
V ENCONTRO DISCENTE PPGAS/UFRGS
04 e 08 de março de 2024
Percursos etnográficos contemporâneos: inflexões e perspectivas de atuação em antropologia
O V Encontro Discente do PPGAS/UFRGS busca colocar em perspectiva as possibilidades de inserção profissional e de atuação na área de antropologia, contemplando de forma crítica e dialógica as diferentes trajetórias que se desvelam a partir de nossa formação. Pesquisa, docência, internacionalização e experiências junto a organizações da sociedade civil são alguns dos exemplos que podem nos auxiliar a prospectar percursos possíveis para a atuação do/a/e antropólogo/a/e, da universidade ao mercado de trabalho, bem como para novas oportunidades que possam se configurar.
Para nos guiar ao longo deste percurso, consideramos a antropologia e sua trajetória de consolidação enquanto ofício e disciplina: ainda que seja descrita como uma área de estudos bastante diversificada e com interesse em diferentes assuntos e temáticas, seu exercício permite desenvolver grandes questões a respeito da condição humana a partir da excepcionalidade cotidiana e de modos de viver extremamente contextualizados, os tais “imponderáveis da vida cotidiana” malinowskianos. A confluência de tais práticas aos interesses da disciplina, assim como as distintas formas de se fazer etnografia e se relacionar com o campo e os objetos de estudo, questões cuja vigência é permanente, fazem da auto reflexividade inerente à antropologia uma de suas mais marcantes características, evidenciada pela via da reformulação crítica de conceitos e pela constante renovação de suas bases teóricas. Diante de cenários por vezes limítrofes, produzir conhecimento situado, promover a reflexividade e, como consequência, a transformação social, são alguns dos fundamentos do trabalho antropológico.
Nesse sentido, é importante nos darmos conta de que nossas formas de atuação também preenchem um arco profuso e diverso que pode envolver desde a docência e a pesquisa até inserções pelas vias da iniciativa privada e/ou da esfera governamental, assim como de organizações não governamentais e organismos internacionais. Contudo, estes e outros percursos que poderiam ser imaginados nos parecem ainda pouco difundidos, limitando, por vezes, o horizonte de atuação em antropologia ao âmbito acadêmico. Como encaramos estas questões? Por um lado, a reatualização constante de cenários de crise – climática, econômica, política – nos convoca ao engajamento para com o trabalho antropológico, destacando o papel da universidade não somente em termos de produção de conhecimento, mas também como agente de mudança social, formando profissionais aptos a atuar em diferentes contextos. Por outro lado, entretanto, as bases para a consolidação de uma trajetória profissional em nossa área podem parecer incertas.
Podemos precisar, a partir disso, a necessidade de que as possibilidades de ação nestes e em outros campos também sejam alvos desta capacidade auto reflexiva da disciplina, levando em conta os atravessamentos contemporâneos que nós, discentes, temos vivenciado: cortes de verbas, negacionismo científico, privatizações, desvalorização da ciência e da pesquisa no Brasil. Elementos que conformam um panorama de incertezas e insegurança acerca da atuação em antropologia nos tempos atuais.
Que caminhos temos a trilhar na e através da antropologia? Como nós, futuros/as/es antropólogos/as/es podemos explorar as diferentes possibilidades e percursos de atuação, tomando conhecimento de variadas formas de inserção profissional? Frente a este cenário de desafios e incertezas que se revela uma constante na antropologia, nos interessa colocar em perspectiva os trajetos que podem ser vislumbrados em nosso horizonte enquanto antropólogos/as/es. No ano em que o PPGAS/UFRGS completa 50 anos, consideramos a vigência destes debates e convidamos a todos/as/es que compartilham desta inquietação a partilharem suas reflexões conosco neste evento.
