Fé, esperança e trabalho

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Por Renan Giménez Azevedo

Mourides entoando khassidas durante o Magal Touba de 2017, em uma paróquia de Caxias do Sul (Acervo do autor).

O artigo “A expressão da esperança na diáspora mouride em Caxias do Sul”, publicado no volume 22 da revista Ciencias Sociales y Religión, é o resultado de uma incursão etnográfica que fiz no início do meu mestrado, onde trato da diáspora de senegaleses mourides em Caxias do Sul, RS. Os mourides são uma fraternidade muçulmana sufi originada em Touba, Senegal, fundada pelo profeta Cheikh Ahmadou Bamba (1850-1927) durante o período colonial francês, cuja doutrina articula fé muçulmana e trabalho de uma forma prática. Por outro lado, Caxias do Sul é uma cidade de formação italiana e fortemente católica.

No texto, trago uma discussão a respeito da esperança que surge e é mobilizada na diáspora. Tomo por base o argumento de Miyazaki [1] e de Guyer [2] sobre como a esperança pode ser um objeto e fonte de análise na medida em que ela reorienta o conhecimento presente para um futuro projetado. Noutros termos, uma antropologia da esperança se trata de uma antropologia da imaginação e dos sonhos. Ademais, fé e esperança possuem muitas semelhanças, algo bem explorado por Ferrer [3].

Desta forma, mostro como a fé mouride senegalesa contrasta com a fé católica caxiense, cujo trabalho é um valor forte em ambos, contrastam e mobilizam a migração, expressando a esperança de formas das quais eu identifico três: (1) na expectativa de sucesso dos senegaleses com base no sucesso passado dos italianos; (2) na face criativa da esperança para resolver problemas; e (3) na esperança presente nas práticas religiosas mourides permitindo uma vida regrada destes.

O artigo completo pode ser acessado em <https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/csr/article/view/13320>


Referências

[1]     H. Miyazaki and R. Swedberg, Eds., The Economy of Hope. Philadelphia: Penn Press – University Of Pennsylvania Press, 2017.

[2]     J. Guyer, “When and How Does Hope Spring Eternal in Personal and Popular Economics? Thoughts from West Africa to America,” in The Economy of Hope, H. Miyazaki and R. Swedberg, Eds. Philadelphia: Penn Press – University Of Pennsylvania Press, 2017, pp. 147–171.

[3]     U. Ferrer, “Fe, razón, persona: de la creencia como dimensión antropológica al acto personal de fe,” Rev. Filos. open insight, vol. 5, no. 7, pp. 33–59, 2014, Accessed: Jun. 05, 2019. [Online]. Available: http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2007-24062014000100003&lng=es&nrm=iso&tlng=es.

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