Pesquisa em mídias sociais em tempos de pandemia: notas de uma antropóloga no mundo das lives e das artes marciais

Contemporâneas

Por Diéssica Gaige

Não é de agora que faço pesquisa em ambientes digitais. Embora este campo pareça novo aos olhos de alguns, a Antropologia Digital (ou Cibercultura) já tem sua trajetória há algumas décadas e muito tem contribuído em reflexões metodológicas e epistemológicas. Trabalhos como os de Escobar [1], Guimarães Jr [2], Christine Hine [3], Daniel Miller [4], Boellstorf [5], Jungblut [6], Leitão e Gomes [7], Segata [8], Spyer [9], Ramos [10], Bohrer dos Santos [11], e muitos outros que me faltariam espaço para citar, são fundamentais para pensarmos o quanto a relação humano-máquina se transformaram contemporaneamente.

É em detrimento dessas transformações que meu trabalho de campo com lutadores, lutadoras e promotores de eventos de MMA exigiu de mim mudanças metodológicas nesse período de pandemia. Como seguir minha pesquisa se não posso mais frequentar eventos de artes marciais mistas? Em diálogo com meus principais interlocutores surgiu a ideia de produção de lives na plataforma Instagram, feitas em parceria com eles. Isso requer um constante aprendizado não apenas na produção de conteúdo digital em um ambiente específico, mas também de outros aplicativos que nem sempre um antropólogo ou antropóloga está tão familiarizado em seu percurso acadêmico. Nesse sentido, convido a todos e a todas a acompanhar às lives em meu perfil @anotherpowerpuffgirl e juntos construirmos um diálogo sobre etnografia digital, ainda mais nesse contexto. Espero que gostem!

A próxima será realizada no dia 03 de junho de 2020, às 20h 30min, junto com o Gustavo Silveira da Silva, atleta profissional de boxe da categoria peso pena, árbitro de boxe profissional pelo CNB, representante do CNB no RS, instrutor de boxe amador pela FGB.

Referências
[1] ESCOBAR, A. Welcome to Cyberia: notes on the Anthropology of Cyberculture. Corrent Anthropology, v. 35, n.3, 1994, p. 211-231.
[2] GUIMARÃES JR., M. J. L. Sociabilidade no Ciberespaço: Distinção entre Plataformas e Ambientes. In: SBPC, 1999, Porto Alegre. 51ª Reunião Anual da SBPC- PUC/RS, 1999.
______. De pés descalços no ciberespaço: Tecnologia e cultura no cotidiano de um grupo social on-line. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 10, n. 21, p. 123-154, 2004.
[3] HINE, C. Ethnography for the Internet: Embedded, Embodied and Everyday. London: Bloomsbury, 2015.
______. Etnografía virtual. Editorial UOC, 2004.
[4] MILLER, Daniel; SLATER, Don. Etnografia on e off-line: cybercafés em Trinidad. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 10, n. 21, p. 41-65, jan./ jun. 2004.
______. Tales from Facebook. Cambridge: Polity Press, 2011.
______; HORST, Heather. Digital Anthropology. Londres: Bloomsbury, 2012.
______ et al. How the world changed social media. London: University College London Press, 2016.
[5] BOELLSTORFF, T. Coming of age in second life. Princeton: Princeton University Press, 2008.
______. Rethinking Digital Anthropology. In: Digital Anthropology. Edited by Daniel Miller and Heather Horst. Oxford: Berg. p. 39-60, 2012.
[6] JUNGBLUT, A. L. Ciberacontecimentos: reflexões etnográficas sobre o extraordinário no mundo on-line. Civitas-Revista de Ciências Sociais, v. 11, n. 2, p. 361-372, 2011.
[7] LEITÃO, D. K.; GOMES, L. G. F. F. Estar e não estar lá, eis a questão: pesquisa etnográfica no Second Life. Revista Cronos, v. 12, n. 2, 2013.
______. Etnografia em ambientes digitais: permabulações, acompanhamentos e imersões. Revista Antropolítica, n. 42, Niterói, p. 41-65, 1. sem. 2017.
[8] SEGATA, J. Da Arte de se Traduzir: corporalidades e gênero nos mundos possíveis no ciberespaço. Revista Campos. v. 9, n. 1, p. 159-176, 2008.
[9] SPYER, J. Mídias sociais no Brasil emergente Como a internet afeta a mobilidade social. London, UCL Press, 2018.
[10] RAMOS, J. Subjetivação e poder no Ciberespaço: da experimentação à convergência identitária na era das redes sociais in Dossiê da Cibercultura. Revista Vivência 45, Natal, UFRN, p. 57-76, jan./jun. 2015.
[11] BOHRER DOS SANTOS, R. Castelos de Pixels. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – PPGCS, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2016.

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