Carta de Florianópolis

Carta aprovada na plenária final do XXXV Encontro Nacional de Estudantes de Economia:

Passamos atualmente por uma das maiores crises da história do capitalismo, e para nós da Federação Nacional de Estudantes de Economia, é extremamente preocupante que em um momento em que o mundo está desabando e diversos pressupostos sendo derrubados, não haja um debate sério e difundido por todas as faculdades de economia do país.

O fato de a maioria dos professores não promoverem um real debate sobre a crise revela muito mais do que a incapacidade de muitos deles em fazê-lo. Revela a apatia e o comodismo que toma conta das faculdades.

Este comodismo é resultado de uma estrutura universitária que não aceita a crítica. Uma universidade que não produz nem forma profissionais para o povo, capazes de entenderem as contradições da realidade que os cercam. Uma universidade meritocrática: apenas os “melhores” são escolhidos, seja no vestibular, nas provas de graduação ou em concursos para professores. Os melhores em que? Em reproduzir esta lógica de alienação intelectual.

Nós, estudantes, temos um papel fundamental: o de promover a mudança. Só através do protagonismo estudantil é que conseguiremos mudar a universidade. Tal mudança não vira do corpo docente, que funciona como reprodutor dessa lógica alienante. Para isso temos que nos reorganizar. Devemos articular as regionais, devemos auxiliar cada CA na luta pela crítica e por um curso melhor localmente, trazendo as diversas experiências para um debate nacional.

Através dessa reorganização é que conseguiremos nos articular enquanto um movimento estudantil de economia e lutar nacionalmente em prol da melhoria na formação do economista, por melhores critérios de avaliação e por uma melhor estrutura para o aprendizado.

É preciso também lutar para que os prejuízos acumulados pelo sistema financeiro não sejam socializados, defender uma distribuição de renda igualitária. O governo brasileiro deve se preocupar menos com os interesses dos banqueiros internacionais e mais com os interesses do povo brasileiro de forma que assuntos como a dívida externa, o desenvolvimento econômico e a integração entre as nações latino-americanas sejam amplamente debatidos.

Desse modo, chamamos a todos os estudantes de economia a se juntarem nesse novo projeto de federação. É através da troca de experiência que se fortalecerá a consciência.

Florianópolis, 24 de julho de 2009