O Grupo de Pesquisa em Comunicação Organizacional, Cultura e Relações de Poder (GCCOP) realizou na última quinta-feira, dia 23, o IV Seminário GCCOP – Dimensão das Relações de Trabalho, no Auditório 2 da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Facico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O evento foi realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (PPGCOM) e teve o apoio do CNPq.

Painel

Painel Trabalho e Subjetividade

Pela manhã, o painel “Trabalho e subjetividade” teve a participação das doutoras Carmem Regina Giongo, do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Saúde e Trabalho/UFRGS e Curso de Graduação em Psicologia/Feevale; e Fernanda Tarabal Lopes, da  Escola de Administração/UFRGS e Programa de Pós-Graduação em Administração/CEFET-MG. O painel foi mediado pelo doutor Basílio Sartor, docente da Fabico/UFRGS e integrante do GCCOP.

De início, Fernanda conceituou o que é subjetividade e como ela está relacionada com o trabalho, especialmente a ideia de a ocupação ser um dos fatores centrais da composição do sujeito. Sua fala incluiu reflexão sobre as exigências de excelência no contexto de alta competição da sociedade em que vivemos, bem como a instrumentalização da perversão e da injustiça nos ambientes de trabalho, especialmente exercidas e também sofridas pelos gestores de alta hierarquia.  Sobre o discurso de humanização nas organizações, Fernanda citou artigo de Daniel Andrade (2011): “será que mesmo que as empresas estão se tornando humanas, ou os humanos é que estão se tornando empresas?”

Já Carmen apresentou alguns dados em relação a acidentes e afastamento de trabalho, apontando que muitas das causas físicas também estão relacionadas a questões psíquicas. A professora ainda tratou sobre questões como a ideia de “vestir a camiseta”, algo naturalmente difundido pelas organizações, mas que pode ser prejudicial à saúde mental do trabalhador; e a necessidade de reconhecimento, inerente ao ser humano, que se configura como uma das principais causas tanto de saúde (se houver reconhecimento), como de adoecimento (se não houver). Durante o debate do painel, que centrou-se em fatos e aspectos que podem gerar sofrimento e prejudicar a saúde do trabalhador, Carmem defendeu: “Não adianta apenas criticar, é preciso ter pessoas dentro das empresas, agindo para mudar essas situações.”

À tarde, o painel “Gestão do Trabalho e Flexibilização” abordou a conformação do trabalho na atualidade frente às novas formas de gestão e à flexibilidade da legislação trabalhista. Participaram do debate os doutores Andrea Poleto Oltramari, do Programa de Pós-Graduação em Administração/UFRGS, e Jorge Alberto Rosa Ribeiro, do Programa de Pós-Graduação em Educação/UFRGS, com mediação da mestra Cássia Aparecida Lopes da Silva, professora substituta na Fabico/UFRGS e integrante do GCCOP.

Painel Gestão do Trabalho e Flexibilização

Ribeiro apresentou um panorama sobre o desenvolvimento da educação no país em paralelo ao desenvolvimento dos diferentes modelos de organização produtiva em distintos períodos históricos. Sua palestra abordou também a precarização das condições de trabalho, finalizando com reflexão acerca das perspectivas frente a reforma trabalhista recentemente aprovada, com destaque para projeção de imagens que refletiram possíveis proximidades entre a escravidão (clássica) e as perspectivas frente à realidade de flexibilização das relações trabalhistas.

Já Andrea iniciou sua fala defendendo que “a gestão não é separada do trabalho”, apesar de algumas teorias indicarem o contrário. Na sequência, a pesquisadora abordou sobre as noções de relações de trabalho (RT) e as relações de poder subentendidas entre gestores e trabalhadores, especialmente no contexto das novas relações de trabalho. Durante o debate, que abordou, entre os temas do painel, o discurso de horizontalização das hierarquias nas organizações, Profa. Andrea propôs o questionamento: “Mas por que igualar o que não é igual?”

O painel “Conformações do trabalho fora das organizações e do emprego: criatividade, empreendedorismo, perspectivas” encerrou a programação, à noite, quando a doutora Luciane Cardoso Barzotto, do Programa de Pós-Graduação e Direito/UFRGS e juíza no Tribunal Regional do Trabalho – 4ª Região, e o doutor Sidinei Rocha de Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Administração/UFRGS, trataram sobre trabalhos informais, a noção do “eupresário” e iniciativas de fomento à inovação. A mediação foi realizada pela doutora Vera Regina Schmitz, docente da Fabico/UFRGS.

Painel Conformações do Trabalho Fora das Organizações e do Emprego

Oliveira comparou o desenvolvimento de modelos de organização produtiva no Brasil e nos EUA, apontando a deficiência dos modelos gerenciais como fator de insucesso nas organizações brasileiras. Nesse contexto, o pesquisador esclareceu algumas informações acerca do empreendedorismo no Brasil, como o fato de o conhecido modelo “startups” ser uma exceção entre os casos de novos negócios, bem como a noção de que algumas propostas de economia criativa não se mostram preocupadas com a sobrevivência (econômica) do trabalhador.  A respeito dos modismos em torno do empreendedorismo, Prof. Sidinei defendeu: “O empreendedorismo deveria ser abordado e ensinado como técnica. Criatividade também. Criatividade não vem da provisão divina!”

Barzotto apresentou o Novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação que rege, entre outros aspectos, o repasse de recursos para o desenvolvimento empresas e negócios inovadores. A professora e juíza também abordou sobre práticas jurídicas comuns de organizações que proporcionam a prestação serviços de transporte via aplicativo móvel, como Uber, e sobre perspectivas acerca do trabalho frente a implementação de inteligência artificial, como, por exemplo os automóveis dirigidos por robôs. De acordo com tais perspectivas, conforme Luciane, as discussões sobre relações de trabalho em torno de serviços como Uber devem acabar em pouco tempo, com a criação de carros automatizados, sem necessidade de motorista: “o uso de inteligência artificial será realidade em breve” afirmou a professora.

 

Saiba mais

Os certificados para os participantes presentes a pelo menos dois painéis serão enviados por e-mail nas próximas semanas. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail contato.gccop@gmail.com.

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