IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL
Nísia Martins do Rosário
Você já pensou no quanto é possível comunicar sem o uso das palavras? Costumamos prestar atenção mais direta às palavras porque elas nos parecem lógicas e aparentam formatar uma mensagem mais completa. Na infância aprendemos a falar, na vida escolar aprendemos a escrever e somos ensinados sobre os usos da gramática da nossa língua, mas não somos capacitados da mesma forma para compreender gestos, expressões faciais, posturas, entre outros. Assim, cria-se o juízo de que comunicação é apenas verbal. Todavia Ray Birdwhistell (1970), antropólogo estadunidense, afirma que mais de 60% da comunicação humana é não verbal. Esse dado evidencia a importância de prestarmos atenção e nos capacitarmos para decodificar a linguagem não verbal. A aptidão que desenvolvemos para desvendar tal domínio, na maioria das vezes, fica no âmbito da experiência e da bagagem de vivências que acumulamos ao longo da vida.
Quando se estuda as corporalidades, o não verbal assume relevância, pois amplia exponencialmente a gama de recursos expressivos e efeitos de sentidos da comunicação. Nessa perspectiva, é pertinente buscar identificar os traços distintivos ou estruturalidades (LOTMAN, 1999) que operam como indicadores de sentidos, auxiliando a entender o processo de significação do corpo. Esses traços distintivos podem ser sistematizados em porções organizadas – feixes – que, conforme se articulam com outras estruturalidades, vão compondo as mensagens. Por outras palavras, determinados aspectos da gestualidade unidos a certas características da expressão facial e da postura, por exemplo, compõem uma mensagem. Assim, pode-se afirmar a existência de elementos básicos da expressão do corpo que são comuns a determinados grupos sociais e, a partir da observação, é possível encontrar feixes de traços distintivos em: etnia, gênero, marcas físicas individuais, gestos, posturas, expressões faciais, espacialidades, tato, olfato, paladar, vestimenta, adereços e maquiagem.

Traços étnicos constituem marcas distintivas principalmente de cor da pele, cor e a textura do cabelo, formato dos olhos, dos lábios e do nariz e, até mesmo, porte físico. Essas características vão determinar a possibilidade de pertença a um grupo, impondo determinados sentidos culturais. Os sentidos de etnia vão se configurar de acordo com as combinações dos elementos que compõem esse feixe e se manifestam automaticamente, uma vez que estão ‘impressos’ no físico por determinações genéticas – a não ser que sejam modificados por técnicas e procedimentos estéticos, médicos, entre outros. A manifestação desses traços não pode ser evitada, do mesmo modo que sua significação, e, assim, sua comunicação vai acontecer independentemente da vontade dos sujeitos que as manifestam, o que, na nossa cultura, se recobre de estereótipos e hierarquias. No que diz respeito às regulações impostas sobre as diversas etnias, é relevante, por exemplo, como o movimento de mulheres negras que assumem os traços originais de seus cabelos tem sido capaz de tensionar a estética feminina e fazer os códigos de beleza se deslocarem acolhendo o cabelo afro, mas, sobretudo, auxiliando a tensionar o lugar da negritude na cultura. Claro que se observam resistências a esses tensionamentos, o que expressa o percurso das disputas de sentido que se dão por meio da linguagem do corpo.
O feixe distintivo de gênero se configura pelo volume dos seios/peito, amplitude do tórax, largura dos ombros, tamanho do quadril, formato do rosto, corte de cabelo, forma da cintura, tipo de órgão genital, entre outros aspectos. No processo de significação, esses traços indicam sexo biológico, identidade de gênero e são, ainda, duramente codificados. Os sistemas modelizantes têm operado com rigor nesse âmbito, produzindo e legitimando a estereotipização do sistema binário homem/mulher. O gênero ocupa uma dimensão importante na significação do ser no mundo e tem um caráter automático de produção de sentido quando se refere aos humanos (tanto quanto os traços étnicos), assumindo relevância primordial e determinando categorizações. Basta perceber que uma das primeiras curiosidades/problemáticas a ser resolvida na gestação é a descoberta do sexo do bebê. Nessa via, o gênero se associa, também, ao uso de cores, ao tipo de vestimenta, ao corte de cabelo, ao uso de adereços e maquiagem e implica a forma de comportamento e de tratamento. Dessa maneira, os traços de gênero contribuem para a definição das identidades sociais dos indivíduos a partir do pertencimento e da diferenciação das feminilidades e masculinidades. Recentemente o sistema modelizante de gênero tem sido tensionado socialmente pelos feminismos e pelas manifestações e ações LGBTQIA+, provocando fortes rupturas de sentido, que entram em disputas com codificações presas na tradição.

Os recursos expressivos dos traços físicos individuais podem se dar em, no mínimo, dois âmbitos: as linhas e formas do rosto – considerando, por exemplo, o desenho da sobrancelha, o tamanho e a forma dos olhos, do nariz, dos lábios, o tamanho e ângulo do rosto; as linhas e formas do tórax, do peito, dos quadris, das pernas, dos braços e mesmo das mãos e dos pés – tendo em vista volumes, distribuição de massa, tonicidade, comprimento e harmonia dos membros. A partir da percepção desses traços e de sua combinação, é possível encontrar seus efeitos de sentido refletidos na idade, na beleza, na altura, entre outros. Os traços físicos individuais estão fortemente associados a modelos estéticos rigidamente codificados e, também, ao que se considera saudável na cultura ocidental. Pela relevância que assumem, são determinantes de status social, de pertencimento a determinados grupos e até de aceitação. É pela conquista de um “corpo perfeito” que muitos se empenham em ter sucesso em academias, salões de beleza, clínicas estéticas, consultórios médicos. Esses traços-padrão se organizam sobre o perfil caucasiano e a partir de valores estabelecidos pela sociedade, que, por um lado, busca a beleza, a saúde, o comedimento do peso e, por outro, oferece orgias alimentares em restaurantes e fast foods. Nessa padronização não há muito espaço para estaturas baixas, narizes achatados, cabelos pixaim, barrigas proeminentes, quadris avantajados, celulite, flacidez, estrias, narizes grandes, pouco cabelo, entre outros.
Todo gesto implica movimento, é uma ação e pode variar de acordo com a velocidade, a força empregada e a amplitude, segundo Morris (1985). Mas, para Birdwhistell (apud Morris), é a intensidade que vai ajudar a diminuir a ambiguidade da mensagem gestual. O gesto, em geral, se compõe na complementaridade com a postura, mas se atualiza principalmente no deslocamento de mãos, braços e pernas na relação direta com a direção e o deslocamento assumido. Dessa forma, interpretá-lo implica considerar um conjunto de posições dos membros do corpo em conexão com os fluxos provocados por eles. Nesse âmbito, é preciso considerar que um mesmo gesto pode ter mais de um sentido e, por outro lado, vários gestos podem ter apenas um significado. Por exemplo, o dedo polegar e o indicador unidos pelas pontas, formando um círculo e os demais dedos erguidos na vertical, indicam “ok” para os americanos e ingleses, dinheiro para os japoneses, e sem valor ou zero para os franceses, quando esse gesto vem acompanhado de uma expressão facial séria ou meio triste. No Brasil, o mesmo gesto colocando os dedos na horizontal representa um palavrão. A inserção em um contexto e em um grupo social é que vai determinar a diferenciação e a consequente significação. Esses traços distintivos utilizam-se muito da cinésica, que tem como principal alvo o gesto convencional dotado de valor significativo. Guiraud (2001, p.59) define a cinésica como “o estudo dos gestos e mímicas utilizados como signos de comunicação, quer por si sós, quer como acompanhamento da linguagem articulada”.
As posturas articulam-se em uma combinação complexa dos diversos membros do corpo – cabeça, pescoço, ombro, abdômen, braços e pernas. Vale lembrar que o corpo humano tem a capacidade de assumir cerca de mil posturas diferentes, todas elas em posições imóveis. Apesar de serem relativamente fáceis de identificar, entender seus efeitos de sentido exige que se observe a totalidade dos membros em sua inter-relação. A decodificação da postura é muito associada a traços de personalidade e a estados emocionais, via em que há forte consenso no que diz respeito aos efeitos de sentido articulados por determinados recursos expressivos, como, por exemplo, costas arqueadas, ombros caídos e cabeça baixa indicam pessoas depressivas; peito para frente, ombros para trás e cabeça erguida indicam pessoa corajosa e arrojada. Esses códigos parecem já estar estabelecidos na maioria dos grupos sociais do ocidente, porém, é preciso examinar a postura com mais atenção, considerando uma vasta gama de sentidos que extrapolam esses significados mais usuais. No desdobramento dessas configurações pode-se citar a tipificação de postura congruente elaborada por Morris (1985), segundo a qual as pessoas articulam seus corpos de forma a que uma posição se constitua como eco da outra. Assim, as expressões de afetividade, de apoio, de solidariedade, muitas vezes, se dão a partir do que o autor chama de tie-signs, ou seja, a postura e o gesto que vinculam duas pessoas pelo corpo – por exemplo, o abraço, os braços dados, as mãos dadas, o beijo. Por outro lado, ao contrário, alguns comportamentos que envolvem posturas e gestos se articulam como um sinal de barreira, que busca defender o corpo de ações ou situações sociais, como os braços cruzados, as costas colocadas em direção ao outro, as pernas cruzadas, bem como objetos colocados entre os interlocutores.
A expressão facial apresenta uma complexa rede de significações, fruto da inter-relação de olhos, sobrancelhas, músculos da testa, nariz, lábios, queixo. A combinação de todas essas partes do rosto, com suas diversas nuances, resulta em uma vasta gama de recursos expressivos da face. Segundo Flora Davis (1979), o rosto é capaz de transmitir mais de mil expressões e adquire ainda mais significado porque é, praticamente, a única parte do corpo humano ocidental que está constantemente desnuda. Desmond Morris (1977), por exemplo, afirma que o olhar dirigido ao rosto humano não se fixa em apenas um ponto, mas em vários, detendo-se, principalmente, nos olhos e na boca. Aumont (2000) classifica essa ação como ‘busca visual’, que consiste em realizar, pela fixação ocular sucessiva, a exploração das imagens que estejam mais providas de informação. Olhos e boca são, pois, os dois elementos mais expressivos da face. Pode-se considerar uma série de formas de olhar que se engendram a partir da conformação adotada pela posição dos músculos dos olhos, pelo tamanho da pupila, pela intensidade (tempo), pela direção e pela distância. Acrescentem-se, a todas essas variáveis, os movimentos da sobrancelha. Todes já entendemos como o olhar é importante na azaração, por exemplo, e, nesses casos, o usamos de acordo com nossos interesses em articulação com a boca, os movimentos de cabeça, os gestos e a postura. Por outro lado, pode-se considerar uma gama bastante variada de posições assumida pelos músculos labiais, que vai desde o fechamento total da boca, passando por sua abertura parcial até chegar à abertura completa. Todas essas articulações oferecem uma diversidade de efeitos de sentido que pode variar do choro até o riso, passando pela sedução. Nessa via, é importante lembrar que o choro e o sorriso integram as expressões humanas mais primárias e mais universais, usam os músculos labiais em combinação com os músculos dos olhos para transmitir alegria, satisfação, comoção, força, contentamento, prazer, agrado, timidez, vergonha, desprezo, entre outros.
Não há caminho para entender a comunicação do corpo sem passar pela utilização dos espaços pelo físico. A importância da semiótica do espaço – a proxêmica – para a análise do corpo é justificada por Villaça e Góes (1998, p.76): “Os corpos são objetos marcados pelas normas culturais e a leitura de suas articulações, de sua maior ou menor proximidade, possibilita a compreensão da organização social”. Já Guiraud (2001, p.76/77) diz que, para o indivíduo, o espaço é fundamental, e cada cultura estabelece os limites de aproximação e distanciamento entre indivíduos por meio do uso do espaço. Morris (1985) estabelece três tipos de territorialidades: a tribal, a familiar e a pessoal. Já Hall (1999) defende, como distâncias relevantes, a pública, a social, a pessoal e a íntima. Obviamente que essas distâncias vão articular sentidos diferentes e estão ancoradas nos modelos e nas regras culturais, determinando situação de interação, afetividade, coerção espacial, formas de socialidade, hierarquias, entre outras.

O tato sofre um regramento bastante severo dos códigos corporais, tornando o toque, em grande parte das vezes, proibitivo ou contraindicado em público, seja de um indivíduo em outro, seja o toque no próprio corpo, ou em determinados objetos. Em vista disso, o tato é um dos sentidos menos utilizados nos processos comunicativos e, paradoxalmente, envolve o maior órgão do corpo humano, a pele. Como já se sabe, as tatilidades podem ser experienciadas por qualquer das partes que recobrem o físico: mãos, lábios, bochechas, cintura, quadril, coxas, pés, pescoço etc. Cada um desses fragmentos de pele pode se constituir em um traço distintivo, que, associado a outros, vai compor uma mensagem e, portanto, carrega significação. Por exemplo, a mão de uma pessoa na cintura de outra é um traço de tatilidade, mas seus significados vão se constituir em correlação com as espacialidade (proximidade/distância) e com a performance da gestualidade. Diferentes semioses podem se produzir nesses processos, desde amizade, toque romântico, sedução e até afastamento. É particularidade do tato estimular a intimidade, podendo provocar sentidos da ordem da familiaridade, da sexualidade, do carinho, mas também da agressividade (através de um soco, por exemplo), da raiva e do ódio.
Já o olfato se manifesta na invisibilidade, só perceptível pelo nariz por meio de signos voláteis, sendo bastante útil ao paladar na constituição de sentidos, mas também importante para identificar ambientes, objetos e situações. Um dos pontos ligados às significações das olfatividades é a supressão a que o cheiro humano é submetido. Tem-se regulações e códigos bem específicos para os odores que podem emanar dos corpos, sendo que tudo que é exterior ao corpo pode exalar aromas, mas o que vem dele (de suas entranhas), não. Assim, todos os fluídos corporais – suor, urina, fezes, saliva – tendem a ser eliminados e/ou escondidos, considerando que os códigos para eles são associados ao polo negativo, o cheiro ruim. Ao contrário dos animais, os humanos não cheiram uns aos outros para reconhecer sentidos comunicacionais – e, se buscamos traços de olfatividades em outros corpos, o fazemos muito discretamente. Sobre a pele são aprovados os perfumes passados em pulsos, pescoço e outras partes do corpo, ou os aromas dos shampoos, sabonetes, condicionadores, auxiliando, dessa maneira, na exclusão do ‘cheiro original’ e na elaboração de semioses relativas a nível social, elegância, limpeza, entre outros. O olfato está ligado também às memórias, sobretudo as afetivas e subjetivadas, como o cheiro de café passado, de grama cortada, de pão quentinho, e assim por diante.

A semiotização pela boca (e seus inúmeros receptores) tem relevância por estar associada à primitividade e à instintividade humana, tendo em vista que só existimos em função de nos alimentarmos, e, portanto, esta é uma questão de sobrevivência. Assim, o paladar assume importância na comunicação, seja pelos rituais sociais que o envolvem, seja pela interação mamãe e bebê pela amamentação. Os traços distintivos do paladar estão associados aos sabores que conseguimos codificar (doce, salgado, amargo, ácido) e, além da instintividade que direciona nossa preferência pelo doce , seus significados culturais e individuais estão conectados a prazeres básicos dos seres humanos. As modelizações culturais acabam determinando as preferências do paladar pela regularidade e continuidade do uso de determinados alimentos, estabelecendo que crianças alemãs, por exemplo, “gostem” mais de queijo, linguiça e pão, enquanto os brasileiros repetem o feijão e o arroz quase que diariamente, não apenas por uma questão financeira, mas de paladar. Enfim, o desenvolvimento do paladar é cultural, o que nos leva à máxima: não comemos algo porque achamos bom, mas achamos bom porque estamos acostumados.
O feixe de traços que compõe a vestimenta é bastante diversificado, em geral as peças se diferenciam de acordo com o sexo, mas também distinguem hierarquias de classe e, nessa via, elas materializam sentidos do caráter das relações sociais, deixando explícitos gostos, propensões, estilos e manifestações de ideias. Os tipos e a quantidade de peças que compõem o vestuário ajudam a determinar o clima, a situação, a proposta pessoal, entre outros aspectos. Ainda é preciso considerar que o estilo, a textura do tecido, o comprimento, o caimento, o tamanho e a marca compõem traços distintivos que ajudam a produzir significados. No que se refere à cor, as vestimentas e adereços vão-se compondo na linha do tempo e do espaço, seguindo, com certa rigidez, os padrões impostos pela moda, mas, também, as preferências pessoais dos sujeitos.

O vestuário, os adereços e a maquiagem compõem um feixe complexo de traços distintivos que instituem discursos variados, como o da diferenciação, da sedução, do status, da beleza, da dominação, da ritualidade, da ludicidade. É importante observar, aliás, que, além da forma utilitarista, o vestuário tem caráter lúdico que se apresenta na fantasia, no jogo e no humor, conforme observa Lipovetsky (1989). Nessas “falas”, é possível vislumbrar aspectos importantes de significação atrelados às características e às funções assumidas. Esses traços, em grande parte das vezes, organizam semioses da ordem estética, visando encobrir o feio e descobrir o belo. Outra configuração que assumem é da ordem da aparência e buscam mostrar, pela exterioridade, aqueles aspectos que vão confirmar a diferenciação dos indivíduos, distinguindo, por exemplo, a classe social e a profissão, mas colocam, também, o bom gosto em oposição ao desleixo, a sofisticação em oposição à simplicidade.
Os adereços, os objetos pessoais e a maquiagem também integram o processo de construção de sentidos do corpo, ajudando homens e mulheres a se “mascararem”, escondendo detalhes e ressaltando outros por meio de celulares, brincos, colares, anéis, pulseiras, relógios, óculos, pingentes, perucas, tatuagens, tintas, bases, cremes, entre outros. Esses elementos refletem semioses mais específicas ao se investigar formas, texturas, volumes, cores, materiais, tamanhos e contextos. Através dos processos de ‘adereçamento’ e de embelezamento, que também buscam guarida na maquiagem, os sujeitos conseguem se adaptar aos preceitos dos sistemas modelizantes da cultura, mas também podem criar novos modos de expressão ou apenas ‘estar junto’, conforme coloca Maffesoli (1999, p167/8): “Pintar-se, tatuar-se, enfeitar-se com adereços, em suma, cosmetizar-se, tudo isso tem um papel sacramental: tornar visível essa graça invisível que é estar junto”. Uma infinidade de produtos é criada diariamente, elaborada e testada para produzir sentidos, para o consumo da beleza e para o prazer estético. Eles encobrem olheiras e marcas, alongam ou diminuem os olhos, delineiam os lábios, realçam o colo, adornam os dedos, trazem ou levam as cores naturais do sujeito, aperfeiçoam as formas naturais. Conseguem, enfim, transformações substanciais para o corpo.
Enfim, o corpo produz uma comunicação que não se encarna no verbo propriamente, mas em formas, cores, texturas, cheiros, tons, movimentos, sons, gostos e assim por diante. É por meio da composição dos traços distintivos que engendram discursos de vontade, verdade, beleza, inteligência, criatividade, exclusão, disciplina, autoria (considerando Foucault, 1996). Boa parte desses discursos se articula pelo não verbal, para o que, no entanto, se dá pouca atenção.
Referências
BIRDWHISTELL, Ray L. Kinesics and context : essays on body motion communication. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, c1970.
DAVIS, Flora. A comunicação não-verbal. 3. ed. São Paulo: Summus, 1979.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.
GUIRAUD, Pierre. A linguagem do corpo. São Paulo: Ática, 2001.
LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. 3.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.
LOTMAN, I. Cultura y explosión. Barcelona: Gedisa, 1999.
MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. Petrópolis: Vozes, 1999.
MORRIS, D. Manwatching – a field guide to human behaviour. London: Triad Panther, 1985.
VILLAÇA, N.; GÓES, F. Em nome do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Como citar este artigo
ROSÁRIO, Nísia Martins. Importância da comunicação não verbal. 2022. Edição: Ricardo Machado. Disponível em: https://www.ufrgs.br/corporalidades/importancia-da-comunicacao-nao-verbal/. Acesso em: 2 Jun. 2022.
You May Also Like
Anamorfoses Corporais Audiovisuais: o caso de Capitu¹
26 de June de 2017
“Mulheres de Abril”, maio, junho, julho…
4 de April de 2022
One Comment
Pingback: