Programa de Extensão da UFRGS inicia atividades no Ambulatório Trans

O Programa de Extensão #SUStentaPICS – Práticas Integrativas e Complementares no Cuidado Integral à Saúde iniciou em 01/12/2022 atividades de cuidados com auriculoterapia, aromaterapia e craniopuntura no Ambulatório Trans, localizado no 1º andar do Centro de Saúde Santa Marta. O Programa é coordenado pela professora Daniela Dallegrave e contou com a participação de acadêmicas dos cursos de enfermagem e de saúde coletiva, além de um residente do programa de medicina de família e comunidade do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

A proposta é oferecer as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) semanalmente para a população que frequenta o ambulatório, o qual se dedica ao cuidado integral da população transexual e travesti de Porto Alegre há 3 anos. O grupo iniciou com uma conversa aos usuáries que estavam na sala de espera aguardando atendimentos. Foram explicadas o que são as PICS e como elas podem auxiliar no bem estar. Foram atendidas todas as pessoas que tiveram interesse.

Sophie Nouveau Fonseca Guerreiro, que é a primeira estudante trans, travesti, da Escola de Enfermagem e auriculoterapeuta, realizou o acolhimento de uma usuária e encaminhou para o atendimento da extensão. A usuária Nicolly referia dor no joelho esquerdo, classificada como dor 7 (sete) na escala autorreferida de intensidade de dor e com perda de força no membro. Ela foi atendida pela professora Daniela, que realizou técnica de craniopuntura de Yamamoto, com inserção de uma agulha de acupuntura no ponto D. A usuária referiu dor 0 (zero) imediatamente após a inserção da agulha. Também foi realizada a auriculoterapia.

A importância da oferta de PICS no ambulatório trans está relacionada com os efeitos comprovados por evidências em diversos aspectos, mas principalmente aqueles relacionados à saúde mental (para saber mais, consulte os Mapas de Evidências em PICS da Biblioteca Virtual em Saúde – Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas (https://mtci.bvsalud.org/pt/mapas-de-evidencia-2/).  Além disso, observa-se que o acesso às PICS ainda é elitizado, com pouca oferta no SUS. O projeto  tem a preocupação não só de ofertar esse tipo de atendimento no SUS como também ampliar o acesso por meio da formação de trabalhadores no curso de Auriculoterapia, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde e a Associação Brasileira de Enfermeiros Acupunturistas e Enfermeiros de Práticas Integrativas – Abenah.

Sophie refere que as PICS no ambulatório trans podem suprir “dinâmicas de saúde em que ainda não se têm estruturado um cuidado como, por exemplo, o uso do silicone industrial que não tem um protocolo de cuidados instituído e pode causar muita dor. Para essa população, é garantir equidade em saúde, integralidade e despatologização”.

De acordo com Rosemari Rodrigues, que é estudante da graduação em Saúde Coletiva e bolsista do programa de extensão, “atender em espaço humanizado como o Ambu T mostra o quanto o SUS tem múltiplas possibilidades no campo da saúde coletiva, trazendo uma oportunidade de atuação de uma futura sanitarista”.

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