia de adequação anatômica. Nem todas as pessoas trans têm a mesma relação de rejeição e disforia com seu corpo ou querem sujeitar-se ao rigoroso protocolo médico. Ao defender essa separação radical entre uma noção e outra, estamos novamente sujeitando esses devires do gênero à mesma lógica normativa que deslegitima a identidade de pessoas transexuais e, com isso, sustenta o mesmo pensamento de que homens e mulheres trans não são homens e mulheres de “verdade”.  No caso das travestis, o cenário é ainda pior, pois, ao serem desassistidas até mesmo pela medicina (que não prevê qualquer tipo de acompanhamento médico a essas pessoas), sobra apenas a margem e a abjeção. Ainda, em relação às travestis, segundo a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), elas rechaçam, via de regra, a ideia de serem apontadas como homens e, portando, é considerado desrespeitoso usar identificação e pronomes masculinos.

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Woman, Xavier Veilhan

Desse modo, para que estes sujeitos conquistem autonomia e legitimidade de si mesmos é preciso rejeitar as normativas de gênero e, consequentemente, binarismos que os constroem, ao mesmo tempo em que são construídos culturalmente, principalmente na linguagem. Entender que gênero é uma construção, uma performance como diz Judith Butler, é avançar na discussão e na conquista de espaço político desses sujeitos.

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Antony Gormley

TEXTO

Caio Ramos

REFERÊNCIAS

BUTLER, Judith. Problemas de Gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

LEITE JÚNIOR, Jorge. “Nossos corpos também mudam:” sexo, gênero e a invenção das categorias “travesti” e “transexual” no discurso científico. 2008. Tese (Doutorado em Ciências Sociais). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo.

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