A pesquisa de doutorado de Jean Felipe Rossato ganhou o prêmio de Melhor Tese da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas (Abrapcorp) – 2023. O anúncio dos vencedores de melhor tese, dissertação e monografia aconteceu durante a 17ª edição do congresso nacional, realizado pela Abrapcorp, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (LACON), entre os dias 8 e 12 de maio, na UERJ, na cidade do Rio de Janeiro. 

A tese, intitulada “Comunicação organizacional sobre diversidades: sentidos propostos por confederações patronais brasileiras”, foi orientada pelo prof. Dr. Rudimar Baldissera e defendida em 2022, no Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. O principal objetivo da pesquisa foi o de “compreender como concepções de diversidades são discursivamente mobilizadas, no âmbito da organização comunicada das confederações patronais brasileiras, e revelam (im)potencialidades à existência das diferenças nos contextos empresariais contemporâneos” (ROSSATO, 2022, p. 21). À luz da historicidade do discurso das diversidades e das noções de identidade, de diferença e de comunicação organizacional, foram analisadas as publicações sobre diversidades mais significativas realizadas pelas confederações patronais: Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, Confederação Nacional da Indústria e Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, em seus sites. 

Conforme Rossato, os resultados da tese evidenciam que “no contexto empresarial, o discurso de gestão da diversidade e da própria comunicação sobre diversidade, em boa parte das organizações, vem de uma matriz norte-americana de produção científica sobre esse tema”, sendo que as influências dessas concepções  “na nossa visão e a partir das análises, acabam, por vezes, simplificando as possibilidades de existência das diversidades”. O pesquisador complementa que nos discursos organizacionais as questões identitárias e culturais, por vezes, são abordados de modo superficial e ficam em segundo plano, enquanto sobressaem “valores mercadológicos e produtivos […] que veem nesses corpos diferentes, nessas diferenças, um modo de obter algum valor produtivo, seja em termos simbólicos, seja em termos econômicos”.

Segundo Rossato, a tese contribui para a área da comunicação por refletir sobre “os discursos que estão sendo promovidos sobre diversidade no contexto organizacional e problematizar acerca de que sentidos são esses e que existências estão sendo prescritas por esses discursos”, de modo que os resultados contribuem para tensionar alguns “princípios e fundamentos que orientam práticas em comunicação organizacional, principalmente, no que se refere às questões da diversidade”, que é um tema de interesse público e impacta a vida de muitos/as trabalhadores/as. A pesquisa possibilitou, por um lado, “evidenciar o quanto as questões relativas às diversidades, às diferenças ainda é abordada pelo discurso organizacional como algo periférico ou como simples estratégia para obter reconhecimento, resultados de imagem-conceito e, mesmo, aportes financeiros para as marcas” e, por outro, “expor o quanto o discurso organizacional, mediante simplificações, expropriações e/ou manipulações de sentidos, é orquestrado para reafirmar o atual estado de coisas e/ou apenas gerar as transformações que o sistema empresarial pode absorver”, afirma Baldissera. Portanto, a crítica a esses processos apresenta-se fundamental.

O prêmio consiste em reconhecimento do trabalho realizado e exprime a importância que a temática assume no atual contexto. Para Rossato, ao premiar a tese a Abrapcorp ajuda a dar visibilidade à pesquisa que expõe “algumas das práticas que estão sendo realizadas por organizações e também, de certa forma, indica caminhos possíveis para que a comunicação seja cada vez mais ética, mais igualitária e mais pedagógica, de modo a fortalecer as existências de diversidades e diferenças nas organizações a partir dos seus lugares de fala, identidades e culturas”.

A pesquisa de Rossato, realizada no Grupo de Pesquisa em Comunicação Organizacional, Cultura e Relações de Poder (GCCOP), compreendeu permanente diálogo com vários outros estudos sobre o tema, inclusive com chancela do CNPq. Rossato destaca que “a síntese de uma tese é o coroamento de um trabalho e de uma trajetória como pesquisador. Então, ganhar o prêmio da Abrapcorp me deixa muito feliz e honrado. Mas, com certeza, tenho que reconhecer que esse trabalho é resultado de muitas relações, de muitos encontros e de muitos diálogos com o meu orientador, Rudimar, principalmente, mas também com meus colegas de GCCOP e de PPGCOM da UFRGS”.

Esta é a terceira tese desenvolvida no GCCOP a receber o prêmio de Melhor Tese da Abrapcorp. Além dos prêmios de Tese, pesquisadores do grupo também receberam:

  • Abrapcorp: dois prêmios de Melhor Dissertação; duas Menções Honrosas de Dissertação; e uma Menção Honrosa de Tese;
  • CAPES: uma Menção Honrosa de Tese;
  • SBPJor: uma Menção Honrosa de Tese.

Sobre o Prêmio Abrapcorp

A comissão julgadora do Prêmio Abrapcorp analisa os seguintes critérios de avaliação para a escolha dos trabalhos premiados: originalidade e atualidade temática; pertinência e solidez do suporte teórico; qualidade dos resultados e potencial para avanço do conhecimento e inovação na área; além de avaliar o rigor metodológico, a estrutura e a qualidade redacional do trabalho.

Confira a tese completa em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/237998 

Você pode conferir a lista com os demais vencedores disponível em: https://abrapcorp.org.br/premio-abrapcorp-de-dissertacoes-teses-e-monografias-2023/