Pesquisas em desenvolvimento

Camila Malacarne – LC3

Uma das soluções mais eficazes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa decorrentes da fabricação do cimento é a substituição do clínquer, principal componente do cimento tradicionalmente empregado na construção civil, por um material com características similares. Os materiais mais utilizados para esse fim, no entanto, não estão disponíveis em quantidade suficiente para substituir mais de 15% da produção mundial de cimento. Em contraste, calcário e argila são materiais amplamente disponíveis na natureza, em quantidades superiores à produção mundial de cimento. Tendo isso em mente, foi desenvolvido por grupos de pesquisa um cimento que possui em sua composição algo em torno de 50% de clínquer, 30% de argila calcinada, 15% de calcário e 5% de gipsita, conhecido como LC3. Seu custo de produção é similar ao cimento Portland, pode ser produzido com os mesmos equipamentos e não necessita de mudanças na forma de utilização em concretos. Isso faz com que este cimento tenha um enorme potencial de ser rapidamente incorporado pelo mercado da construção civil e contribuir para a diminuição do impacto ambiental das indústrias cimenteiras. Em minha pesquisa busco avaliar matérias primas locais para produção de cimentos LC3 e, ainda, verificar a viabilidade econômica e ambiental de sua utilização no estado do Rio Grande do Sul.

Fabiana de Souza

Se você olhar para o seu lado, provavelmente vai encontrar alguma estrutura feita com cimento (um prédio, um banco da praça, a parede!). O cimento comum, chamado de cimento Portland, embora cada vez mais necessário, é um grande responsável pelo agravamento do efeito estufa, pois durante sua fabricação é liberada uma quantidade enorme de gás carbônico (CO2). Nosso papel é desenvolver cimentos alternativos, à base de matérias-primas locais e rejeitos industriais, nos quais a emissão de CO2 seja muito baixa ou quase nula. Submetemos diferentes argilas gaúchas à tratamento em temperatura elevada e, com diferentes tecnologias de produção iremos obter um cimento ecoeficiente. Entre estas se destacam os geopolímeros, que emitem muito pouco CO2, tem uma metodologia rápida e fácil e originam um material com características tão interessantes quanto o cimento comum.

Felipe Lima da Costa

Você sabia que hoje a produção de cimento é responsável por 8% de toda a emissão de poluentes no mundo todo? Isso acontece porque precisamos atingir temperaturas altíssimas para transformar o calcário e argila, além de outros componentes, no pozinho que nós usamos para construir nossas casas, calçadas e prédios. Normalmente estas temperaturas são atingidas com o uso de coque de petróleo, mas nós podemos diminuir este impacto ambiental devido à produção do cimento utilizando combustíveis alternativos (que na verdade são resíduos que mandamos para os nossos aterros!), como por exemplo raspas de pneus, ossos de animais, sobras da indústria de calçados e muito mais, a este processo damos o nome de coprocessamento. Mas nem tudo são flores, quando usamos estes combustíveis alternativos podem surgir alguns problemas no cimento que nós produzimos. Isso acontece porque eles influenciam nas propriedades químicas do material. Em minha pesquisa estudo justamente estes problemas, procuro entender quais propriedades do cimento são alteradas, mais especificamente no que diz respeito a uma doença do concreto (sim o concreto fica doente), que acontece quando o mesmo entra em contato com alguma fonte de sulfato (como um rio poluído por exemplo). Em resumo, trabalho para que o cimento que nós produzimos tenha um menor impacto ambiental. Estudo os impactos do uso destes combustíveis alternativos para que nós possamos continuar utilizando-os no processo de fabricação do nosso querido cimento!

Marlon Longhi

Devido a necessidade de infraestrutura do Brasil, assim como dos demais países emergentes, é também crescente o consumo de concreto, sendo este o material de construção mais utilizado no mundo. O principal constituinte do mesmo é o cimento, que garante a resistência, dureza e integrigade desse material. O Brasil, no momento, necessita mais cimento do que consegue produzir, além disso esse material e característico por sua elevada emissão de CO2. Com isso, é importante buscar formas alternativas de obter um ligante cimentício fácil de executar, funcional e de reduzido impacto ambiental. Uma dessas opções se chama geopolímero, que consiste em uma mistura simples entre um precursor (material em pó, reativo e normalmente proveniente de resíduos das mais diversas industrias) e um ativador (solução aquosa com algum reagente químico que proporcione um aumento de pH). Esse material já é utilizado em outros locais do mundo, principalmente Austrália. No Brasil os estudos e aplicações estão iniciando, por isso, a minha pesquisa está relacionada ao desenvolvimento de geopolímeros a partir de resíduos, avaliando seus acpectos de durabilidade de modo que esse material se adapte ao mercado brasileiro de construção.

LINCE – LABORATORIO DE INOVAÇÃO EM CIMENTOS ECOEFICIENTES

NOSSOS PESQUISADORES

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